Dúvidas Frequentes
PERGUNTAS SOBRE AS ATAXIAS
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O QUE SIGNIFICAM GENÓTIPO E FENÓTIPO?
O genótipo é o conjunto completo de material genético de um organismo. Estima-se que o genoma humano contenha entre 20.000 e 25.000 genes codificadores de proteínas, que variam de tamanho de alguns milhares até mais de 2 milhões de nucleotídeos.
O fenótipo é o conjunto completo de características observáveis que resultam da expressão genética de um organismo. O fenótipo de um organismo inclui todas as suas características externas, por exemplo, peso e cor dos olhos, bem como características internas menos aparentes como tipo sanguíneo e inteligência. Por exemplo, os genes que determinam a quantidade de pigmento na minha pele são parte do meu genótipo, mas a cor da minha pele (que é aparente) é parte do meu fenótipo.
Enquanto o genótipo é determinado unicamente por fatores biológicos, o fenótipo de uma pessoa é determinado por interações complexas entre fatores biológicos e ambientais. Esta distinção entre genótipo e fenótipo é evidente no caso de gêmeos idênticos - apesar de terem o mesmo genótipo, eles podem ter características e comportamentos distintos (fenótipos diferentes), em função de fatores ambientais e estilo de vida.
Fonte: Artigo "O que é um gene?" escrito pela Dra. Chloe Soutar publicado originalmente na SCAsource.
Última atualização: 09/04/2023
O QUE É ANTECIPAÇÃO GENÉTICA?
Muitas doenças neurodegenerativas têm como causa primária uma mutação genética onde expansões (repetições) de nucleotídeos (como C, A, G ou outros) estão presentes no DNA. Estas repetições podem ser "normais" ou "expandidas", e neste último caso podem ser patológicas, ou seja, provocar doenças (incluindo as ataxias hereditárias).
Por exemplo, nas ataxias espinocerebelares SCA1, SCA2, SCA3, SCA6, SCA7, SCA12 , SCA17 e outras, a expansão é dos nucleotídeos CAG, e a transmissão é autossômica dominante (isto significa que a pessoa precisa herdar um gene com mutação do pai OU da mãe para desenvolver a doença).
As repetições "normais" de nucleotídeos são estáveis, ou seja, o tamanho da repetição não se altera de geração para geração. Já as repetições "expandidas" são instáveis, de modo que o tamanho da repetição pode variar de geração para geração.
Por conta da instabilidade na transmissão das repetições "expandidas", um fenômeno chamado "antecipação" pode ocorrer nas SCAs com repetições CAG. Neste caso, as sequências expandidas podem se tornam maiores nas próximas gerações, o que leva a um início mais precoce dos sintomas, e provavelmente um fenótipo (conjunto de sintomas) de maior severidade e com progressão mais rápida da doença. Ou seja, os sintomas aparecem mais cedo, e podem ser mais graves nos filhos do que foram nos pais.
Em particular, na ataxia SCA7 a antecipação pode ser tão marcada que o filho pode apresentar sintomas da ataxia antes mesmo do pai ou da mãe que transmitiu o gene com mutação descobrir que tem a doença.
Última atualização: 09/04/2023
O QUE SÃO NUCLEOTÍDEOS?
Os nucleotídeos são as unidades básicas que formam os ácidos nucleicos, como o DNA e o RNA, que carregam e transmitem a informação genética em todas as formas de vida. Eles são moléculas compostas por três componentes principais:
1 - Base nitrogenada: Existem cinco tipos de bases nitrogenadas, que são classificadas em dois grupos:
• Purinas: Adenina (A) e Guanina (G)
• Pirimidinas: Citosina (C), Timina (T) (no DNA), e Uracila (U) (no RNA)
2 - Açúcar (pentose): Um açúcar de cinco carbonos. No DNA, o açúcar é a desoxirribose, enquanto no RNA é a ribose.
3 - Grupo fosfato: Um ou mais grupos fosfato estão ligados ao carbono 5' do açúcar. Os grupos fosfato são responsáveis por formar as ligações que mantêm os nucleotídeos unidos em uma cadeia.
Função dos nucleotídeos
• Formação de ácidos nucleicos: Nucleotídeos são os blocos construtores do DNA e do RNA. No DNA, eles armazenam a informação genética, enquanto no RNA estão envolvidos no processo de tradução dessa informação para a síntese de proteínas.
• Fonte de energia celular: Alguns nucleotídeos, como o ATP (adenosina trifosfato), atuam como fontes primárias de energia para reações celulares.
• Coenzimas: Nucleotídeos também formam parte de coenzimas como o NAD+ e o FAD, que participam em processos metabólicos.
Os nucleotídeos se ligam entre si através de ligações que unem o grupo fosfato de um nucleotídeo ao açúcar do próximo. Isso forma a espinha dorsal da molécula de DNA ou RNA, enquanto as bases nitrogenadas se projetam para dentro e formam as pontes de hidrogênio entre as fitas complementares no DNA.
Os nucleotídeos desempenham um papel fundamental em uma ampla variedade de processos biológicos, incluindo a transmissão da informação genética e a regulação da atividade celular.
Última atualização: 18/05/2023
O QUE SÃO DNA e RNA?
O DNA (ácido desoxirribonucleico) e o RNA (ácido ribonucleico) são moléculas (polímeros) formadas por polinucleotídeos, ou ligações entre nucleotídeos. O DNA é responsável por armazenar as informações genéticas dos seres vivos, que são transmitidas entre gerações. Já o RNA contém informações para sintetizar (produzir) proteínas essenciais para a vida.
As estruturas do DNA e do RNA diferenciam-se quanto ao tipo de açúcar (pentose) e de base nitrogenada presentes em seus nucleotídeos.
No DNA, o açúcar observado é a desoxirribose, e as bases são Adenina, Guanina, Citosina e Timina.
No RNA, os nucleotídeos possuem ribose, e as bases nitrogenadas são Adenina, Guanina, Citosina e Uracila.
Os formatos das moléculas de DNA e RNA também são diferentes. O DNA aparece na forma de molécula de fita dupla, onde os nucleotídeos espiralam-se ao redor de um eixo imaginário formando uma dupla hélice. Os blocos componentes do DNA são os nucleotídeos, formados por um fosfato, um açúcar e uma base nitrogenada (C - Citosina, G - Guanina, A - Adenina, T - Timina). O fostafo e o açúcar formam a hélice dupla, e as bases dos nucleotídeos em cada fita se conectam (A sempre com T, C com G) através de ligações químicas (ligações de Hidrogênio) como nos degraus de uma escada.
Já o RNA geralmente está presente na forma de cadeias individuais de polinucleotídeos. O RNA é formado por quatro tipos de nucleotídeos, que consistem em uma base nitrogenada, uma molécula de ribose (açúcar) e um grupo fosfato. As bases nitrogenadas que compõem o RNA são a Adenina (A), a Citosina (C), a Guanina (G) e a Uracila (U).
A principal diferença entre o RNA e o DNA em termos de nucleotídeos é que, no RNA, a Uracila (U) substitui a Timina (T), que é encontrada no DNA. Além disso, o RNA usa o açúcar ribose, enquanto o DNA usa a desoxirribose. Esses nucleotídeos formam a sequência do RNA, que é crucial para o processo de tradução genética, em que o RNA é usado para sintetizar proteínas.
Fonte: https://brasilescola.uol.com.br/biologia/nucleotideo.htm
Transcrição: No processo de transcrição, uma fita do DNA é usada como molde para a produção de uma molécula de RNA. A transcrição (formação do RNA a partir do DNA) ocorre no núcleo das células e é necessária para que os genes consigam se expressar.
Veja mais sobre "Transcrição" em: https://brasilescola.uol.com.br/biologia/transcricao.htm
Fonte: https://brasilescola.uol.com.br/biologia/nucleotideo.htm
Última atualização: 18/05/2023
QUAIS ATAXIAS ESPINOCEREBELARES (SCAs) JÁ TÊM GENES CONHECIDOS?
Já são conhecidos cerca de 50 subtipos de ataxias espinocerebelares (SCAs), todos com transmissão autossômica dominate. A lista seguinte mostra o código da ataxia, o gene associado, a localização (cromossoma e locus) e entrada no #OMIM (Online Mendelian Inheritance in Man).
Ataxia SCA1 - gene ATXN1 - Localização 6p22.3
OMIM #164400
https://www.omim.org/entry/164400
Ataxia SCA2 - gene ATXN2 - Localização 12q24.12
OMIM #183090
Ataxia SCA3 (Machado-Joseph) - gene ATXN3 - Localização 14q32.12
OMIM #109150
Ataxia SCA4 - gene ZFHX3 - Localização 16q22.2-q22.3
OMIM #600223
Ataxia SCA5 - gene SPTBN2 - Localização 11q13.2
OMIM #600224
Ataxia SCA6 - gene CACNA1A - Localização 19p13.13
OMIM #183086
Ataxia SCA7 - gene ATXN7 - Localização 3p14.1
OMIM #164500
Ataxia SCA8 - genes ATXN8, ATXN8OS - Localização 13q21 (ATXN8) e 13q21.33 (ATXN8OS)
OMIM #608768
Ataxia SCA9 - gene ainda desconhecido
OMIM #612876
Ataxia SCA10 - gene ATXN10 - Localização 22q13.31
OMIM #603516
Ataxia SCA11 - gene TTBK2 - Localização 15q15.2
OMIM #604432
https://www.omim.org/entry/604432
Ataxia SCA12 - gene PPP2R2B - Localização 5q32
OMIM #604326
https://www.omim.org/entry/604326
Ataxia SCA13 - gene KCNC3 - Localização 19q13.33
OMIM #605259
Ataxia SCA14 - gene PRKCG - Localização 19q13.42
OMIM #605361
Ataxia SCA15, SCA16 (Nota 1) - gene ITPR1 - Localização 3p26.1
OMIM #606658
Ataxia SCA17 - gene TPB - Localização 6q27
OMIM #607136
Ataxia SCA18 - gene IFRD1 - Localização 7q22-q32
OMIM #607458
https://www.omim.org/entry/607458
Ataxia SCA19, SCA22 (Nota 2) - gene KCND3 - Localização 1p13.2
OMIM #607346
Ataxia SCA20 (Nota 3) - gene SCA20 - Localização 11q12
OMIM #608687
Ataxia SCA21 - gene TMEM240 - Localização 1p36.33
OMIM #607454
Ataxia SCA23 - gene PDYN - Localização 20p13
OMIM # 610245
Atxia SCA25 - gene PNPT1 - Localização 2p16.1
OMIM # 608703
Ataxia SCA26 - gene EEF2 - Localização 19p13.3
OMIM # 609306
Ataxia SCA27A (Nota 5) - gene FGF14 - Localização 13q33.1
OMIM # 193003
https://www.omim.org/entry/193003
Ataxia SCA27B (Nota 5) - gene FGF14 - Localização 13q33.1
OMIM # 620174
Ataxia SCA28 - gene AFG3L2 - Localização 18p11.21
OMIM # 610246
Ataxias SCA29, SCA30 (Nota 6) - gene ITPR1 - Localização 3p26.1
OMIM #117360
Ataxia SCA31 - gene BEAN1 - Localização 16q21
OMIM # 117210
Ataxia SCA32 (Nota 7) - gene SCA32 ainda deconhecido - Localização 7q32-q33
OMIM % 613909
Ataxia SCA34 - gene ELOVL4 - Localização 6q14.1
OMIM # 133190
Ataxia SCA35 - gene TGM6 - Localização 20p13
OMIM # 613908
Ataxia SCA36 - gene NOP56 - Localização 20p13
OMIM #614153
Ataxia SCA37 - gene DAB1 - Localização 1p32.2-p32.1
OMIM # 615945
Ataxia SCA38 - gene ELOVL5 - Localização 6p12.1
OMIM # 615957
Ataxia SCA40 - gene CCDC88C - Localização 14q32.11-q32.12
OMIM # 616053
Ataxia SCA41 - gene TRPC3 - Localização 4q27
OMIM # 616410
Ataxia SCA42 - gene CACNA1G - Localização 17q21.33
OMIM # 616795
https://www.omim.org/entry/616795
Ataxia SCA43 - gene MME - Localização 3q25.2
OMIM # 617018
Ataxia SCA44 - gene GRM1 - Localização 6q24.3
OMIM # 617691
https://www.omim.org/entry/617691
Ataxia SCA45 - gene FAT2 - Localização 5q33.1
OMIM # 617769
Ataxia SCA46 - gene PLD3 - Localização 19q13.2
OMIM # 617770
https://www.omim.org/entry/617770
Ataxia SCA47 - gene PUM1 - Localização 1p35.2
OMIM # 617931
https://www.omim.org/entry/617931
Ataxia SCA48 - gene STUB1 - Localização 16p13.3
OMIM # 618093
https://www.omim.org/entry/618093
Ataxia SCA49 - gene SAMD9L - Localização 7q21.2
OMIM # 619806
https://www.omim.org/entry/619806
Ataxia SCA50 - gene NPTX1 - Localização 17q25.3
OMIM # 620158
Notas
(1) SCA16 foi inicialmente descrita como uma condição separada, mas foi mais tarde combinada com SCA15 devido ao gene comum.
(2) SCA19 e SCA22 foram inicialmente descritas como duas condições separadas, mas posteriormente foi descoberto que ambas são causadas por mutações no mesmo gene, KCND3. Como resultado, SCA19 e SCA22 são agora consideradas a mesma condição genética, apenas com denominações diferentes em estudos iniciais.
(3) A ataxia SCA20 foi mapeada, mas o gene exato ainda é objeto de investigação.
(4) Não existe oficialmente uma SCA24. Inicialmente, esse número foi reservado para uma possível nova forma de ataxia espinocerebelar, mas até o momento, nenhum gene ou condição específica foi definitivamente associado a esse número.
(5) SCA27A e SCA27B estão associadas ao mesmo gene, FGF14, mas são consideradas diferentes formas de ataxia. Ambas foram identificadas a partir de mutações no mesmo gene, mas apresentam características clínicas distintas. SCA27A é caracterizada por uma forma mais leve de ataxia, enquanto SCA27B tende a apresentar um padrão de sintomas mais grave, incluindo a ataxia progressiva. As diferenças podem estar relacionadas à variedade de mutações específicas dentro do gene FGF14 que afetam a gravidade e a manifestação da doença
(6) SCA29 e SCA30 são consideradas diferentes formas de ataxia, apesar de ambas serem associadas ao mesmo gene, ITPR1, que também está relacionado a SCA15 e SCA16.
(7) Gene da SCA32 ainda não identificado, sendo investigado.
Última atualização: 16/10/2024
O QUE SIGNIFICAM "INDIVÍDUO HOMOZIGOTO" E "INDIVÍDUO HETEROZIGOTO"?
Homozigoto (em relação a um determinado gene) é a pessoa que possui dois alelos iguais de um gene para uma mesma característica genética.
Heterozigoto é a pessoa que possui dois alelos diferentes do gene para uma mesma característica.
Hereditariedade é a transmissão de genes e características de uma geração para a próxima. Quase todas as células humanas possuem 23 pares de cromossomos. As células do óvulo e do esperma são únicas, no sentido de que possuem apenas um conjunto de 23 cromossomos (e não um par, como as demais células). Assim, nós herdamos um conjunto de 23 cromossomos do óvulo de nossa mãe, e outro conjunto de 23 cromossomos do esperma de nosso pai, obtendo assim duas cópias de cada gene (a exceção para isso é um pequeno conjunto de genes que são únicos para os cromossomas X e Y, que determinam o sexo do organismo).
Variantes de genes que diferem ligeiramente em uma sequência de nucleotídeos são denominadas alelos. Um indivíduo com duas cópias do mesmo alelo é chamado de homozigoto para o gene correspondente. Neste caso, o indivíduo possui dois alelos iguais para a mesma característica (por exemplo, cor dos olhos). Inversamente, um indivíduo com dois alelos diferentes para um determinado gene é chamado heterozigoto para aquele gene.
Alelos dominantes são alelos para o qual uma única cópia herdada é suficiente para resultar em uma determinada característica. Alelos recessivos são alelos para os quais duas cópias são necessárias para que a característica correspondente se manifeste no indivíduo. Alelos recessivos são escondidos pela sua contraparte dominante em um indivíduo heterozigoto. A maioria de nossas características são poligênicas, o que significa que são determinadas pela expressão de múltiplos genes (por exemplo, cor dos olhos, cor da pele etc.).
. Fonte: Artigo "O que é um gene?" escrito pela Dra. Chloe Soutar publicado originalmente na SCAsource.
Última atualização: 09/04/2023
O QUE É MUTAÇÃO "DE NOVO"?
O QUE É MUTAÇÃO "DE NOVO"?
As mutações genéticas são alterações na sequência do DNA que podem surgir de duas formas principais:
Erros durante a replicação celular, quando as células se dividem e o DNA é copiado.
Danos externos ao DNA, como a exposição à radiação ultravioleta (UV) – comum em células da pele após longa exposição solar.
Normalmente, o corpo possui sistemas de reparo que corrigem essas alterações. No entanto, se falharem, as mutações tornam-se permanentes no código genético.
Nem todas as mutações causam doenças. Na verdade, a maioria das muitações são neutras, no sentido de que não afetam a produção de proteínas (ocorrem em regiões não codificantes do DNA), ou não afetam a estrutura de proteínas essenciais, ou ainda alteram as proteínas de forma irrelevante, sem consequências para o organismo humano.
Porém, há também mutações (mais raras) com alteração funcional, que podem modificar a estrutura e a função de proteínas essenciais. Algumas destas mutações podem ser prejudiciais e causar por exempo doenças neurológicas (como as ataxias espinocerebelares) ou câncer, onde uma única mutação pode comprometer funções vitais.
Em alguns casos excepcionais, as mutações também podem trazer benefícios, conferindo vantagens adaptativas (por exemplo, maior resistência a doenças).
Mutações "de novo"
Uma mutação é classificada como "de novo" quando surge pela primeira vez em uma família, (ou seja, nem o pai nem a mãe do indivíduo afetado tinham a mutação). Essa mutação pode surgirespontaneamente, seja durante a formação dos gametas (óvulos ou espermatozoides) dos progenitores, seja nas fases iniciais do desenvolvimento embrionário da criança.
A maioria das mutações "de novo" que surgem em uma pessoa são mutações somáticas, isto é, acontecem em células do corpo (como da pele, ou do fígado) e não são herdadas pelos descendentes. Porém, também podem ser mutações germinativas, que ocorrem nos gametas (células reprodutivas) e podem ser transmitidas para os filhos. Isso explica por que filhos podem ter uma mutação genética específica que os pais não tinham.
Assim, as mutações "de novo" são importantes no diagnóstico de doenças de causa genética sem histórico familiar, como algumas epilepsias ou malformações congênitas.
Texto criado por Márcio Galvão com apoio de IA Generativa (DeepSeek)
Última atualização: 04/05/2025
QUAL A DIFERENÇA ENTRE AS MUTAÇÕES MISSENSE E NONSENSE?
As mutações missense e nonsense são tipos de mutações genéticas que ocorrem em genes, resultando em alterações na sequência de aminoácidos das proteínas. A diferença entre elas está no impacto que cada uma provoca na proteína final.
Mutação missense: ocorre quando uma única base de DNA é alterada, o que leva à substituição de um aminoácido por outro na proteína resultante. Essa mudança pode ou não afetar significativamente a função da proteína, dependendo de quão importante é o aminoácido alterado para a estrutura ou função dela. Por exemplo, se o novo aminoácido tiver propriedades químicas semelhantes ao original, o impacto pode ser pequeno; caso contrário, pode comprometer a função da proteína.
Mutação nonsense: ocorre quando uma alteração de uma base no DNA resulta em um códon de parada (um sinal para a tradução proteica ser interrompida) no lugar de um códon que deveria codificar um aminoácido. Como resultado, a tradução da proteína é interrompida precocemente, levando a uma proteína truncada (incompleta), que geralmente é não funcional ou menos funcional.
Por exemplo, o códon CAG (Citosina – Adenina – Guanina) codifica o aminoácido glutamina no código genético. Se a segunda base do códon CAG for alterada para U, o códon se tornará CUG, que codifica o aminoácido leucina. Isso é uma mutação missense, pois houve a substituição do aminoácido glutamina por leucina na proteína, o que pode ou não afetar sua função, dependendo da importância da glutamina no local alterado.
Já se a primeira base do códon CAG for alterada para U, o códon se tornará UAG. UAG é um códon de parada. Isso é uma mutação nonsense, pois a alteração gera um códon de parada prematuro, interrompendo a tradução e resultando em uma proteína truncada. Essas proteínas truncadas são frequentemente não funcionais e, em muitos casos, são degradadas rapidamente pela célula, aumentando o impacto da mutação. Assim, as mutações nonsense geralmente têm um impacto mais severo na saúde do que as mutações missense
Conteúdo gerado com apoio de IA Generativa.
Última atualização: 11/11/2024
TODAS AS DOENÇAS GENÉTICAS SÃO HEREDITÁRIAS?
Não. Há doenças genéticas hereditárias, e outras doenças genéticas causadas por mutações somáticas (não herdadas dos pais).
As doenças genéticas são causadas por uma ou mais mutações no DNA. Essas mutações podem ser passadas de geração em geração, com diferentes padrões de herança (autossômica recessiva, autossômica dominante, herança ligada ao X). Neste caso, se estas mutações forem causa de doenças, estas doenças serão hereditárias (o gene com a mutação poderá ser transmitido dos pais para os filhos, com maior ou menor probabilidade, dependendo da forma de transmissão ou padrão de herança).
Porém, as mutações genéticas que podem causar doenças também podem surgir durante a vida por diferentes causas. Neste caso, são chamadas de mutações somáticas.
Doenças genéticas monogênicas e poligênicas
Há centenas de milhares de doenças genéticas e cerca de 10.000 delas são monogênicas, isto é, podem ser causadas por alterações em um único gene. Como exemplo de doeças genéticas monogênicas, podemos citar a ataxiar espinocerebelar tipo 3 (SCA3, ou Doença de Machado Joseph), que pode ser transmitida entre gerações pela mutação de um único gene (ATXN3)
Também há doenças poligênicas, que requerem mutações em múltiplos genes diferentes para que se manifestem. Alguns exemplos de doenças genéticas poligênicas são a doença de Alzheimer, a hipertensão, e o câncer.
Observar que embora tenha um componente genético (poligênico), o câncer também pode ser adquirido por mutações somáticas (não herdadas). Na verdade, ao menos 90% dos casos de câncer são causados por mutações somáticas em vários genes e acumuladas ao longo da vida, que não foram herdadas.
As mutações somáticas que podem causar câncer podem ocorrer por diversos fatores, que em geral podem ser evitados:
Exposição excessiva à radiação UV, como a solar
Hábito de fumar
Exposição excessiva à fumaças (cigarro, poluição)
Exposição excessiva à outros compostos cancerígenos (pesticidas, carnes curadas, fontes de radiação
Fonte: Texto adaptado de
https://blog.mendelics.com.br/padrao-de-heranca-genetica/amp/
Última atualização: 18/05/2023
MUTAÇÕES "DE NOVO" (SEM HISTÓRICO FAMILIAR) PODEM CAUSAR ATAXIA?
Sim. Uma mutação genética "de novo" é a que surge em uma pessoa pela primeira vez, sem ter sido herdada de nenhum dos pais (sem histórico familiar). Estas mutações podem (ou não) ser causas de doenças progressiva, inclusive ataxias. Podem ocorrer aleatoriamente, seja por falhas no processo de replicação do DNA durante a divisão celular, por falhas no sistema de reparo de erros no processamento do DNA ou ainda por exposição à radiação e produtos químicos que possam causar mutações.
Ver https://blog.mendelics.com.br/glossario-de-genetica-parte-3/
Última atualização: 30/07/2023
O QUE É UM GENE?
Um gene é uma sequência específica de DNA (ácido desoxirribonucleico) que são grandes moléculas (polímeros) que controlam a atividade celular e a hereditariedade, ou a transmissão de características genéticas dos seres vivos de uma geração para a outra.
O DNA contém as instruções necessárias para a síntese de proteínas ou moléculas de RNA, que desempenham papéis fundamentais no funcionamento das células e organismos. Em outras palavras, os genes são as unidades básicas da hereditariedade, transmitindo informações genéticas de uma geração para a próxima.
Estruturalmente, um gene é composto por uma sequência de nucleotídeos, que são os blocos constituintes do DNA. Esses nucleotídeos são formados por quatro bases nitrogenadas: adenina (A), timina (T), citosina (C) e guanina (G). A ordem dessas bases ao longo da cadeia de DNA define a informação genética.
A principal função dos genes é codificar proteínas. Cada gene contém as instruções para construir uma proteína específica, e essas proteínas desempenham várias funções estruturais e catalíticas no organismo. Para a síntese de proteínas, o gene é transcrito em uma molécula de RNA mensageiro (mRNA), que é então traduzida em aminoácidos para formar proteínas.
Uma outra função dos genes é a regulação genética. Nem todos os genes codificam proteínas; alguns controlam a expressão de outros genes, agindo como reguladores. Isso significa que eles desempenham papéis importantes no controle do desenvolvimento, da diferenciação celular e de vários processos metabólicos.
Os genes são herdados dos pais e determinam características físicas e biológicas, como cor dos olhos, altura, predisposição a doenças, e muito mais. Eles são organizados em estruturas chamadas cromossomos, que se encontram no núcleo das células.
Alterações na sequência de um gene, conhecidas como mutações, podem afetar a função da proteína resultante. Essas mutações podem ser benéficas, prejudiciais ou neutras. Algumas mutações são a base de doenças genéticas, como a fibrose cística ou as ataxias hereditárias. As mutações em genes específicos podem causar várias doenças, tanto hereditárias quanto adquiridas. Por exemplo, nas ataxias espinocerebelares (SCA), uma mutação em determinados genes causa a degeneração das células nervosas no cerebelo, levando à perda de coordenação motora e equilíbrio.
O conjunto completo de genes de um organismo é chamado de genoma. O Projeto Genoma Humano, completado no início dos anos 2000, mapeou todos os genes humanos, fornecendo uma compreensão abrangente de como esses genes afetam nossa biologia e saúde.
Em resumo, os genes são responsáveis por armazenar as informações genéticas que regulam a produção de proteínas e, portanto, controlam muitas das características e funções dos organismos vivos. A função correta dos genes é essencial para a saúde, e mutações nos genes podem levar a diversas doenças.
Ver artigo "Instantâneo: O que é um gene?"
Conteúdo gerado com apoio de IA Generativa.
Última atualização: 16/10/2024
O QUE É EPIGENÉTICA?
A epigenética é o campo de estudo que investiga mudanças na expressividade dos genes através de "marcas" químicas que regulam como e quando os genes são ativados ou desativados. Essas alterações são chamadas de modificações epigenéticas e incluem processos como:
• Metilação do DNA: Adição de grupos metila (CH₃) a regiões específicas do DNA, o que pode silenciar genes.
• Modificações nas histonas: As histonas são proteínas ao redor das quais o DNA se enrola, e modificações químicas nessas proteínas podem alterar a forma como o DNA é compactado, afetando a acessibilidade dos genes para a transcrição.
• RNA não codificante: Pequenas moléculas de RNA que podem interferir na expressão gênica, seja ativando ou inibindo genes.
Essas modificações epigenéticas são influenciadas por fatores externos, como alimentação, exposição a poluentes, estresse, hábitos de vida e até interações sociais. Isso significa que, embora o DNA (genoma) de uma pessoa seja fixo, o epigenoma (o conjunto dessas marcas epigenéticas) pode mudar ao longo da vida.
A epigenética tem um papel importante na proteção contra doenças genéticas (inclusive ataxias hereditárias), e isso ocorre de várias maneiras:
• Regulação da Expressão Gênica: Certos genes que podem causar doenças estão presentes no DNA de uma pessoa, mas podem ser "desligados" por mecanismos epigenéticos. Por exemplo, se uma pessoa herda uma mutação genética associada a uma doença, o gene mutado pode não ser expresso se estiver sob controle epigenético, reduzindo ou eliminando os efeitos da doença.
• Imprinting Genômico: Em alguns casos, o corpo usa marcas epigenéticas para ativar apenas um alelo de um gene (o de um dos pais) e silenciar o outro. Isso é importante em doenças causadas por desequilíbrios na expressão de genes específicos. Se uma mutação estiver presente no alelo de um gene, mas o alelo funcional for expresso devido à marcação epigenética, a pessoa pode ser protegida contra os sintomas da doença.
• Epigenética e Câncer: Muitos cânceres estão associados a alterações epigenéticas que ativam oncogenes (genes que promovem o crescimento descontrolado de células) ou inativam genes supressores de tumor (genes que previnem o câncer). Compreender como essas mudanças ocorrem permite o desenvolvimento de terapias epigenéticas, que visam restaurar a expressão gênica normal através da reversão das marcas epigenéticas defeituosas.
• Plasticidade Epigenética e Estilos de Vida Saudáveis: Fatores ambientais, como uma dieta equilibrada, atividade física e a ausência de estresse crônico, podem influenciar as marcas epigenéticas e contribuir para a prevenção de doenças. Por exemplo, nutrientes como folato, vitamina B12 e metionina podem influenciar a metilação do DNA, ajudando a manter o controle sobre a expressão de genes associados a doenças crônicas como diabetes, doenças cardiovasculares e até mesmo certos tipos de câncer.
Assim, há modificadores genéticos que as pessoas podem ter naturalmente que podem aumentar ou reduzir o risco de que desenvolvam certas doenças hereditárias, causados por mutações (também genéticas). Ou seja, modificações epigenética podem tanto agravar sintomas, quanto reduzir a severidade de sintomas.
Embora a maioria das marcas epigenéticas sejam reconfiguradas após a concepção, há indícios de que algumas modificações epigenéticas podem ser transmitidas entre gerações. Isso significa que as experiências e exposições de uma pessoa podem afetar seus descendentes. Além disso, fatores ambientais e estilos de vida (qualidade de vida, alimentação, fisioterapia, exercícios, sono, amparo familiar etc.) podem influenciar o epigenoma, impactando a manifestação e a gravidade das ataxias.
Por exemplo, é sabido que mesmo pessoas com o mesmo tipo de ataxia, na mesma família, ou a mesma idade, e o mesmo número de repetições CAG (no caso da SCA3) podem variar bastante na severidade de sintomas, pois (é plausível supor) que algumas têm uma "proteção genética natural" maior que outras, o que pode influenciar para melhor ou pior o curso da doença.
Em artigo recente pesquisadores chineses descobriram que uma mutação no gene PIAS1 (a variante PIAS1 S510G) que algumas pessoas podem ter naturalmente oferece proteção contra a progressão da ataxia SCA3, pois combate os efeitos neurotóxicos da agregação da proteína ATXN3 mal formada. Ou seja, se esta pesquisa estiver correta, o PIAS1 S510G age como um modificador genético que oferece proteção para os pacientes com SCA3.
Ver https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1357272524001547
Última atualização: 16/10/2024
O QUE SIGNIFICA TRANSMISSÃO AUTOSSÔMICA DOMINANTE?
As doenças genéticas hereditárias são aquelas causadas por alterações do DNA que são herdadas de pelo menos um dos pais.
Os seres humanos têm 46 cromossomos (*), sendo que metade (23 cromossomos) são herdados da mãe, e a outra metade é herdada do pai. Desses 46 cromossomos, 44 são chamados autossômicos e são encontrados sempre em pares (uma cópia da mãe e uma do pai). Já os outros dois cromossomos são os sexuais, X e Y, sendo que mulheres possuem dois cromossomos X, e os homens um X e um Y.
Pensando nisso, podemos classificar as doenças genéticas hereditárias de acordo com o padrão de herança, ou seja, a forma como elas precisam ser herdadas para se manifestarem.
Padrão de herança autossômico dominante
Nas doenças de padrão de herança autossômico dominante uma única cópia da alteração, herdada do pai ou da mãe, pode ser suficiente para a manifestação dos sintomas. Esse padrão de herança é menos comum e compreende cerca de 32% das doenças genéticas raras.
É importante notar que existem doenças com esse padrão em que, mesmo herdando uma cópia da alteração, alguns indivíduos não manifestam os sintomas. Isso pode acontecer por diversos motivos, como efeitos ambientais relacionados ao estilo de vida ou mecanismos biológicos que compensam ou anulam o efeito da mutação no organismo. Quando isso acontece, dizemos que a alteração causadora da doença tem penetrância incompleta, ou seja, não afeta todas as pessoas que possuem a mutação.
Representamos abaixo a probabilidade de herança da alteração genética, que pode não corresponder à probabilidade de desenvolver os sintomas.
Se somente o pai ou a mãe possui uma cópia da alteração (gene com mutação) que causa a doença, existe 50% de chance do filho receber a alteração.
Se ambos os pais possuírem uma cópia alterada cada um, existe 75% de chances da criança herdar pelo menos uma das cópias alteradas que podem causar a doença, e 25% de chance de não herdar nenhuma alteração.
Fonte: Toda doença genética é herdada?
Letícia Marcorin Letícia Marcorin
(*) Nota MG - Cromossomos são estruturas dentro das células que contêm os genes de uma pessoa. Ou seja, um cromossoma é um agrupamento de genes, ou um gene é uma sequência específica de DNA dentro de um cromossomo. Genes são segmentos de uma molécula de DNA (ou RNA) contendo uma sequência específica de bases nitrogenadas (Adenina (A), Guanina (G), Citosina (C) e Timina (T) para o DNA, e Adenina (A), Guanina (G), Citosina (C) e Uracila (U) para o RNA). Os genes contêm instruções para codificar (produzir, criar) proteínas essenciais para a vida.
Última atualização: 18/05/2023
É POSSÍVEL HERDAR DUAS ATAXIAS HEREDITÁRIAS DIFERENTES?
A Dra. Susan Perlman informou em um webinar que há algumas famílias onde há mais de um tipo de mutação genética circulando, ou seja, as pessoas da família podem ser afetadas por mais de um tipo de ataxia, se herdar um alelo de um gene com mutação que cause um tipo de ataxia com transmissão autossômica dominante do pai, e herdar outro alelo de um outro gene diferente com mutação que cause outro tipo de ataxia com transmissão autossômica dominante da mãe por exemplo. Porém, isso é bastante raro.
No caso geral, se há apenas um tipo de gene com mutação sendo transmitido na família, então não é possível que os filhos herdem uma ataxia diferente da que foi transmitida. Trata-se de uma doença hereditária, portanto os pais só podem passar a mutação genética que eles tiverem, e não alguma outra diferente. Assim, por exemplo, se um dois pais têm a ataxia espinocerebelar tipo 2 (SCA2) por exemplo, esta é a ataxia que poderá ser transmitida para os filhos.
Última atualização: 27/09/2023
O QUE SÃO EXPANSÕES SOMÁTICAS?
Expansões somáticas referem-se a um fenômeno genético no qual repetições de trinucleotídeos (sequências repetitivas de três bases de DNA) se tornam progressivamente mais longas nas células somáticas (não reprodutivas) ao longo da vida de uma pessoa. Esse fenômeno é particularmente relevante em certas doenças neurodegenerativas causadas por repetições de trinucleotídeos, como a doença de Huntington e várias ataxias espinocerebelares (SCA).
Como funcionam as expansões somáticas
• Repetições de trinucleotídeos: Em algumas doenças, uma sequência repetida de três nucleotídeos (como CAG) dentro de um gene específico é expandida além do normal. Por exemplo, na doença de Huntington, o gene HTT contém repetições anormais de CAG.
• Progressão da expansão somática: Embora a pessoa já tenha nascido com uma expansão do trinucleotídeo, essa repetição pode se expandir ainda mais nas células somáticas ao longo da vida. Essas expansões não acontecem nas células germinativas (que produzem espermatozoides ou óvulos), mas sim nas células que compõem tecidos e órgãos, como os neurônios.
• Contribuição para a gravidade da doença: Nas doenças associadas a repetições de trinucleotídeos, as expansões somáticas podem contribuir para a progressão da doença. Por exemplo, as células cerebrais podem apresentar mais repetições de trinucleotídeos do que outras partes do corpo devido às expansões somáticas, exacerbando a degeneração neurológica.
• Nas ataxias espinocerebelares (SCA), as expansões somáticas podem ocorrer em genes que contêm repetições de trinucleotídeos, como o gene ATXN1 (SCA1) ou ATXN3 (SCA3). As expansões somáticas nessas regiões podem aumentar o número de repetições de trinucleotídeos no decorrer da vida de uma pessoa, potencialmente agravando os sintomas da ataxia, como problemas de coordenação motora, equilíbrio e fala.
As expansões somáticas são importantes porque:
• Podem influenciar a gravidade e o início dos sintomas da doença. Pessoas com maior instabilidade e expansão somática podem apresentar os sintomas de forma mais precoce ou severa.
• Estão sendo estudadas como possíveis alvos terapêuticos. Se for possível estabilizar ou reduzir as expansões somáticas, pode-se retardar a progressão de doenças como as ataxias e a doença de Huntington.
Em resumo, as expansões somáticas são um processo em que repetições de trinucleotídeos aumentam ao longo do tempo em células somáticas, contribuindo para a gravidade de doenças neurodegenerativas como as ataxias espinocerebelares.
Ver artigo "Snapshot: O que são expansões somáticas?"
Conteúdo gerado com apoio de IA Generativa.
Última atualização: 07/05/2023
O QUE SIGNIFICA PADRÃO DE HERANÇA LIGADA AO X?
As doenças genéticas hereditárias são aquelas causadas por alterações do DNA que são herdadas de pelo menos um dos pais.
Os seres humanos têm 46 cromossomos (*), sendo que metade (23 cromossomos) são herdados da mãe, e a outra metade é herdada do pai. Desses 46 cromossomos, 44 são chamados autossômicos e são encontrados sempre em pares (uma cópia da mãe e uma do pai). Já os outros dois cromossomos são os sexuais, X e Y, sendo que mulheres possuem dois cromossomos X, e os homens um X e um Y.
Pensando nisso, podemos classificar as doenças genéticas hereditárias de acordo com o padrão de herança, ou seja, a forma como elas precisam ser herdadas para se manifestarem.
Padrão de herança ligado ao X
As doenças de padrão de herança ligado ao X são causadas por alterações genéticas no cromossomo X e portanto, podem ter efeitos diferentes em homens e mulheres. Doenças ligadas à cromossomos sexuais (X e Y) são ainda menos comuns e compreendem somente cerca de 10% das doenças genéticas raras. O padrão de herança ligado ao X pode ser recessivo ou dominante.
A) Padrão de herança recessiva ligada ao X
Como homens só possuem um cromossomo X, uma cópia do gene alterado é suficiente para causar a doença. Já no caso das mulheres, como possuem dois cromossomos X, é necessário herdar a alteração genética de ambos os pais para desenvolver a doença, e se portar uma única cópia, será somente portadora da alteração.
Para doenças com padrão de herança recessiva, as chances de ter filhos portadores ou afetados varia dependendo de quem possui a mutação, o pai ou a mãe.
Se somente o pai possuir a alteração que causa a doença, existe 50% de chance de ter uma filha portadora e nenhuma chance de ter um filho com a doença.
Se somente a mãe for portadora da mutação, existe 50% de chance de filhas mulheres serem portadoras e 50% dos filhos homens desenvolverem a doença.
Se ambos os pais forem portadores, existe 50% de chances dos filhos homens serem afetados pela doença, 50% de chances das filhas mulheres serem afetadas e 50% das filhas mulheres serem portadoras.
B) Padrão de herança dominante ligada ao X
Diferentemente do padrão de herança recessivo, nas doenças com transmissão dominante ligada ao X apenas uma cópia alterada do gene pode ser suficiente para afetar tanto homens quanto mulheres. É importante lembrar que esse padrão de herança também pode ter penetrância incompleta, principalmente em mulheres, podendo não manifestar os sintomas em todas as pessoas com a mutação.
Nesse caso, as chances de ter filhos afetados também varia dependendo de quem possui a mutação, o pai ou a mãe.
Se somente o pai possuir a alteração que causa a doença, somente filhas herdarão.
Se somente a mãe possuir uma cópia do gene com a mutação, existe 50% de chance dos filhos herdarem, independente do sexo.
Se somente a mãe for afetada pela doença, possuindo duas cópias do gene com a mutação, todos os filhos herdarão a mutação, independente do sexo.
Fonte: Toda doença genética é herdada?
Letícia Marcorin Letícia Marcorin
(*) Nota MG - Cromossomos são estruturas dentro das células que contêm os genes de uma pessoa. Ou seja, um cromossoma é um agrupamento de genes, ou um gene é uma sequência específica de DNA dentro de um cromossomo. Genes são segmentos de uma molécula de DNA (ou RNA) contendo uma sequência específica de bases nitrogenadas (Adenina (A), Guanina (G), Citosina (C) e Timina (T) para o DNA, e Adenina (A), Guanina (G), Citosina (C) e Uracila (U) para o RNA). Os genes contêm instruções para codificar (produzir, criar) proteínas essenciais para a vida.
Última atualização: 18/05/2023
COMO OCORRE A SÍNTESE DE PROTEÍNAS A PARTIR DOS GENES?
Para melhor compreender como as proteínas necessárias para a vida são sintetizadas no interior de nossas células, é importante discutir os processos de Transcrição do DNA em RNA mensageiro (mRNA), Splicing (remoção de partes não codificantes do mRNA) e de Translação (síntese de proteínas a partir da parte codificante do mRNA).
1 - Transcrição
No núcleo das células, o DNA que forma cada gene é transcrito em RNA mensageiro (ácido ribonucleico), que também é um polímero composto por nucleotídeos. Porém, os nucleotídeos do RNA mensageiro são ligeiramente diferentes. A pentose (o açúcar) é a ribose, e as bases nitrogenadas são Adenina (A), Guanina (G), Citosina (C) e Uracila (U). Além disso, o RNA é composto por uma única fita.
Fonte: [2]
No processo de transcrição (Transcription), uma fita dupla do DNA de um determinado gene é usada como "molde" para a produção de uma molécula de RNA mensageiro. A transcrição ocorre no núcleo das células, e é necessária para que os genes consigam se expressar. Na transcrição os pares de nucleotídeos A-T do DNA dão origem a um único nucleotídeo U (Uracila) no RNA mensageiro, os pares G-C dão origem ao nucleotídeo C (Citosina), os pares C-G dão origem ao nucleotídeo G (Guanina) e os pares T-A dão origem ao nucleotídeo A (Adenina), e assim a estrutura de nucleotídeos duplos do DNA é convertida ou transcrita em uma fita única de nucleotídeos no RNA mensageiro.
2 - Splicing (remoção das partes não codificantes do mRNA)
Após a transcrição do DNA em RNA Mensageiro e antes da translação do RNA Mensageiro em proteínas há um processo intermediário chamado Splicing, onde as partes não codificantes do RNA Mensageiro (introns) são removidas, preservando apenas os exons, gerando um RNA Mensageiro maduro e apto para a codificação da proteína.
Este processo é ilustrado na figura seguinte.
Fonte: [1]
3 - Translação (codificação de proteínas)
Após o Splicing, com o RNA mensageiro (mRNA) já maduro, contendo apenas exons ou segmentos codificantes, é iniciada a translação ou síntese de proteínas. No genoma humano, aproximadamente 20.000 genes codificam diferentes proteínas, que são essenciais para a vida (há também genes que não codificam proteínas).
Como podemos ver na ilustração seguinte, o RNA mensageiro resultante dos processos de transcrição e splicing contém as informações para executar uma translação (Translation), que é o processo de codificar uma cadeia linear de aminoácidos, que por sua vez se "moldam" nas proteínas necessárias para a vida.
Fonte: [2]
Fontes:
[1] Principles of Neural Science, Sixth Edition. McGraw Hill. Eric R. Kandel, John D. Koester, Sarah H. Mack, Steven A. Siegelbaum
[2] Snapshot: What is a Gene?
https://www.ataxia.org/scasourceposts/snapshot-what-is-a-gene/
Última atualização: 28/08/2023
O QUE É MICRO RNA (miRNA)?
O microRNA (miRNA) é uma pequena molécula de RNA não codificante, que desempenha um papel crucial na regulação da expressão gênica. Embora os miRNAs não codifiquem proteínas, eles regulam a expressão de genes ao se ligarem a moléculas de mRNA (RNA mensageiro), bloqueando sua tradução em proteínas ou promovendo sua degradação. Esse processo de regulação influencia diversas funções celulares, como desenvolvimento, crescimento, resposta ao estresse e apoptose (morte celular programada). Os miRNAs são conservados evolutivamente, o que sugere sua importância em mecanismos biológicos essenciais.
Os microRNAs (miRNAs) desempenham um papel importante em diversas doenças neurodegenerativas, incluindo a ataxia, uma condição caracterizada por problemas de coordenação motora devido à degeneração do cerebelo ou outras partes do sistema nervoso. A importância dos miRNAs para pacientes com ataxia está relacionada ao seu impacto na regulação de genes envolvidos em processos celulares críticos, como o desenvolvimento e a função dos neurônios, a plasticidade sináptica e a resposta ao estresse celular.
Especificamente, os miRNAs podem:
1. Modular a expressão de genes associados à degeneração neuronal: MiRNAs podem influenciar genes que estão relacionados à sobrevivência de neurônios e à manutenção da função do sistema nervoso. Alterações na regulação desses genes podem contribuir para a morte celular e a progressão de doenças neurodegenerativas como a ataxia.
2. Agir como biomarcadores: MiRNAs circulantes podem servir como biomarcadores diagnósticos ou prognósticos, ajudando na detecção precoce da ataxia ou no monitoramento de sua progressão, oferecendo uma ferramenta potencial para intervenções mais precisas.
3. Potencial terapêutico: Em estudos experimentais, a modulação dos níveis de miRNAs tem sido considerada uma estratégia promissora para corrigir as disfunções moleculares associadas à ataxia. O ajuste dos níveis de miRNAs que estão desregulados poderia, em teoria, restaurar o equilíbrio da expressão gênica e melhorar os sintomas.
Em resumo, os miRNAs são fundamentais para entender melhor a fisiopatologia da ataxia e podem ser alvos importantes tanto para o diagnóstico quanto para o desenvolvimento de terapias futuras.
Conteúdo gerado com apoio de IA Generativa.
Última atualização: 16/10/2024
O QUE SIGNIFICA TRANSMISSÃO AUTOSSÔMICA RECESSIVA?
As doenças genéticas hereditárias são aquelas causadas por alterações do DNA que são herdadas de pelo menos um dos pais.
Os seres humanos têm 46 cromossomos (*), sendo que metade (23 cromossomos) são herdados da mãe, e a outra metade é herdada do pai. Desses 46 cromossomos, 44 são chamados autossômicos e são encontrados sempre em pares (uma cópia da mãe e uma do pai). Já os outros dois cromossomos são os sexuais, X e Y, sendo que mulheres possuem dois cromossomos X, e os homens um X e um Y.
Pensando nisso, podemos classificar as doenças genéticas hereditárias de acordo com o padrão de herança, ou seja, a forma como elas precisam ser herdadas para se manifestarem.
Padrão de herança autossômico recessivo
As doenças de padrão de herança autossômico recessivo são causadas por um par de alterações genéticas, herdadas tanto do pai quanto da mãe. Esse padrão de herança é o mais comum entre as doenças genéticas raras, compreendendo cerca de 45% delas.
Para doenças com esse padrão de herança podemos ter indivíduos com as duas cópias da alteração causadora, e que serão afetados pela doença (pacientes), e indivíduos com uma única cópia, os chamados portadores (carriers), que não desenvolvem os sintomas mas podem passar a alteração para os filhos, mantendo o risco da doença na família.
Se somente o pai ou a mãe é portador do gene com a mutação, existe 50% de chance do filho herdar o gene com a mutação e também se tornar portador, mas não vai desenvolver a doença.
Se ambos os pais são portadores do gene com a mutação, existe 50% de chances da criança ser portadora (e não desenvolver a doença), 25% de chance de ser afetada pela doença (paciente), e 25% de chance de não herdar o gene com mutação nem do pai nem da mãe (neste caso não será nem portador, nem paciente).
Fonte: Toda doença genética é herdada?
Letícia Marcorin Letícia Marcorin
(*) Nota MG - Cromossomos são estruturas dentro das células que contêm os genes de uma pessoa. Ou seja, um cromossoma é um agrupamento de genes, ou um gene é uma sequência específica de DNA dentro de um cromossomo. Genes são segmentos de uma molécula de DNA (ou RNA) contendo uma sequência específica de bases nitrogenadas (Adenina (A), Guanina (G), Citosina (C) e Timina (T) para o DNA, e Adenina (A), Guanina (G), Citosina (C) e Uracila (U) para o RNA). Os genes contêm instruções para codificar (produzir, criar) proteínas essenciais para a vida.
Última atualização: 18/05/2023
O QUE SÃO DOENÇAS DE POLIGLUTAMINAS (POLYQ)?
As chamadas doenças PolyQ têm como causa primária uma mutação genética onde há repetições excessivas de sequências de trinucleotídeos CAG no DNA de algum gene (ou seja, …CAG-CAG-CAG-CAG…). O trinucleotídeo CAG (Citosina-Adenina-Guanina) que se repete várias vezes codifica o aminoácido glutamina (Q). Por este motivo, a sequência excessiva de repetições CAG forma um grande número de glutaminas ou “poliglutamina”.
Mais precisamente, como estas repetições anormais de trinucleotídeos CAG existem no próprio DNA do gene, o RNA Mensageiro gerado por transcrição para este gene também terá estas repetições. Como vimos, na translação o RNA Mensageiro sintetiza os aminoácidos que formam proteínas. Como há uma repetição excessiva de aminoácidos glutamina no próprio RNA Mensageiro, as proteínas geradas a partir deles também terão estas mesmas repetições excessivas de trinucleotídeos CAG, ou repetições anormais de glutaminas.
Estas proteínas anormais podem causar doenças, que são as "doenças de poliglutaminas" (a glutamina é identificada pela letra Q, daí o nome "PolyQ"). As doenças PolyQ incluem a Doença de Huntington (HD), a ataxia DRPLA (Dentatorubral-Pallidoluysian Atrophy), a atrofia muscular espinal e bulbar (Spinobulbar Muscular atrophy - SBMA), e seis tipos diferentes de ataxias espinocerebelares (SCA1, SCA2, SCA3, SCA6, SCA7 e SCA17). Todas estas doenças "PolyQ" têm transmissão autossômica dominante [4].
Além das doenças PolyQ causadas por expansões CAG, há outras doenças causadas por expansões de outros trinucleotídeos . Por exemplo, na ataxia espinocerebelar SCA8, a expansão é de repetições excessivas dos nucleotídeos CTG, e na Síndrome do X-frágil, a expansão é dos nucleotídeos CCG.
Para melhor compreender como uma expansão anormal de nucleotídeos pode causar doenças, vamos ver o caso da ataxia espinocerebelar tipo 3 (SCA3) como exemplo.
Ataxia espinocerebelar tipo 3 (SCA3) e expansões CAG
A ataxia SCA3 é uma das doenças PolyQ de maior prevalência. A doença ocorre quando o alelo (cópia) de um gene herdado de um dos pais contém uma mutação com uma quantidade anormal (acima de um certo limite) de repetições de trinucleotídios CAG (Citosina, Adenina, Guanina) no DNA.
Como vimos, as sequências de trinucleotídeos CAG são as que codificam o aminoácido glutamina (Q). Assim, a cadeia de aminoácidos resultante do processo de translação terá um número excessivo de glutaminas (QQQQQQQ...). Isso fará com que a proteína criada a partir destes aminoácidos também tenha estas cadeias com muitas glutaminas (Q) e se torne mais longa que a proteína "normal" que seria codificada por um gene sem mutação.
O problema é que as proteínas mal formadas contendo estas regiões com várias glutaminas consecutivas (PolyQ, ou poliglutaminas) tendem a se acumular nos neurônios, formando agregados. Se a proteína ataxina tiver mais de 44 glutaminas, ela não será mais digerida normalmente e poderá se acumular dentro das células nervosas. Os neurônios não suportam este acúmulo anormal (tóxico) e passam a funcionar mal, ou podem mesmo morrer, o que faz surgir os sintomas da ataxia.
A figura seguinte mostra uma ilustração do processo, usando a ataxia SCA3 como exemplo.
Fonte: Adaptado de [1]
A natureza tem mecanismos de proteção para fazer uma "faxina" nas células e quebrar proteínas problemáticas ou desnecessárias que sejam encontradas. Porém, por algum motivo, estes mecanismos não funcionam bem com as proteínas contendo estes agregados de poliglutamina, que são insolúveis pelos métodos naturais. Pela dificuldade do organismo em se livrar das proteínas defeituosas utilizando seus processos naturais de defesa, estas proteínas defeituosas se tornam tóxicas e podem causar disfunções em vários processos celulares vitais como a autofagia, o transporte axonal, o reparo de DNA e a proteostase, causando degeneração e morte dos neurônios do cerebelo (e de outras células do sistema nervoso). Em função desta perda neuronal surgem os sintomas da ataxia. Em muitos casos, a perda neuronal pode ser observada no cerebelo e outras regiões em exames de imagem (ressonâncias magnéticas do encéfalo).
A figura seguinte mostra de forma resumida o processo de transcrição ou produção do RNA Mensageiro (mRNA) a partir do gene ATXN3. No lado esquerdo da figura, vemos que o mRNA é exportado para fora do núcleo, e inicia-se o processo de translação (geração da proteína). No caso do exemplo, é codificada a proteína ATXN3, que tem o mesmo nome do gene. Em função das repetições CAG excessivas, a proteína formada tente a formar agregados e fragmentos que são tóxicos para as células. Estes fragmentos e agregados tóxicos podem afetar vários processos essenciais que ocorrem no interior das células. Do lado direito, a figura mostra algumas abordagens que estão sendo pesquisadas para resolver este problema (por exemplo, terapias para impedir que as proteínas se agreguem, ou para silenciar o gene mutante e impedir que ele codifique as proteínas defeituosas, ou ainda estratégias para melhorar os processos celulares que são afetados etc.). Para mais informações, ver [1].
Fonte: [3]
Fontes:
[1] Webinar NAF Research & Treatment for SCA3/MJD - Dr. Hayley McLoughlin Fev 2023
https://youtu.be/IRPQlRgF0Sk
[4] Polyglutamine (PolyQ) diseases: genetics to treatments
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24816443/
QUAL É A DIFERENÇA ENTRE PAINEL, EXOMA E GENOMA?
Testes Genéticos para Ataxias
1. Painel de Genes (Sequenciamento Direcionado)
Um painel de genes é uma ferramenta diagnóstica focada que sequencia apenas genes conhecidos por estarem associados às formas mais prevalentes de ataxia. Esse teste é projetado para detectar mutações específicas em genes predeterminados (ex: ATXN1, ATXN2, FXN). Entre as vantagens estão custo menor, rapidez na execução e alta precisão para investigar ataxias conhecidas. Entretanto, mutações em genes não incluídos no painel não serão detectadas.
Quando já existe um diagnóstico genético confirmado em um membro da família, o médico pode solicitar um teste genético específico para aquela mutação conhecida. Por exemplo, em famílias com histórico de ataxia SCA3, pode ser realizado um exame específico para detectar expansão anômala de repetições CAG no gene ATXN3, que é a alteração responsável por esse tipo de ataxia. Nesse caso, não é necessário realizar um painel completo, pois há uma indicação clínica direcionada, e o exame genético visa apenas confirmar a presença ou ausência da mutação no indivíduo avaliado.
2. Sequenciamento Completo do Exoma (WES)
O sequenciamento completo do exoma (WES) tem como alvo todas as regiões codificantes (éxons) dos aproximadamente 20.000 genes humanos. Na prática, o WES consegue sequenciar com cobertura adequada cerca de 90% a 95% dessas regiões, incluindo algumas sequências intrônicas adjacentes aos éxons. As regiões codificantes correspondem, majoritariamente, às porções do genoma que codificam proteínas.
O WES geralmente é mais caro e mais demorado do que os painéis de genes direcionados, devido ao maior volume de dados gerados e à complexidade de interpretação clínica.
Embora o WES permita identificar mutações em qualquer gene (inclusive genes ainda não associados a ataxias), mutações localizadas profundamente em íntrons ou em regiões intergênicas geralmente não são detectadas. Por exemplo, o WES não é capaz de diagnosticar a ataxia SCA27B, causada por uma expansão patológica da repetição GAA no íntron 1 do gene FGF14, pois essa mutação está fora das regiões capturadas e analisadas no sequenciamento exômico.
3. Sequenciamento Completo do Genoma (WGS)
O sequenciamento completo do genoma (WGS) analisa integralmente o DNA humano, abrangendo éxons, íntrons, regiões promotoras, e regiões intergênicas. Esse método permite detectar variantes genéticas que não são acessíveis ao WES ou aos painéis de genes, como mutações intrônicas profundas, grandes inserções, deleções, e expansões de repetição. Por exemplo, o WGS é capaz de identificar a expansão GAA no gene FGF14 associada à SCA27B.
Apesar de sua abrangência, o WGS é a opção mais complexa em termos de recursos, exigindo bioinformática avançada e interpretação clínica especializada. É um exame de custo muito elevado em comparação com as outras modalidades de sequenciamento.
Em resumo: Os painéis de genes são indicados como primeira linha para investigação de ataxias de maior prevalência, sendo mais rápidos, econômicos e altamente eficazes para detectar mutações conhecidas. Já o sequenciamento completo do exoma (WES) e o sequenciamento completo do genoma (WGS) são exames bem mais caros, demorados e complexos, que em geral são reservados para casos atípicos, formas raras, ou situações em que o painel de genes não foi capaz de apoiar o diagnóstico.
Última atualização: 28/04/2025
QUAIS MEDICAMENTOS ESTÃO EM DESENVOLVIMENTO PARA A ATAXIA DE FRIEDREICH?
A lista de medicamentos em testes para a ataxia de Friedreich pode ser consultada no Pipeline da FARA em https://www.curefa.org/drug-development/
A ataxia de Friedreich foi inicialmente descrita em 1863 pelo médico alemão Nikolaus Friedreich, de modo que demorou 160 anos para que o primeiro medicamento para reduzir a progressão desta doença fosse aprovado pela FDA, o que ocorreu em fevereiro de 2003 com o Skyclarys (nome comercial do Omaveloxone).
O Skyclarys foi portanto o primeiro medicamento aprovado pela FDA para a ataxia de Friedreich, e no momento não há outros medicamentos aprovados para nenhum outro tipo de ataxia. No momento (novembro 2024) está em andamento a análise do SkyClarys pela ANVISA, para que possa ser comercializado no Brasil.
Além do Skyclarys, há vários outros medicamentos em testes, em diferentes estágios de progresso, como se pode monitorar no pipeline da FARA. Alguns exemplos são:
Vatiquinone (PTC-743) - melhora de função mitocondrial e redução de estresse oxidativo
Elamipretide - melhora de função mitocondrial e redução de estresse oxidativo
Dimethyl Fumarate (University of Federico II), Tecfidera (Biogen) - modulação de NFR2
Nomlabofusp (CTI-1601) - proteína que entrega frataxina para as mitocôncrias
Há também vários tipos de terapias genética em avaliação pela FDA para a FA:
LX2006 Gene Therapy - Substituição genética (Lexeo Therapeutics)
DT-216P2 - Aumentar a expressão genética da frataxina (Design Therapeutics)
Dentre outros.
Última atualização: 14/11/2024
PARA QUE SERVE A VAQUITINONA?
A Vatiquinona é um composto sucessor do EPI-A0001, que visa melhorar a função mitocondrial e celular, que supostamente contribui para reduzir o estresse oxidativo que pode causar morte celular, presentes em algumas doenças neurológicas, em particular, na ataxia de Friedreich. A Vatiquinona recebeu as designações de Medicamento Órfão e de Via Rápida para ataxia de Friedreich pela Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA).
Há no momento um ensaio clínico em andamento (Fase III em Outubro de 2024) para testar eficácia e segurança da Vaquitinona em pacientes com ataxia de Friedreich, trata-se do ensaio Vatiquinone (PTC-743) da farmacêutica PTC Therapeutics.
TODO MEDICAMENTO DEVE SER PRESCRITO PELO MÉDICO.
Última atualização: 25/10/2024
O QUE FAZ O MEDICAMENTO NVG 291e DA NERVEGEN?
Alguém perguntou em um webinar sobre o produto NVG 291 da empresa NerveGen Pharma.
A empresa alega que esta droga ajuda os nervos a se curarem e pode reverter danos na coluna vertebral, e ajudar na Esclerose Múltipla e Doença de Alzheimer. A Dra. Susan Perlman (especialista em ataxias) disse que teria que estudar o assunto, MAS que SE de fato o NVG 281 tiver a capacidade de estimular fatores de crescimento de nervos, então é possível que possa ajudar também nas ataxias. É improvável que esta terapia traga uma cura completa (obviamente já houve perda neuronal que não será recuperada totalmente), mas talvez nervos danificados parcialmente possam ser recuperados, o que já traria muitos benefícios em diferentes doenças ou lesões neurológicas.
[Nota MG]: Há um ensaio clínico em andamento do NVG 291. Ver
TODO MEDICAMENTO DEVE SER PRESCRITO PELO MÉDICO.
Última atualização: 16/10/2024
PARA QUE SERVE O MEDICAMENTO CHLORZOXAZONE?
Alguém perguntou em um webinar sobre o Chlorzoxazone, que é um relaxante muscular. A Dra. Susan Perlman (especialista em ataxias) informou que sabia que havia interesse de pesquisadores nesta droga em função de supostos efeitos neuroprotetores, mas que precisaria ser utilizado com supervisão médica cuidadosa.
Nota MG. Há artigos que relatam que a combinação de Chlorzoxazone com Baclofeno pode trazer benefícios na ataxia SCA1, se forem usados em dosagens bem específicas. Os estudos ainda são preliminares e mais testes precisam ser feitos para ver quais seriam as dosagens adequadas para melhorar sintomas da ataxia sem produzir toxidade ou afetar excessivamente a forma muscular (o que pode piorar o equilíbrio).
Ver https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33151010/
Ver https://www.ataxia.org/scasourceposts/a-new-use-for-old-drugs/
TODO MEDICAMENTO DEVE SER PRESCRITO PELO MÉDICO.
Última atualização: 30/07/2023
PARA QUE SERVE O MEDICAMENTO AZILECT?
Alguém perguntou em um webinar sobre o medicamento Azilect, para tratamento da Doença de Parkinson em adultos, informando que parece ajudar nos tremores na ataxia. A Dra. Susan Perlman (especiaista em ataxias) explicou que o Azilect age em áreas envolvidas com o gânglio basal, que é a parte do cérebro mais envolvida na Doença de Parkinson.
É sabido que o cerebelo se comunica com o gânglio basal, e que alguns dos tremores que surgem em pessoas com ataxia ocorrem por problemas causados pela ataxia nesta comunicação. Assim, drogas como o Azilect, Sinemet e Carbidopa- Levodopa podem de fato ajudar em tremores que ocorrem não apenas em Parkinson, mas também na ataxia.
Ver
https://www.drugs.com/pro/azilect.html
https://www.drugs.com/sinemet.html
Ver /medicamentos
TODO MEDICAMENTO DEVE SER PRESCRITO PELO MÉDICO.
Última atualização: 30/07/2023
PARA QUE SERVE O SUPLEMENTO TAURINE?
Uma pessoa mencionou em um webinar que viu um documentário na BBC mencionando benefícios da Taurine para doenças mitocondriais. A Dra. Susan Perlman (especialista em ataxias) disse que a taurina é produzida pelo próprio corpo humano e ajuda no bom funcionamento dos músculos, age como antioxidante, melhora a produção de energia e traz outros benefícios. Algumas pessoas com ataxias consomem suplementos de taurina, que foram aprovados pelo FDA e são considerados razoavelmente seguros, sem efeitos colaterais importantes. Porém, como ocorre com qualquer suplemento nutricional, a Dra. Perlman recomenda consumir por um período (ex. dois meses) e ver se há benefícios.
Mais uma vez a Dra. Perlman orientou que se a pessoa vai iniciar algum novo suplemento, deve tomar por 3 meses e observar se está trazendo benefícios ou se tem efeitos colaterais. Se passar 3 meses e a pessoa não perceber nenhuma mudança, provavelmente não vale a pena continuar usando (até porque custam $$$). Se sentir que está ajudando, prossegue, mas é bom estar sempre alinhado com o médico (alguns suplementos podem interferir com medicamentos).
Nota MG: NA taurina é um aminoácido produzido no fígado e nos rins, mas que também está presente na maioria das células e tecidos, incluindo no cérebro, retina, coração, placenta e nos músculos. A taurina desempenha um papel importante em diversos processos fisiológicos. Alguns estudos sugerem que a taurina pode trazer benefícios em doenças neurológicas e degenerativas em função de suas propriedades anti-inflamatórias. Um problema no consumo de suplementos de taurina está na absorção, dado que os produtos comerciais não atravessam a barreira hematoencefálica.
Ver https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2213231719301971
A Taurine foi aprovada no Japão para ajudar em algumas doenças mitocondriais. Ver
O consumo de qualquer suplemento deve ser alinhado com o médico. Alguns suplementos podem alterar efeitos de medicamentos.
Última atualização: 27/09/2023
QUAIS TRATAMENTOS PODEM AJUDAR EM ATAXIAS IMUNOMEDIADAS?
Alguém perguntou em um webinar sobre remédios e tratamentos para ataxias autoimunes. A Dra. Susan Perlman (especialista em ataxias) respondeu que existem diferentes tipos de ataxias imunomediadas, e que no caso de suspeita de ataxia cerebelar autoimune é importante eliminar a possibilidade de existir algum tumor (câncer), que pode estar escondido (ainda não diagnosticado) e estar produzindo os anticorpos que estão causando a reação imunológica (que, por sua vez, causa os sintomas da ataxia). Além disso, se a pessoa já tem alguma doença autoimune conhecida (por exemplo, Lupus), deve naturalmente buscar tratamento para a doença já existente, para ver se isso reduz o impacto sobre o cerebelo e os sintomas de ataxia.
Caso seja algum processo autoimune que não pareça relacionado com alguma doença reumatológica conhecida, ou algum câncer escondido, então é possível procurar alguns tratamentos que podem ser tentados para ver se estabilizam um pouco os anticorpos, amenizando os sintomas de ataxia (por exemplo, no caso de ataxias anti GAD). Dentre estes tratamentos está por exemplo o uso de altas doses de esteroides, imunoglobulina intravenosa (IVIG), e o Rituxamibe (Rituxan), um imunossupressor que ataca as células que fazem os anticorpos, e é usado para tratar alguns tipos de câncer. Há também terapias como a plasmaferese que podem ser prescritos para alguns tipos de ataxias imunomediadas.
Ou seja, há algumas abordagens para tentar controlar as ataxias cerebelares autoimunes que os pacientes afetados por esta condição devem perseguir, com apoio de seus médicos.
Nota MG: A plasmaferese é um processo semelhante ao da hemodiálise, onde o plasma é separado do sangue. Mais precisamente, o sangue do paciente passa por uma máquina, o plasma (que contém os anticorpos que podem causar as doenças autoimunes) é separado das células sanguíneas, e estas retornam para o paciente. Assim, os anticorpos que causam doenças autoimunes (inclusive ataxias cerebelares autoimunes) são filtrados neste procedimento. A plasmareferese pode ser indicada por exemplo na Síndrome de Miller Fisher, um tipo de ataxia imunomediada.
Para mais informações sobre medicamentos e tratamentos para ataxias auto-imunes consultar:
TODO MEDICAMENTO DEVE SER PRESCRITO PELO MÉDICO.
Última atualização: 27/09/2023
HÁ REMÉDIOS PARA AJUDAR COM A FADIGA PROVOCADA PELA ATAXIA?
Alguém perguntou em um webinar sobre remédios para ajudar com a fadiga, o cansaço que é um sintoma bastante comum em ataxias. A Dra. Susan Perlman (especialista em ataxias) disse em um webinar que há medicamentos que podem ajudar no "ganho de energia", mas algumas destas drogas (por ex. Adderall) são substâncias controladas, e tudo como sempre precisa de acompanhamento médico. Outras medicações que podem ajudar com a fadiga são a Amantadina, a Coenzima CoQ (ganho de energia) e a Idebenona.
Quem tem ataxia precisa tentar dormir bem, e não deve evitar de descansar sempre que precisar. O "soninho da beleza" é importante para restaurar as energias, e os sintomas pioram com o cansaço. O descanso também é bom para melhorar o humor. Caso tenha distúrbios de sono que impeçam o repouso consultar o médico, pois há medicamentos que podem ajudar a dormir melhor (ex. Canabidiol).
Saiba mais sobre medicamentos e suplementos para sintomas de ataxias.
TODO MEDICAMENTO DEVE SER PRESCRITO PELO MÉDICO.
Última atualização: 09/04/2023
PARA QUE SERVE O TREHALOSE?
O Trehalose é um tipo de "açúcar" (polissacarídeo) que a princípio tem a capacidade de quebrar a proteína "ruim" que se acumula nos neurônios no caso de diversas ataxias, e assim retardar a progressão da doença.
Há no momento dois estudos sobre o Trehalose no pipeline da NAF, para a ataxia SCA3 e outras. Um é o Trehalose injetável (SLS-005 da Seelos Therapeutics), e o outro é o Trehalose oral, que está sendo estudado pela Universidade da Malásia.
[Nota mg]: Observar que o estudo SLS-005 da Seelos está “pausado” (em 2024) por tempo indeterminado por questões financeiras da Farmacêutica, mas poderá ser retomado futuramente.
Sobre a diferença entre a versão injetável e a versão oral, a Dra. Susan Perlman (especialista em ataxias) explicou que a forma injetada do Trehalose (90.5 mg/mL via intravenosa) seria mais apropriada, pois não passa pelo estômago. Para que o Trehalose via oral faça alguma diferença, seria preciso consumir uma dose muito grande, quase um copo cheio por dia, e parte não seria absorvida, além de poder dar dor de barriga e diarreia.
Enfim, o Trehalose injetável é promissor, em especial para a SCA3, e vale a pena monitorar o progresso (atualização) destes estudos, o que pode ser feito aqui: https://www.ataxia.org/pipeline/sca3/
Última atualização: 13/10/2024
SE UMA PESSOA TEM ALERGIA A ALGUM MEDICAMENTO, HÁ ALGUMA FORMA DE TOMAR O MEDICAMENTO SEM TER UMA REAÇÃO ALÉRGICA?
A Dra. Susan Perlman (especialista em ataxias) explicou em um webinar que "depende de quão severa a alergia é". Ela citou o caso de pacientes que tinham reação leve (coceira) e que tomando anti-histaminicos ou outras drogas contra alergia conseguiam tomar continuamente remédios para os quais tinham alergia que tinham sido prescritos para algum sintoma da ataxia. Se a reação alérgica for severa (por exemplo, causar dificuldades para respirar, ou causar choque anafilático) então deve-se evitar o medicamento (e todos os que forem da mesma classe).
TODO MEDICAMENTO DEVE SER PRESCRITO PELO MÉDICO.
Última atualização: 09/04/2023
PARA QUE SERVE O MEDICAMENTO AMANTADINE (MANTIDAN)?
A Dra. Susan Perlman explicou em um webinar que a Amantadina (comercializada como Mantidan no Brasil) é uma das drogas off-label que tem sido usada por mais tempo em ataxias, para ajudar com tremores e fadiga.
A Dra. Perlman ouviu dizer que a Amantadine foi desenvolvida inicialmente como um antigripal, mas se descobriu que a droga era eficaz para melhorar a mobilidade na Doença de Parkinson. Segundo a bula, a Amantadina pode ajudar no tratamento da Doença de Parkinson primária e em sintomas de Doença de Parkinson secundários.
Já por muitos anos a Amantadina tem sido usada como medicamento off-label para tremores e para a fadiga em ataxias também. A droga é segura, inclusive para uso em crianças, mas tem efeitos colaterais. Portanto é preciso conversar com o neurologista e fazer testes com o remédio durante algum tempo para equilibrar os benefícios e possíveis efeitos colaterais.
Ver /medicamentos
TODO MEDICAMENTO DEVE SER PRESCRITO PELO MÉDICO.
Última atualização: 16/10/2024
PARA QUE SERVE A COENZIMA COQ10 E QUAL É A DOSAGEM MÁXIMA DIÁRIA?
A coenzima Coq10 (ou Q10) atua como "transportador de elétrons" em reações químicas que ocorrem dentro das nossas células, no interior das mitocôndrias, e que produzem energia essencial para a vida. Neste processo, a coenzima Coq10 se converte em Ubiquinona (forma oxidada) e em Ubiquinol (forma reduzida). Além de ser produzida de forma endógena (naturalmente, no próprio corpo), a coenzima Coq10 também pode ser obtida em alimentos e através de suplementos.
A coenzima Coq10 é um poderoso antioxidante, e embora ainda não tenha sido aprovado pela FDA já está sendo consumida por muitas pessoas que têm doenças mitocondriais e ataxias diversas (em especial, pacientes com SCAR9 e outras doenças causadas por deficiência primária da coenzima Coq10).
Além de ajudar na produção de energia e na redução da fadiga (que é bastante comum em pacientes com ataxias), a suplementação de coenzima Coq10 (que deve ser alinhada com o médico) traz outros benefícios:
• Ação anti-inflamatória;
• Ajuda a controlar a pressão arterial;
• Possui potente ação antioxidante que protege as células do estresse oxidativo;
• Benefícios para a pele e efeitos antienvelhecimento;
• Contribui para o tratamento de algumas doenças cardíacas como a insuficiência cardíaca congestiva;
• Ajuda a manter o estado oxidativo normal do colesterol LDL (colesterol "bom");
• Ajuda na prevenção e controle dos sintomas da enxaqueca.
É importante que a marca seja confiável e que o produto tenha boa qualidade.
Formas da Coenzima Coq10
Como mencionado acima, a coenzima Coq10 existe naturalmente em duas formas - Ubiquinona e Ubiquinol. Estas duas formas estão interconectadas por reações redox. Ao perder elétrons, a Ubiquinona é convertida em Ubiquinol, e ao ganhar elétrons, o Ubiquinol se oxida novamente para Ubiquinona. Esse ciclo é fundamental para a função da CoQ10 na cadeia de transporte de elétrons das mitocôndrias. Ao adquirir suplementos de coenzima Coq10, pode-se optar por qualquer uma destas duas formas.
Alguns estudos sugerem que, em certas condições, a forma reduzida (Ubiquinol) pode ser mais biodisponível, especialmente em populações com absorção comprometida, mas ambos os tipos são eficazes se administrados corretamente.
Além dos suplementos de Coq10 nas formas de Ubiquinona e Ubiquinol, há também o UbiQsome (forma fitossomal, que não é muito cara e tem excelente absorção). Há também uma variante da coenzima Coq10 chamada MaxSolv que é líquida e mais fácil de absorver pois é solúvel em água. A MaxSolv pode ser consumida diretamente (gotinhas), sem precisar consumir junto da refeição. Porém, é mais cara (ver https://www.maxsolve.com.br/). A escolha entre as diferentes formulações deve levar em conta a qualidade do produto, a confiabilidade da marca e a orientação médica, pois a eficácia e a absorção podem variar conforme a tecnologia empregada e as necessidades individuais.
Dicas para melhor absorção
Uma questão importante em relação ao consumo é a absorção:
• Os suplementos comuns de Coq10 disponíveis no mercado têm biodisponibilidade (absorção) baixa – geralmente na ordem de 2 a 3% – o que significa que, de uma cápsula de 100 mg, pode-se absorver aproximadamente 2 a 3 mg de CoQ10. Assim, uma dose de 400 mg ao dia resultaria em cerca de 8 a 12 mg efetivamente absorvidos. Esses valores podem variar conforme a formulação e as características individuais dos pacientes. Porém, mesmo esta absorção tão pequena já mostra benefícios em estudos clínicos.
• A coenzima Coq10 (tanto na forma Ubiquinona quanto Ubiquinol) é solúvel em gordura, e por este motivo deve ser preferencialmente consumida com alimentos que contenham um pouco de gordura (sem excesso!) para dissolver a Coq10 e melhorar a sua absorção. Uma forma de gordura que pode ser utilizada no consumo da Q10 é o azeite.
• É necessário o uso diário e contínuo da Coq10 para manutenção dos benefícios, respeitando-se as doses máximas diárias como explicado em seguida.
Dosagens para consumo oral
Alguns estudos sugerem que a dose mínima eficaz para suplementação geralmente começa em 100 mg/dia, sendo essa uma dosagem comum para benefícios gerais, como melhora na função mitocondrial e suporte cardiovascular.
• A dose máxima segura geralmente recomendada para uso prolongado está na faixa de 400 mg a 500 mg/dia para a CoQ10 em sua forma convencional (Ubiquinona ou Ubiquinol) (Hidaka et al., 2008).
• Doses superiores a 1.200 mg/dia, são utilizadas em pesquisas e tratamentos específicos, mas o uso prolongado de doses elevadas deve ser supervisionado por um médico devido à possibilidade de efeitos colaterais e interações medicamentosas (Mancuso et al., 2010).
• Para pacientes com ataxias e doenças mitocondriais, as dosagens recomendadas para o Coq10 costumam ser mais elevadas, na faixa entre 400 mg e 1.200 mg por dia na forma Ubiquinona (mais comum). A dosagem de Ubiquinol pode ser a metade da Ubiquinona (de 200 mg a 600 mg por dia). dado que alguns estudos sugerem que a biodisponibilidade do Ubiquinol pode ser aproximadamente o dobro da Ubiquinona (Langsjoen et al., 2008).
Consumo por injeção
Há também formas injetáveis de coenzima Coq10 para tratamentos com indicações clínicas específicas. Estas formas injetáveis têm absorção significativamente maior do que a administração oral, pois evitam o metabolismo de primeira passagem no fígado. Porém, o uso injetável é restrito a condições clínicas graves, incluindo algumas doenças mitocondriais e casos de insuficiência cardíaca congestiva grave (Mortensen et al., 2014), deve ser aplicado em clínicas especializadas quando há prescrição médica, e o tratamento deve ser supervisionado para evitar o risco de superdosagem.
Notas adicionais
• Em um webinar, a Dra. Susan Perlman (especialista em ataxias) sugere começar com doses pequenas e tomar por 2 ou 3 meses, avaliar os resultados. Se achar que melhorou algum sintoma, continua tomando, caso contrário, deve interromper.
• Convém pesquisar os riscos de uso prolongado e é sempre importante estar alinhado com o médico. O uso da coenzima Coq10 pode interferir com outros medicamentos.
• A resposta ao tratamento com suplementação de Coq10 para pacientes com ataxia tem sido limitada e variável, com melhoras importantes em alguns casos, mas não em outros..
• De modo geral, o tratamento com suplementação de Coq10 parece ajudar mais no caso de sintomas não neurológicos (por exemplo, problemas cardíacos). Na parte neurológica, os resultados ainda não são conclusivos. Uma das teorias para explicar o motivo da suplementação com Q10 nem sempre funcionar nos sintomas neurológicos é a barreira hematoencefálica (blood-brain barrier), que dificulta a entrada da Coq10 no tecido cerebral. Há pesquisas em andamento para encontrar novas formas de "entregar" a Coq10 de modo mais eficaz para que alcance também o cérebro.
Saiba mais sobre medicamentos para sintomas de ataxias
/medicamentos
Última atualização: 13/03/2025
PARA QUE SERVE O RESVERATROL?
O resveratrol é um antioxidante encontrado na natureza em muitas plantas, em especial na casca de uvas vermelhas. Especula-se que o resveratrol tem propriedades antioxidantes e neuroprotetoras, o que seria benéfico para pacientes com ataxias (caso seja comprovado). Em particular, alguns estudos em células (in vitro) e em ratinhos (mouse model) indicaram que o resveratrol foi capaz de aumentar a expressão da proteína frataxina, o que se funcionar também em humanos seria benérico para pacientes com Ataxia de Friedreich (FRDA).
O resveratrol pode ser adquirido em lojas de suplementos alimentares ou pode ser manipulado. Convém estar sempre alinhado com o médico antes de aquirir qualquer tipo de suplemento ou medicamento.
Para verificar segurança, dosagem adequada e eficácia do resveratrol há um ensaio clínico em andamento registrado no portal clinicaltrials.gov
Ver https://clinicaltrials.gov/study/NCT03933163
O consumo de qualquer suplemento deve ser alinhado com o médico. Alguns suplementos podem alterar o efeito de medicamentos.
Última atualização: 25/10/2024
PARA QUE SERVE O MEDICAMENTO PROPANOLOL?
Alguém perguntou em um webinar sobre qual remédio seria mais efetivo para o filho, que tem espessamento do músculo cardíaco e está tomando Propanolol.
A Dra. Susan Perlman (especialista em ataxias) respondeu que a cardiomiopatia hipertrófica pode ser um sintoma de desordens mitocondriais como a ataxia de Friedreich. A capacidade de tratar e proteger o músculo do coração melhorou significativamente nos últimos anos, e há remédios que podem ser usados preventivamente, para reduzir o estresse sobre o músculo cardíaco. Um destes medicamentos é o Propanolol.
O Propanolol é um bloqueador beta é comumente utilizado neste caso, e também quando há arritmias (aceleração nas batidas do coração), pois pode reduzir o ritmo das batidas para um nível mais funcional. Assim, os bloqueadores beta (Propanolol, Atenolol etc.) são utilizados para proteger o coração. Porém, há outras categorias de medicamentos que também podem ser utilizadas para reduzir o estresse cardíaco mesmo em pacientes com cardiomiopatia hipertrófica (espessamento das paredes do coração). Então, se o Propanolol estiver causando efeitos colaterais (fadiga, fraqueza etc.), há outras opções para se discutir com o cardiologista.
TODO MEDICAMENTO DEVE SER PRESCRITO PELO MÉDICO.
Última atualização: 30/07/2023
QUAIS SÃO OS EFEITOS COLATERAIS DO RILUZOLE?
O Riluzol é um medicamento usado principalmente para tratar a esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença neurodegenerativa. Embora seja útil para retardar a progressão da ELA, o Riluzol pode causar alguns efeitos colaterais. Os mais comuns incluem:
• Fadiga: Cansaço excessivo ou sensação de fraqueza.
• Náusea: Sensação de enjoo e desconforto no estômago.
• Tontura: Sensação de desequilíbrio ou vertigem.
• Dor de cabeça: Cefaleia leve a moderada.
• Alterações no fígado: O medicamento pode elevar os níveis de enzimas hepáticas (transaminases), e por isso é importante o monitoramento da função hepática.
• Tosse ou sintomas respiratórios: Alguns pacientes relatam problemas respiratórios leves.
• Dores abdominais: Dor ou desconforto na região do abdômen.
• Diarreia: Problemas gastrointestinais, como fezes soltas ou frequentes.
Apesar de ter sido aprovado pela FDA para a ELA, o Riluzol é utiizado off-label por alguns pacientes com ataxia, devidamente prescritos pelos seus médicos. Em pacientes com ataxia, o Riluzole pode piorar a tontura, afetando o equilíbrio. Esses efeitos colaterais são geralmente leves a moderados, mas é fundamental monitorar o uso do Riluzol, especialmente em relação à função hepática, para evitar complicações mais graves. É sempre aconselhável que os pacientes discutam quaisquer reações adversas com seu médico.
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Última atualização: 25/10/2024
QUAIS MEDICAMENTOS EM TESTES PARA ATAXIAS ESPINOCEREBELARES (SCA) SÃO PROMISSORES (EM ABRIL 2025)?
Alguém perguntou no webinar de janeiro 2023 para a Dra. Susan Perlman (especialista em ataxias) sobre quais testes de medicamentos para ataxias em andamento ela acredita que sejam mais promissores. A Dra. Perlman explicou que o desenvolvimento de um remédio bem sucedido depende muito do agente, e as drogas atualmente em estudo são muito mais promissoras e têm maior chance de sucesso do que as que eram testadas 10 anos atrás. Há diferentes abordagens em paralelo em busca de remédios eficazes e seguros para ataxias.
O medicamento em estágio mais avançado para aprovação pela FDA é o Troriluzole, da farmacêutica Biohaven, indicado para ataxias espinocerebelares (SCAs).
BHV-4157 - TRORILUZOLE (Biohaven Pharmaceuticals)
A Dra. Perlman também falou sobre o Troriluzole que está no pipeline da NAF para a SCA3 e diversas outras ataxias (SCA1, SCA2, SCA3, SCA6, SCA7, SCA8, SCA10).
Há um ensaio clínico para este medicamento visando sua aprovação pela FDA.
Ver https://clinicaltrials.gov/ct2/show/NCT03701399
Em agosto de 2023 a Biohaven enviou dados do ensaio clínico do Troriluzole para análise pela FDA, mas a FDA inicialmente se recusou a revisar os dados. Mais precisamente, a FDA emitiu uma recusa para arquivamento (Refusal to File - RTF) do pedido da Biohaven, alegando que os dados submetidos não eram suficientes para justificar uma análise completa. Isso significa que a FDA não deu seguimento à revisão formal do Novo Pedido de Medicamento (NDA) na época, solicitando mais informações ou esclarecimentos antes que o processo pudesse prosseguir. Apesar dessa recusa inicial, a Biohaven continuou seus esforços para fornecer os dados adicionais exigidos e planeja enviar novamente o NDA corrigido para a FDA. No final de 2023, a Biohaven submeteu um Novo Pedido de Medicamento (NDA) para o Troriluzole à FDA e planeja concluir esse processo no final de 2024. O medicamento recebeu as designações de Fast-Track e Orphan Drug pela FDA e pela EMA, o que pode acelerar o cronograma de aprovação. Se aprovado, a comercialização nos EUA pode começar já em 2025. Enquanto isso, a EMA também está revisando o Troriluzole, particularmente para a SCA3, e novas atualizações são aguardadas
SLS-005 - TREHALOSE (Seelos Therapeutics)
Estudo STRIDES para a SCA3 baseado na injeção intravenosa de Trehalose, um polissacarídeo que tem a propriedade de “quebrar” a proteína anormal (ataxina-3) que intoxica os neurônios.
Ver https://clinicaltrials.gov/ct2/show/NCT05490563
[Nota MG]: Em dezembro de 2023, a Seelos Therapeutics interrompeu seu programa de fase 2/3, conhecido como STRIDES, que estava investigando a Trehalose para Ataxia Espinocerebelar Tipo-3 (SCA3)/Doença de Machado-Joseph. A Seelos havia planejado recrutar 245 pessoas com SCA3 para seu estudo randomizado de fase 2/3, que avaliaria a segurança e a eficácia da Trehalose em comparação ao placebo. A Seelos afirmou que a decisão de parar o estudo foi baseada em considerações financeiras, e não devido a preocupações de segurança ou os efeitos terapêuticos do medicamento em SCA3.
TODO MEDICAMENTO DEVE SER PRESCRITO PELO MÉDICO.
Última atualização: 16/10/2024
PARA QUE SERVE O MEDICAMENTO BACLOFENO?
O Baclofeno é um medicamento prescrito por neurologistas para melhorar a espasticidade e ajudar a relaxar músculos para evitar dores, espasmos musculares e câimbras, que podem ocorrer em alguns pacientes com ataxia. Segundo a Dra. Susan Perlman (especialista em ataxias), é melhor tomar esta medicação de noite, antes de dormir. Durante o dia, em vez de remédio, tentar fazer exercícios e alongamentos para relaxar a musculatura.
Observar que embora sejam confundidas de vez em quando, espasticidade é diferente de rigidez muscular e, os remédios para tratamento de uma são bastante diferentes dos remédios recomendados para a outra.
Saiba mais sobre medicamentos para sintomas de ataxias.
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TODO MEDICAMENTO DEVE SER PRESCRITO PELO MÉDICO.
Última atualização: 09/04/2023
PARA QUE SERVE A CREATINA E QUAL É A DOSAGEM MÁXIMA RECOMENDADA?
A creatina é um suplemento alimentar. A função da creatina é levar energia para as células musculares, e assim “aumentar a energia” e a força muscular. A dose máxima recomendada deste suplemento é 3 gramas ao dia (ANVISA). Convém escolher uma creatina de boa qualidade e pureza, que tenha o certificado da CREAPURE. Uma forma para consumir é misturar no leite ou água mesmo (com mixer). Beber bastante água, e ter cuidado com fígado e rins.
CONSUMIR SEMPRE COM ACOMPANHAMENTO MÉDICO. O uso contínuo e prolongado da creatina pode afetar as funções renais.
[Nota MG]: Em um webinar da NAF de fevereiro 2023 a Dra. Hayley McLouglin comentou sobre alguns medicamentos e suplementos "off label" que ainda estão sendo testados (segurança e eficácia) para ataxias. Ela informou que há alguns agentes que parecem atuar tanto na redução de agregação de proteínas tóxicas que causam danos aos neurônios quanto na melhoria de algumas funções celulares, por exemplo, melhorando a comunicação entre as neurônios, e talvez a homeostase de proteínas (proteostase) que é essencial para o bom funcionamento celular. Estes agentes mostraram melhoria de sintomas da SCA3 (melhor coordenação motora por exemplo) em mouse models (ratinhos). Uma destas substâncias é a creatina. As outras duas são o Citalopram e a Trehalose, para a qual já existe ensaio clínico em seres humanos em andamento (SLS-005 - TREHALOSE da Seelos Therapeutics).
Saiba mais sobre medicamentos para sintomas de ataxias
Última atualização: 10/04/2023
O QUE É 7,8-dihydroxyflavone (7,8dhf)?
Alguém perguntou em um webinar da NAF sobre o 7,8-dihydroxyflavone (7,8dhf). A Dra. Susan Perlman (especiaista em ataxias) informou que a 7,8dhf é um produto químico flavonoide capaz de “imitar” a neurotrofina BDNF (Brain-derived Neurotrophic Factor), podendo ativar mecanismos naturais que protegem os neurônios. Esta substância está sendo pesquisada para ver se traz benefícios para a doença de Alzheimer, doença de Parkinson, depressão e outras. A Dra. Perlman relatou que em uma busca rápida não encontrou nenhum estudo clínico registrado no clinicaltrials.gov. Algumas pessoas com ataxia estão consumindo suplementos de 7,8dhf, que aparentemente estão disponíveis na Internet, mas a Dra. Perlman não teve tempo de investigar sobre os fornecedores e a qualidade dos produtos que estão sendo oferecidos.
Nota MG: As neurotrofinas (NT) são proteínas que agem como fatores de crescimento de nervos (growth factors) e regulam o desenvolvimento e a manutenção dos sistemas nervosos central e periférico. Alguns exemplos de neurotrofinas incluem a BDNF (Brain-derived Neurotrophic Factor) e a NGF (Nerve Growth Factor). A BDNF é de especial interesse terapêutico pois é essencial para a manutenção de várias populações de neurônios. Pesquisadores têm buscado uma molécula que consiga reproduzir as funções biológicas da BDNF que possa trazer benefícios em doenças neurológicas. Uma molécula que parece promissora é a 7,8-dihydroxyflavone, um agente neurotrófico que consegue ultrapassar a barreira hematoencefálica.
Ver https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4702337/
O consumo de qualquer suplemento deve ser alinhado com o médico. Alguns suplementos podem alterar o efeito de medicamentos.
Última atualização: 27/09/2023
A EFICÁCIA DE MEDICAMENTOS PODE VARIAR DE PESSOA PARA PESSOA?
Sim! Alguns remédios para sintomas de ataxias funcionam bem para algumas pessoas, e não para outras. O Dr. Henry Paulson explicou em um webinar da NAF em março de 2023 que "o único jeito de saber se um remédio funciona para alguém especificamente é experimentando, com a devida supervisão". Se um remédio não funcionar - para qualquer sintoma - deve-se procurar uma alternativa. O Dr. Paulson fez o importante comentário de que "o paciente com ataxia tem que conversar com o médico, e experimentar remédios (de forma controlada) até achar algum que funcione bem para ele, sem efeitos adversos importantes
O Dr. Paulson recomendou levar uma "lista de remédios de referência" publicada no site da NAF (link abaixo) para DISCUTIR COM O NEUROLOGISTA. Perguntar diretamente a ele "Dr., o sr. acha que algum destes medicamentos pode me ajudar?".
Ter em mente que a ataxia é uma doença rara, e que um médico tipicamente atenderá poucos pacientes com ataxia em sua clínica (talvez nenhum), e assim o Dr. Paulson considera importante "interagir com o médico" que também pode e deve aprender com os pacientes atáxicos que atende. Esta interação e troca de informações com o médico ajuda você, ajuda o médico e ajuda outras pessoas que ele vai atender no futuro.
Saiba mais sobre medicamentos para sintomas de ataxias. Ninguém deve se automedicar. Todo medicamento pode ter efeitos colaterais e deve ser prescrito por médicos.
http://www.ataxia.org/wp-content/uploads/2019/04/Medications-for-Ataxia.pdf
TODO MEDICAMENTO DEVE SER PRESCRITO PELO MÉDICO.
Última atualização: 09/04/2023
PARA QUE SERVE A LEVODOPA?
A Levodopa age aumentando a quantidade de dopamina no corpo, um tipo de neurotransmissor responsável pela comunicação entre os neurônios, e controle dos movimentos do corpo e coordenação motora. Este remédio revolucionou o tratamento da doença de Parkinson. A Dra. Susan Perlman (especialista em ataxias) explicou em um webinar que "há diferentes tipos de tremores com diferentes causas", e que para um grupo específico de tremores que podem ser sintomas de ataxias há evidências de que a Levodopa pode de fato ajudar. Naturalmente, uma medicação deste tipo deve ser receitada e dosada pelo neurologista.
[Nota MG]: Há outras medicações derivadas da Levodopa que também podem ajudar em tremores resultantes de ataxia , como a Prolopa (levodopa + cloridrato de benserazida). Uso sempre com prescrição médica!
Saiba mais sobre medicamentos para sintomas de ataxias.
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TODO MEDICAMENTO DEVE SER PRESCRITO PELO MÉDICO.
Última atualização: 09/04/2023
EXPERIMENTAR REMÉDIOS E SUPLEMENTOS OFF-LABEL PARA ATAXIAS É OK?
É OK tomar remédios e/ou suplementos "off-label" para tentar amenizar sintomas de Ataxias? A Dra. Susan Perlman (especialista em ataxias) explicou em um webinar que já que ainda não existem medicamentos para ataxia aprovados pela FDA (com exceção do Skyclarys para Ataxia de Friedreich), tudo o que se usa é considerado "off-label". A Dra. Perlman entende que as pessoas têm o direito de experimentar, com a devida supervisão médica, mas faz uma importante recomendação - testar um medicamento (ou suplemento, por ex. creatina) de cada vez.
[Nota MG]: Um ponto enfatizado pela Dra. Perlman é que não se deve tomar vários remédios e suplementos ao mesmo tempo apenas para ver se "funcionam". Por exemplo, se a pessoa resolve tomar Amantadine (com receita médica) para amenizar alguns sintomas da ataxia, pode tomar por 3 meses, verificar se ajudou, se surgem efeitos colaterais etc. Se ajudar, continua. Se em 3 meses não aparecer melhorias, abandonar. O importante é USAR UM DE CADA VEZ, para poder avaliar melhor a eficácia e efeitos colaterais, e sempre com supervisão médica.
Quanto aos suplementos (vitaminas, creatina, Coq10, magnésio etc.) vale a mesma recomendação - experimentar por 3 meses, ver se ajudou, se não ajudou, interrompe, se sentir melhora prossegue, mas sempre com supervisão médica pois o uso contínuo e prolongado (longo prazo) pode causar danos ao fígado ou rins, e além disso alguns suplementos (ex. Coq10) podem interferir com outros medicamentos.
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Última atualização: 09/04/2023
IRRITAÇÃO NA PELE PODE SER EFEITO COLATERAL DO SKYCLARYS?
O SKYCLARYS é um medicamento aprovado em fevereiro de 2023 pela FDA para a ataxia de Friedreich, e pela ANVISA (para uso no Brasil) em abril de 2025. Uma pessoa com 61 anos e diagnóstico de ataxia de Friedreich (FA) informou que está tomando o medicamento desde 25 de julho de 2023 nos Estados Unidos, e que sentiu uma irritação na pele do peito, e nunca tinha tido problemas de pele antes. Relatou também câimbras estomacais. Perguntou se poderiam ser efeitos colaterais do remédio.
A Dra. Susan Perlman (especialista em ataxias) respondeu que a lista de possíveis efeitos colaterais do SKYCLARYS tem dor de cabeça, problemas gastrointestinais, e irritação na pele, além de fadiga. Se o incômodo for tolerável (uma pequena irritação, que não está aumentando e se transformando em uma reação alérgica importante) é possivelmente tratável com Benadryl ou outro agente tópico para alergias. A médica informou que muitos destes sintomas iniciais não muito graves tendem a desaparecer sozinhos depois do primeiro mês de uso, ou um pouco mais. Outras coisas que é bom monitorar (e provavelmente o médico que prescreveu o SKYCLARYS vai monitorar) é a função hepática (fígado). Há um composto chamado BNP (Brain Natriuretic Peptide) que é um marcador de função hepática e também de função cardíaca (miocardia hipertrófica por exemplo).
Resumindo, a irritação na pele pode ser um efeito colateral do SKYCLARYS. Estes efeitos tipicamente se manifestam cedo (no primeiro mês de uso do medicamento) e em muitos casos desaparecem lentamente depois do primeiro mês de uso.
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Última atualização: 27/09/2023
QUAIS MEDICAMENTOS PODEM AJUDAR EM SINTOMAS ESPECÍFICOS DAS ATAXIAS?
Há uma página no portal abahe.org.br que lista medicamentos para sintomas de ataxia.
Essa lista é publicada no site da NAF e serve como uma referência para discussão com médicos. É importante lembrar que todos os medicamentos devem ser prescritos por profissionais de saúde e não devem ser usados sem supervisão médica.
[Nota MG]: Alguns remédios para síntomas de ataxias funcionam bem para algumas pessoas, mas não para outras. O Dr. Henry Paulson enfatiza que o único jeito de saber se um remédio funciona para alguém especificamente é experimentando, sob supervisão médica. É importante que o paciente com ataxia converse com o médico e experimente medicamentos até encontrar um que funcione bem, sem efeitos adversos significativos. O Dr. Paulson recomenda levar uma "lista de remédios de referência" para discutir com o neurologista. A lista contém medicamentos que podem ser utilizados e deve ser analisada com a supervisão de um profissional de saúde.
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Última atualização: 09/04/2023
PARA QUE SERVE O DALFANPRIDINE (AMPYRA)?
Uma pessoa perguntou em um webinar sobre o Dalfanpridine, medicamento para esclerose múltipla, doença que tem muitos sintomas semelhantes aos das ataxias, e sobre o medicamento relacionado 4-AP (4-aminopyridine).
A Dra Susan Perlman (especialista em ataxias) explicou que estes remédios estão disponíveis já faz muitos anos. O Dalfanpridine é o agente aprovado pela FDA. Há alguma preocupação com potenciais efeitos colaterais sobretudo em caso de overdose acidental, como o risco de convulsões, mas se a pessoa ficar nos limites da dosagem segura (não passar de 20 miligramas por dia) o risco de convulsão e outros efeitos colaterais é mínimo. Naturalmente seca pessoa já tem risco de convulsões por outros motivos deve ter muita cautela.
Segundo se divulga em grupos de suporte, o Dalfanpridine pode melhorar o equilíbrio ao andar em certos indivíduos. Está na classe de medicamentos conhecidos como “bloqueadores do canal de potássio” (potassium channel blockers) que funcionam fortalecendo os sinais enviados pelo cérebro através dos nervos que foram danificados na esclerose múltipla (MS). Apesar de ser um remédio para MS é também utilizado por muitas pessoas com ataxias e há inclusive grupos de suporte no Facebook específicos para esta discussão.
IMPORTANTE - A Dra. Perlman mencionou que as duas únicas drogas atualmente reconhecidas pela American Academy of Neurology para uso off-label em ataxias são o Riluzole (aprovado pela FDA para ELA - Esclerose Lateral Amiotrófica) e o Dalfampridine (AMPYRA), aprovado em 2010 para Esclerose Múltipla.
Ver https://medlineplus.gov/druginfo/meds/a611005.html
Saiba mais sobre medicamentos para sintomas de ataxias.
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Última atualização: 09/04/2023
PARA QUE SERVE O SKYCLARYS (OMAVELOXOLONE)?
O OMAV (OMAVELOXOLONE) cujo nome comercial é SKYCLARYS foi o primeiro medicamento no mundo para ataxia aprovado pela FDA (no caso, especificamente para ataxia de Friedreich, para pacientes com 16 anos ou mais). Foi produzido pela Reata Pharmaceuticals, posteriormente adquirida pela Biogen.
Aprovação: O SKYCLARYS foi aprovado pela FDA em fevereiro de 2023. Em 11 de abril de 2025 o SKYCLARYS foi aprovado pela ANVISA para comercialização no Brasil.
Indicação: O SKYCLARYS é específico para a ataxia de Friedreich (AF), uma doença genética rara que afeta o sistema nervoso, causando perda progressiva da coordenação muscular e da força. Acredita-se que o estresse oxidativo desempenhe um papel importante na patogênese dessa doença, e o omaveloxone tem o objetivo de reduzir esse estresse, ativando o fator de transcrição Nrf2, que regula a expressão de genes envolvidos na resposta antioxidante.
Mecanismo de Ação: O SKYCLARYS atua ativando o Nrf2, que é um fator de transcrição crucial na regulação de genes que codificam enzimas antioxidantes e citoprotetoras. Ao ativar esse fator, o omaveloxone ajuda a combater o estresse oxidativo, um processo que contribui para o dano celular em várias doenças neurodegenerativas. Esse mecanismo pode melhorar a função mitocondrial e reduzir a inflamação. Em estudos clínicos, o omaveloxone demonstrou potencial para melhorar a função neurológica em pacientes com ataxia de Friedreich, reduzindo a progressão da doença.
Dosagem: A dosagem diária recomendada é de 150 mg (3 cápsulas de 50mg) por via oral, uma vez ao dia. Para informações adicionais, ver www.Skyclarys.com.
Possíveis Efeitos Colaterais: Como qualquer medicamento, o SKYCLARYS pode apresentar efeitos colaterais, que incluem fadiga, náusea, dor de cabeça e elevação de enzimas hepáticas. Esses efeitos precisam ser monitorados em pacientes que fazem uso do medicamento.
Saiba mais sobre a Ataxia de Friedreich em /fichas/ataxia-de-friedreich
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Última atualização: 12/04/2025
PARA QUE SERVE O MEDICAMENTO TALTILERIN?
O medicamento Taltirelin (comercializada sob o nome de marca Ceredist) é um análogo do hormônio liberador de tireotropina (Thyrotropin Releasing Hormone - TRH), que imita as ações fisiológicas do TRH, mas com uma meia-vida muito mais longa, maior duração dos efeitos e com pouco desenvolvimento de tolerância após administração prolongada. Possui efeitos nootrópicos, neuroprotetores e analgésicos.
Está disponível no Japão há mais de 15 anos (Mitsubishi Tanabe Pharma, outubro de 2007), tendo sido aprovado para ataxias espinocerebelares. O medicamento só pode ser obtido no Japão por meio de um médico licenciado e em quantidades suficientes para durar de uma consulta até a próxima.
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Última atualização: 07/04/2025
CANNABIS MEDICINAL PODE AJUDAR NAS ATAXIAS?
Alguém perguntou em um webinar sobre benefícios do óleo CBD (canabidiol) para ataxias.
A Dra. Susan Perlman (especiaista em ataxias) respondeu que o canabidiol e outros produtos derivados da cannabis (como o THC) têm sido usados por um longo tempo na medicina (em áreas onde a prescrição é permitida), sobretudo para dores, espasmos, rigidez muscular e ansiedade (que pode amplificar sintomas da ataxia), e também podem ajudar o paciente a dormir melhor. Ou seja, embora não cure a ataxia ou retarde sua progressão, a maconha medicinal pode aliviar certos sintomas.
Embora possam ajudar nestes e outros sintomas, estes produtos não curam ou reduzem a progressão da ataxia em si. Além disso, a dosagem é importante. Se o paciente consome CBD com percentual mais elevado de THC, poderá ficar mais tonto e, portanto, piorar sintomas da ataxia.
O uso precisa de receita médica. Convém consultar associações especializadas no assunto para obter mais informações, como as listadas abaixo:
abraceesperaca.org.br
Última atualização: 10/04/2023
QUAL É A DIFERENÇA ENTRE O RILUZOLE E O TRORILUZOLE?
RILUZOLE - O Riluzole é um remédio aprovado pela FDA para ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica) que já está no mercado faz alguns anos. Embora tenha sido aprovado para a ELA, o Riluzole é uma das duas únicas drogas atualmente reconhecidas pela American Academy of Neurology para uso off-label(*) em ataxias. A outra é o Dalfampridine (AMPYRA), aprovado em 2010 pela FDA para Esclerose Múltipla.
(*) Uso off-label é usar um remédio que ainda não tenha sido aprovado para aquela doença específica. Por exemplo, o Riluzole é aprovado para ELA, mas ainda não para ataxias, logo o uso por pacientes com ataxia é “off-label”. O uso precisa ser prescrito por médicos.
O Riluzole foi investigado na Europa e há alguma evidência de que tem potencial para retardar a progressão de ataxias genéticas e não genéticas, e talvez melhorar alguns sintomas. Há alguns efeitos colaterais possíveis (tonturas, fadiga, danos ao fígado e outros). Pelo que se vê dos depoimentos de quem tem ataxia, o Riluzole funciona melhor para alguns do que para outros.
TRORIRUZOLE - Além do Riluzole, há um ensaio clínico de um outro remédio chamado Troriluzole (BHV-4157) da Biohaven Pharmaceuticals, que é uma espécie de “upgrade” do Riluzole e está buscando aprovação da FDA. O Troliluzole é metabolizado em Riluzole no corpo, de modo que o Riluzole é o ingrediente ativo no medicamento. A diferença é que nesta nova formulação da Biohaven a absorção do remédio pretende ser mais eficiente. Assim os potenciais benefícios talvez ser alcançados com doses menores, reduzindo o risco de efeitos colaterais.
O Troriluzole está no pipeline da NAF para a ataxia espinocerebelar tipo 3 (SCA3 ou DMJ). Para mais informações ver https://clinicaltrials.gov/ct2/show/NCT03701399
Para a situação atual do Troriluzole, ver questão 6.12 do FAQ.
Veja /medicamentos
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Última atualização: 28/10/2024
COMO É O PROCESSO DE APROVAÇÃO DE MEDICAMENTOS PELA FDA NOS ESTADOS UNIDOS?
Para obter aprovação da FDA para comercializar novos medicamentos nos Estados Unidos, as farmacêuticas seguem um processo denominado NDA (New Drug Application), ou "Pedido de Novo Medicamento". Este processo visa assegurar que os novos medicamentos são eficazes e seguros antes de serem liberados para venda ao público.
Depois de anos de pesquisas e testes (quando a entende que já coletou dados suficientes) a farmacêutica pode submeter um NDA para a FDA. Após receber um NDA, a FDA faz uma análise de “filing” para verificar se a documentação está completa e adequada para a revisão. Se faltar informações ou houver erros, a FDA pode emitir uma “refusal to file” (recusa de protocolo), solicitando que a empresa complemente ou corrija o pedido.
Isso aconteceu recentemente com a Biohaven, que em 2023 teve seu NDA negado pela FDA para o medicamento Troriluzole para ataxias espinocerebelares. Mais precisamente, a FDA informou para a Biohaven que não faria a revisão do NDA para o Troriluzole pois "os objetivos primários do estudo de fase 3 realizado em 2023 não haviam sido alcançados", e portanto não seria possível fazer uma revisão adequada. A Biohaven então coletou mais dados que mostraram "redução da progressão da doença" e fez novo pedido em setembro de 2024, que no início deste mês (fevereiro de 2025) foi aceito pela FDA, e portanto agora o medicamento Troriluzole está em análise.
Quanto tempo demora a aprovação da FDA?
O prazo que a FDA tem para avaliar um Novo Pedido de Medicamento (NDA) depende do tipo de revisão que o pedido recebe. No caso da revisão padrão (Standard Review), o prazo é de 10 meses. Já no caso de Revisão Prioritária (Priority Review) a FDA tem 6 meses a partir da aceitação do NDA para dar seu parecer. Esse tipo de revisão é concedido para medicamentos que podem oferecer melhorias significativas no tratamento de doenças graves. No caso do Troriluzole da Biohaven, a FDA concedeu Revisão Prioritária, o que significa que a decisão deve ser tomada dentro de 6 meses a partir da aceitação do NDA em fevereiro de 2025, ou seja, até o terceiro trimestre de 2025.
Uma vez que aceite revisar um pedido de NDA, a FDA vai fazer uma avaliação minuciosa dos dados enviados. Vai revisar os resultados de ensaios clínicos para confirmar a eficácia e segurança, vai avaliar como o medicamento será fabricado, rotulado e utilizado, quais são os ingredientes, quais são os possíveis efeitos colaterais, enfim, fará uma análise completa.
Quais são os resultados possíveis da revisão?
Depois da revisão de um NDA, a FDA pode aprovar o NDA (autorizando a comercialização do medicamento no mercado americano), negar o NDA (caso julgue que há riscos para a saúde dos consumidores, e neste caso o medicamento não poderá ser comercializado), ou pode requerer mais informações, através de uma CRL (Complete Response Letter), uma "carta" que é enviada para a farmacêutica solicitando mais dados, e assim a farmacêutica poderá fornecer informações adicionais para embasar uma nova revisão.
Mesmo depois que um medicamento ou terapia é aprovada, a FDA continua monitorando o seu uso para assegurar a segurança. As farmacêuticas devem coletar dados do medicamento já no mercado em um estudo clínico de fase 4 (Phase IV clinical trial) para avaliar efeitos colaterais, e havendo necessidade, faze ajustes na bula.
Todo este processo de avaliação e aprovação de um novo medicamento pela FDA é bastante criterioso e demorado, pois muitos testes são feitos e toda a documentação é verificada para assegurar segurança e eficácia antes que o medicamento possa ser adquirido pelo público.
Para mais informações sobre os NDAs, consulte o site da FDA em
https://www.fda.gov/drugs/types-applications/new-drug-application-nda
Última atualização: 25/02/2025
QUIMIOTERAPIA E MEDICAMENTOS PODEM CAUSAR ATAXIA?
Alguém perguntou em um webinar se há relação comprovada entre quimioterapia e sintomas de ataxia. A Dra. Susan Perlman (especialista em ataxias) explicou que a quimioterapia pode causar danos para o sistema nervoso periférico (atacando nervos), o que significa que podem causar dormências, contribuir para fraqueza muscular, fadiga etc., o que podem complicar os sintomas de uma ataxia. Alguns medicamentos usados quimioterapia podem também danificar o cerebelo (e causar ataxia cerebelar).
Além de remédios usados em quimioterapia, há outros medicamentos que também podem causar ataxias. A Dra. Perlman citou o amiodarone, usado para arritmias cardíacas, que pode ser neurotóxico para alguns pacientes, e também o Dailantin, um antiepilético que também pode afetar o cerebelo e causar problemas de equilíbrio e coordenação motora entre seus possíveis efeitos colaterais.
A Dra. Perlman relatou que existem descongestionantes que podem ajudar em sintomas de resfriados e alergias, mas que podem ter efeitos colaterais ruins para quem já tem ataxia. Há antiestamínicos para sintomas de alergias que podem causar sonolência, tonturas ou afetar o equilíbrio (portanto, não são bons para quem tem ataxia).
Outras categorias de medicamentos que podem causar sintomas de ataxia são os barbitúricos como o fenobarbital e as benzodiazepinas ("Benzos").
Seguem algumas boas práticas.
De modo geral, é recomendável pesquisar on-line as bulas dos remédios que se pretende tomar para ver os efeitos colaterais mais comuns e ver se há alguns que possam piorar os sintomas da ataxia. Não é que estes medicamentos não possam ser consumidos por quem tem ataxia, ou que possam piorar a ataxia em si, mas apenas devem usados com cautela.
Se a pessoa com ataxia precisar tomar um medicamento que pode fazer com que fique sonolenta ou tonta, ou que possa afetar o equilíbrio, deve ter um cuidado adicional ao se locomover, pois o medicamento pode agravar alguns dos sintomas típicos da ataxia.
Nunca se deve tomar medicação sem receita médica, e quem tem ataxia deve sempre informar esta condição em qualquer consulta médica que vá, pois o médico pode prescrever alguma droga que para quem já tem ataxia talvez não seja recomendável.
Se o paciente está iniciando um processo de quimioterapia ou mesmo um tratamento de outro tipo com remédios muito fortes receitados por outros médicos, deve procurar o neurologista para se informar sobre possíveis efeitos colaterais que possam afetar o cerebelo e piorar sintomas da ataxia.
Saiba mais sobre medicamentos para sintomas de ataxias em /medicamentos
TODO MEDICAMENTO DEVE SER PRESCRITO PELO MÉDICO.
Última atualização: 27/09/2023
PARA QUE SERVE O SUPLENENTO "Juba de Leão" (Lion's Mane)?
Alguém perguntou em um webinar sobre o uso do suplemento "Juba de Leão" (em Inglês, Lion's Mane - um extrato de cogumelos medicinais como o Hericium erinaceus) para ajudar em sintomas de ataxia. A Dra. Susan Perlman (especialista em ataxias) informou que muitas pessoas com diferentes tipos de ataxia estão usando este suplemento, e os depoimentos das pessoas que estão consumindo são "razoavelmente bons" - as pessoas que usam se sentem melhores, mais coordenadas, com mais energia, e o suplemento parece ser seguro.
A Dra. Perlman é a favor de que se experimente qualquer suplemento fitoterápico por um certo período, por exemplo, 3 meses. Se não notar melhorias, abandone, pois não deve funcionar para você. Em particular, o Lion's Mane parece uma boa opção para testar.
[Nota MG]: O Lion's Mane tem sido usado já faz bastante tempo na medicina chinesa e supostamente tem efeitos anti-inflamatórios, antioxidantes e neuroprotetores.
Ver
https://www.mdpi.com/1422-0067/24/7/6089
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37047062/
https://www.nature.com/articles/s41598-020-71966-z
O consumo de qualquer tipo de suplemento deve ser alinhado com o médico. Alguns suplementos podem alterar o efeito de medicamentos.
Última atualização: 30/07/2023
O MEDICAMENTO CITALOPRAM PODE AJUDAR NA ATAXIA SCA3?
Alguém perguntou em um webinar sobre o Citalopram, um antidepressivo que está listada no pipeline da NAF como uma das medicações em estudo visando a aprovação da FDA para a ataxia espinocerebelar tipo 3 (SCA3). O Citalopram é vendido com o nome comercial Celexa. A pergunta é se consumir o Celexa como medicamento off-label (ainda sem aprovação) traria algum benefício para pacientes com a SCA3.
A Dra. Susan Perlman (especialista em ataxias) respondeu que sim, faz sentido tentar. Há medicamentos que ainda não foram aprovados para ataxias, mas já foram aprovados pela FDA para outras condições (Parkinson, Esclerose Múltipla etc.) e que como os efeitos colaterais já são bem conhecidos em certos casos é seguro experimentar para ver se trazem benefícios também para a SCA3 e outras ataxias, e que esta questão deve ser discutida com o médico.
Nota MG: O Citalopram ainda na fase pré-clínica (laboratório) no longo e rigoroso processo de aprovação pela FDA, e os estudos são conduzidos pela Universidade do Minho (Portugal). O medicamento mostrou bons resultados na redução dos agregados tóxicos de ataxina-3 no cérebro de ratinhos (mouse models). Os estudos precisam evoluir para incluir ensaios clínicos com seres humanos para testes de eficácia e segurança.
Ver https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30187384/
Ver https://www.ataxia.org/pipeline/sca3/
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Última atualização: 27/09/2023
ONDE FAZER TESTES GENÉTICOS PARA DIAGNÓSTICOS DE ATAXIAS NO BRASIL?
No Brasil, há diversos centros médicos, laboratórios e universidades que realizam testes genéticos para o diagnóstico de ataxias. Esses exames são fundamentais para identificar a causa específica da ataxia e são indicados especialmente quando há suspeita de uma forma hereditária da doença. Aqui estão alguns lugares onde é possível fazer testes genéticos para ataxias no país:
1. Laboratórios Privados de Diagnóstico Genético
Vários laboratórios privados oferecem exames genéticos para ataxias hereditárias. Alguns dos principais incluem:
· DLE – Diagnósticos Laboratoriais Especializados: Oferece testes genéticos de ataxias hereditárias e outros distúrbios neurológicos.
· GENOMICS Brasil: Laboratório especializado em diagnóstico genético com uma ampla gama de exames para doenças hereditárias, incluindo ataxias.
· Laboratório Hermes Pardini: Um dos maiores laboratórios do Brasil, oferece exames genéticos para diversas condições, incluindo ataxias.
2. Centros Universitários e Hospitais de Referência
· Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo): O Hospital das Clínicas oferece testes genéticos e avaliação especializada em doenças neurológicas, incluindo as ataxias hereditárias, através do Departamento de Neurologia e do Centro de Pesquisa de Genética.
· Unicamp (Universidade Estadual de Campinas): A Unicamp tem programas de pesquisa e diagnóstico em genética, incluindo exames para doenças neurodegenerativas, como as ataxias.
· UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro): O Instituto de Neurologia Deolindo Couto da UFRJ oferece testes e atendimento especializado para doenças neurológicas, incluindo ataxias hereditárias.
· Hospital de Clínicas de Porto Alegre (UFRGS): Oferece serviços de genética médica, com diagnóstico de doenças neurológicas hereditárias como as ataxias.
3. Serviços Públicos pelo SUS
· Alguns hospitais e centros de referência ligados ao Sistema Único de Saúde (SUS) também oferecem testes genéticos, especialmente em grandes centros urbanos e hospitais universitários. Esses exames podem ser indicados por neurologistas especializados em doenças genéticas e neurodegenerativas.
· Centros de Referência em Doenças Raras: Alguns estados possuem centros especializados no diagnóstico e tratamento de doenças raras, incluindo ataxias hereditárias, com atendimento gratuito pelo SUS.
4. Laboratórios de Pesquisa em Genética
· Rede Brasileira de Bancos de DNA (RedeBancs): Alguns centros de pesquisa, como aqueles ligados ao INAGEMP (Instituto Nacional de Genética Médica Populacional), oferecem testes genéticos para doenças hereditárias raras, incluindo ataxias, geralmente como parte de estudos e projetos de pesquisa.
Procedimento para Realização dos Testes
· Encaminhamento médico: Normalmente, é necessário o encaminhamento de um médico neurologista ou geneticista para realizar os testes.
· Cobertura: Em alguns casos, os testes podem ser cobertos por planos de saúde (o médico precisa fazer o pedido do exame de forma adequda para a aprovação), ou, no caso do SUS, podem ser solicitados gratuitamente em centros especializados.
A escolha do local para realizar o teste depende da disponibilidade geográfica e das condições financeiras, pois laboratórios privados podem ter custos elevados, enquanto o SUS pode oferecer acesso gratuito, mas com maior tempo de espera.
Conteúdo gerado com apoio de IA Generativa.
COMO LIDAR COM UM DIAGNÓSTICO DE ATAXIA?
A jornada de aceitação de um diagnóstico difícil como o da ataxia varia entre pessoas, mas em geral atravessa os estágios típicos do luto (negação, raiva, barganha, depressão e aceitação). Para a fase final de aceitação, pelo que os pacientes relatam nos grupos de suporte da NAF e UK, parece ajudar ter o seguinte em mente:
1 - A ataxia é parte de você e de sua história, mas não te define. Você é muito mais do que isso. É parte da sua história, mas não toda a sua história.
2 - A aceitação não é um evento binário (aceito/não aceito), mas um processo gradual. Em alguns momentos podemos relutar em aceitar, em outros a realidade nos impele a ajustarmos nossas expectativas. Ocorre aos poucos, e como nos demais processos de luto, pode mesmo durar anos. Assim, em alguns dias você aceita mais do que em outros, mas o processo segue seu curso.
3- Há um estigma social que atrapalha a aceitação (eu tenho uma doença, eu sou “diferente” etc.). Para isso os que lidam melhor nos ensinam a não dar tanta importância para as opiniões alheias. É a sua vida. Você não tem culpa de ter uma doença hereditária. Não há vergonha alguma nisso. O preconceito e a intolerância é problema de quem tem.
4- Participar de grupos de suporte ajuda na aceitação, pois você percebe que não está sozinho, que há outros que compartilham das suas dificuldades e desafios, alguns em situação até mais difícil. Nestes grupos você consegue informações. Há também cuidadores, parentes, amigos, voluntários e outros que embora não tenham a doença estão presentes, e isso importa.
5- Isto posto, é importante entender que nem todos vão ajudar, muitos não vão conseguir compreender a doença, nem os sintomas, outros terão medo, outros serão egoístas, outros não terão mesmo estrutura para te acompanhar nesta jornada. Aceitar isso também é parte de aceitar a ataxia como um todo - não é para os fracos.
6- Concluindo, pelo que os pacientes relatam, você precisa se perdoar e se permitir momentos de tristeza, depressão, enfim, é absolutamente normal ter dias difíceis durante esta jornada. O que não é bom é se perder nisso. É preciso reagir. Mesmo com as dificuldades da ataxia, a vida segue, e cabe a cada um fazer o melhor possível por si próprio e pelos outros, um dia de cada vez. Fé em Deus para quem é religioso, fé na ciência todos - a cura está a caminho.
Até lá, estamos aqui uns pelos outros, e juntos somos mais fortes.
Para mais informações para pacientes com diagnósticos recentes de ataxia, ver NAF 2023 - Newly Diagnosed
Última atualização: 06/05/2023
COMO O MÉDICO PODE DIFERENCIAR ATAXIA DE DOENÇA DE PARKINSON?
Esta pergunta foi feita em um webinar por uma pessoa cuja mãe tinha a doença de Parkinson, e por conta disso ele também foi “diagnosticado” com doença de Parkinson e foi tratado com Levodopa, mas o tratamento não foi efetivo. A Dra. Susan Perlman (especialista em ataxias) explicou que de fato há alguns tipos de ataxias que podem se apresentar como doença de Parkinson. Por exemplo, dependendo das mutações genéticas, é possível ter sintomas típicos de Parkinson com a ataxia espinocerebelar tipo 2 (SCA2), sem que a ataxia em si seja óbvia. Nestes casos só os testes genéticos apropriados poderão confirmar se a pessoa tem a doença de Parkinson ou alguma ataxia que se apresenta como a doença de Parkinson.
Saiba mais sobre a ataxia SCA2 em /fichas/ataxia-espinocerebelar-tipo-2
Última atualização: 09/04/2023
TESTES GENÉTICOS PODEM SER INCONCLUSIVOS?
Sim. Há testes genéticos para ataxias que têm uma faixa “anormal” que dá certeza de que há mutação no gene que vai causar a doença, mas o resultado de testes para algumas ataxias pode ter também uma “área cinza” (borderline zone) onde o gene não é perfeitamente normal, mas também não é claramente anormal. Se o resultado do teste genético cai nesta faixa a pessoa poderá ter problemas de saúde ou não, dependendo de outros fatores genéticos, ambiente, estilo de vida etc.
Também é possível que a pessoa com resultado genético nesta “zona cinzenta” não tenha problemas, mas passe o gene para o filho, e neste processo a mutação do gene pode se agravar e cair na faixa “anormal” e assim o filho vai desenvolver a ataxia mesmo que o pai não tenha tido ele próprio qualquer sintoma.
Alguns testes genéticos atuais são mais abrangentes do que os feitos alguns anos atrás. Observar que em muitos casos não é necessário colher sangue novamente - se a empresa que fez o teste tiver o DNA ainda armazenado basta pedir a “reanálise”, e quem teve um teste inconclusivo no passado possa obter um diagnóstico mais preciso com um teste atualizado, que seja capaz de pegar novos fatores genéticos ou pelo menos forneça uma interpretação mais completa e atualizada dos resultados (em relação ao teste anterior).
Última atualização: 09/04/2023
COMO FAZER DIAGNÓSTICO DE ATAXIA?
De modo geral, a diagnóstico primário de ataxias é por exame clínico dos sintomas e avaliação de histórico familiar. Se a pessoa tem dificuldades de equilíbrio e outros sintomas típicos (má coordenação) relacionados ao cerebelo, então é possível fazer um diagnóstico suportado por uma ressonância magnética do encéfalo (MRI) que pode mostrar atrofia ou alterações no cerebelo. A partir daí, para saber o tipo de ataxia, e para ter confirmação do diagnóstico, é preciso fazer teste genético (exame de DNA) para tentar localizar mutação em genes que podem causar os diferentes tipos de ataxias de causa genética.
[Nota MG] Ter em mente que há ataxias hereditárias cujo gene ainda não foi identificado(a Dra Perlman estima que pelo menos um terço das ataxias está neste grupo) e portanto não podem ainda ser descobertas por testes genéticos específicos, e que há também ataxias adquiridas que não têm causa genética (ex. ataxia causada por danos ao cerebelo em um acidente de automóvel) e nestes casos também o teste genético não é útil, a não ser para eliminar possibilidades e facilitar diagnósticos diferenciais.
Também pode ocorrer que alguns testes genéticos para ataxias sejam inconclusivos.
Última atualização: 09/04/2023
É POSSÍVEL FAZER TESTE GENÉTICO PRÉ-NATAL PARA VER SE O FILHO TERÁ ATAXIA ANTES DO NASCIMENTO?
Existem testes genéticos pré-natais para seleção de embriões saudáveis para fertilização in vitro para evitar que filhos de pessoas com ataxia herdem a doença. A seleção é feita em embriões obtidos por fertilização in vitro (FIV). Através de testes genéticos do embrião é possível detectar doenças genéticas (como as ataxias hereditárias). Após a análise são selecionados os embriões livres de mutações genéticas patogênicas para implementar no útero.
A Dra Susan Perlman (especialista em ataxias) informou em um webinar que este procedimento evoluiu bastante nos últimos anos e é uma opção que um casal onde um tem diagnóstico de ataxia SCA3 (por exemplo) pode discutir com seu neurologista, e depois com outros médicos (ginecologista etc.) pois é uma forma legítima de casais com ataxia terem filhos sem perpetuar a doença (interrompendo a transmissão vertical).
Última atualização: 09/04/2023
EXISTE ALGUM TESTE PARA DIAGNÓSTICO PRECISO DA MSA (ATROFIA DE MÚLTIPLOS SISTEMAS)?
A Dra. Susan Perlman (especialista em ataxias) informou em um webinar que ainda não existe nenhum teste específico para a MSA (Multiple Systems Atrophy) ou AMS (Atrofia de Múltiplos Sistemas) em Português. Um diagnóstico definitivo só pode ser feito após a morte, na autópsia, onde se pode verificar o acúmulo de um certo tipo de proteína no sistema nervoso. Ainda assim através da análise dos sintomas e exames (ressonância magnética do cérebro etc.) é possível fazer diagnósticos de MSA.
Porém a Dra. Perlman informa que alguns pacientes diagnosticados erroneamente com MSA tinham na verdade SCA3 (DMJ), que em alguns indivíduos pode produzir sintomas de MSA. Da mesma forma, a síndrome CANVAS também pode se parecer com MSA em certos casos. Como tanto a SCA3 quanto a CANVAS podem ser diagnosticadas por testes genéticos, convém fazer diagnóstico diferencial para eliminar estas duas doenças em pacientes com suspeita de MSA.
[Nota MG]: Há dois tipos de MSA, o tipo Parkinsoniano (MSA-P) e o tipo Cerebelar (MSA-P). Cada tipo tem diferentes sintomas. O tipo Parkinson é mais comum, e o tipo Cerebelar produz sintomas de ataxia. Além disso pode haver envolvimento de sistemas autônomos. Ainda não há uma causa conhecida para a MSA.
Saiba mais sobre a MSA-C (ou AMS-C) nos webinares da NAF (National Ataxia Foundation) em
All About MSA-C
Research and Treatment Development for MSA-C
Ensaio clínico da Lumbeck para MSA
Última atualização: 16/10/2024
QUAL É A IMPORTÂNCIA DE FAZER O CADASTRAMENTO NA ABAHE?
Há várias pesquisas, estudos de história natural, estudos de vida real e ensaios clínicos para testar medicamentos para ataxias que são realizados por diferentes laboratórios e universidades em todo o mundo. A participação do Brasil nestes estudos é importante para a evolução das pesquisas sobre ataxias por aqui, e o Brasil tem excelentes pesquisadores na USP, na UNICAMP e outros centros de excelência acadêmica.
Para que brasileiros com ataxias tenham maior chance de participar destes estudos (ou seja, para que o Brasil seja incluído na lista de locais onde o estudo será realizado) é extremamente importante que os pacientes com diagnóstico façam cadastro na Abahe (Associação Brasileiro de Ataxias Hereditárias e Adquiridas). Quem é invisível fica esquecido.
Existem milhares de pessoas com ataxias no Brasil e o cadastro da Abahe dá a estas pessoas a chance de serem contactadas durante a fase de recrutamento dos estudos clínicos ou estudos de vida real ou ainda de história natural da doença, para informar se desejam participar. A existência deste cadastro organizado e cujos dados são mantidos com a devida confidencialidade é fundamental para que as grandes empresas farmacêuticas decidam investir os milhões de Reais em taxas para aprovar o registro de comercialização do remédio no país.
Nota! Além do cadastro na Abahe, que facilita o recrutamento inicial, há critérios técnicos que o paciente precisa satisfazer para sua inclusão voluntária no estudo. Estes critérios de inclusão (ou exclusão) visam a segurança dos pacientes. Ou seja, embora seja muito importante, ter cadastro na Abahe não garante que este ou aquele paciente será aceito neste ou naquele ensaio clínico. Esta decisão segue critérios técnicos pelos organizadores dos estudos e foge do escopo de atuação da Abahe, que modo geral colabora na fase de recrutamento.
O cadastro na Abahe é fundamental para quem tem ataxias hereditárias ou adquiridas. A doença é rara, mas quem tem não precisa ser invisível.
A COVID PODE AGRAVAR A ATAXIA?
Sim. Qualquer pessoa que tem ataxia e pegar uma infecção (ex. COVID, infecção urinária etc.) deve tratar a infecção, caso contrário alguns sintomas da ataxia poderão piorar. Naturalmente, qualquer pessoa com infecção precisa se tratar, mas no caso de atáxicos isso é especialmente importante.
Em um webinar, a Dra. Susan Perlman (especialista em ataxias) recomendou atenção com a "COVID longa", que ainda não é bem compreendida e pode deixar sequelas neurológicas e diversas outras, e está trazendo preocupações em todo o mundo. A mensagem importante aqui é que "alguns sintomas da ataxia podem piorar com infecções".
Fonte: [1]
Última atualização: 09/04/2023
HÁ RELAÇÃO ENTRE ATAXIA E ELA (ESCLEROSE LATERAL AMIOTRÓFICA)?
Sim, existe uma relação entre Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) e algumas ataxias espinocerebelares (em particular a SCA2), devido a sobreposição genética, clínica e de mecanismos moleculares. Estudos apontam que certas mutações genéticas podem estar presentes em ambas as condições, gerando características compartilhadas.
Sobreposição genética:
• O gene C9orf72, associado à ELA, também pode estar envolvido em condições com manifestações ataxicas.
• Mutações no gene ATXN2, relacionado à SCA2, foram identificadas em pacientes com ELA, com expansões intermediárias aumentando o risco para ELA.
Sobreposição clínica:
• Sintomas de fraqueza muscular na ELA podem coexistir com instabilidade e descoordenação, características das ataxias espinocerebelares.
• Indivíduos diagnosticados com ELA podem apresentar sinais ataxicos, exigindo revisões diagnósticas.
Mecanismos comuns
• Ambos os distúrbios compartilham alterações em vias celulares, como disfunção mitocondrial, estresse oxidativo e agregação proteica.
A sobreposição genética e clínica exige diagnóstico diferencial cuidadoso, geralmente envolvendo testes genéticos. Essa conexão também pode direcionar terapias para ambas as condições, já que há compartilhamento de vias moleculares subjacentes. Assim, a interação entre ELA e ataxias espinocerebelares revela novas possibilidades de estudo e tratamento.
Porém, é importante entender que SCA2 não é ELA, não produz os mesmos sintomas e não progride como a ELA.
Para mais informações sobre a ataxia SCA2, ver /fichas/ataxia-espinocerebelar-tipo-2
Última atualização: 19/11/2024
QUEM TEM ATAXIA SCA3 PODE DOAR SANGUE?
De forma geral, as diretrizes para a doação de sangue se concentram em garantir que o doador esteja em boas condições de saúde e possa passar pelo procedimento com segurança, sem que sua condição coloque em risco a qualidade do sangue ou a própria segurança do processo. A ataxia SCA3 não é uma doença contagiosa, e não há nos manuais e diretrizes internacionais de transfusão (como os emitidos pela Organização Mundial da Saúde ou associações nacionais de bancos de sangue), uma contraindicação específica para pessoas com ataxia espinocerebelar SCA3, desde que outros critérios de saúde estejam atendidos .
No entanto, é importante considerar a condição clínica do doador. A SCA3 é uma doença progressiva que pode afetar a mobilidade e a coordenação. Se os sintomas forem significativos a ponto de dificultar a permanência confortável e segura no processo de coleta (por exemplo, por meio de dificuldades em sentar ou manter uma posição adequada durante a doação), o centro de doação pode optar por postergar ou contraindicar a doação naquele momento.
Em resumo, a SCA3 não impede automaticamente a doação de sangue. A elegibilidade dependerá da avaliação clínica individual e das diretrizes específicas do serviço de coleta de sangue. Recomenda-se que o interessado procure seu médico e informe-se junto ao centro de doação para uma análise completa do seu caso.
Resposta gerada com apoio de inteligência artificial.
Última atualização: 20/03/2025
O QUE CAUSA ATAXIA?
Existem muitas causas diferentes de ataxia. É importante lembrar que a ataxia é um sintoma e pode ocorrer como resultado de muitas condições diferentes.
Ataxias hereditárias
Muitas ataxias são condições herdadas e causadas por defeitos em certos genes que codificam proteínas mal formadas, que são tóxicas para as células e podem comprometer funções celulares importantes . A ataxia progressiva hereditária mais comum é a Ataxia de Friedreich. A ataxia dominante hereditária mais comum é a SCA3 (Doença de Machado-Joseph).
Ataxias adquiridas
Além das ataxias hereditárias existem também ataxias que podem ser adquiridas de diferentes formas como lesões no cerebelo causadas por acidentes, tumores, abuso de álcool, hipotireoidismo, Esclerose Múltipla, deficiência de vitamina E, intoxicação por metais pesados, ataxia produzida por produtos utilizados em quimioterapia, ataxias causadas pelo efeito de certos medicamentos e outros fatores.
Ataxias Idiopáticas
Há também muitas pessoas com sintomas de ataxias mas que não têm um diagnóstico específico (não se sabe ainda a causa da ataxia). Essas pessoas são diagnosticadas como tendo ataxia cerebelar idiopática e há muitos pesquisadores focados em encontrar novos genes e novos tipos de ataxias.
Para mais informações sobre as ataxias hereditárias, adquiridas e idiopáticas, veja o Mapa das Ataxias .
EXISTE ALGUMA CURA?
Algumas formas específicas de ataxia adquiridas (não hereditárias) podem ser "curadas" no sentido de que é possível eliminar seus sintomas. Por exemplo, se a pessoa tem ataxia por intolerância ao glúten, ficará bem se evitar o consumo desta substância. Infelizmente, para a maioria dos casos (incluindo todas as formas de ataxias hereditárias) a ataxia ainda não há cura, mas HÁ TRATAMENTO.
A ataxias hereditárias e boa parte das adquiridas ainda não têm cura, mas é possível tratar seus sintomas.
* Fisioterapia neurofuncional, exercícios (sobretudo bicicleta ergométrica) e outras atividades físicas regulares (Yoga, Pilates, hidroginástica etc.) são recomendados (dentro das possibilidades de cada um).
* Para reduzir o risco de quedas em função das dificuldades de equilíbrio ao caminhar pode-se adotar bengalas, andadores ou cadeira de rodas, dependendo da necessidade em função do estágio da doença.
* Fisioterapia ocupacional e algumas adaptações em casa e nos hábitos diários podem ajudar (ex. instalar barras de apoio nos corredores e banheiros, cadeira para banho, luzes para iluminação noturna, reposicionar os móveis para facilitar a mobilidade, remover tapetes para não tropeçar, utilizar copos com tampa e canudo, calçados com sola antiderrapante e fáceis de calçar etc.).
* Descansar sempre que necessário (ataxia pode causar fadiga), e é importante ter um sono noturno de boa qualidade. No caso de dificuldades para dormir, consultar o médico, pois há medicamentos que podem ajudar (por exemplo, óleo de Canabidiol).
* Manter uma alimentação saudável e com boa hidratação.
* Suplementos (ex. Coenzima Q10) e vitaminas (D, B12 etc.) podem ser recomendados (consultar o médico para avaliar a necessidade - não consumir vitaminas e suplementos sem supervisão médica).
* Convém controlar o peso para evitar dificuldades ainda maiores na mobilidade.
* Para a diplopia (visão dupla) causada por ataxia o uso de óculos com lentes de prisma pode ajudar. No caso de Nistagmo, há medicamentos que podem ajudar. Consultar o neurooftalmologista no caso de aparecimento destes sintomas.
* No caso de espasticidade, consultar o neurologista, pois há medicamentos que podem ajudar (ex. Baclofeno).
* No caso de dores neuropáticas (dores ou sensações desconfortáveis devido à lesão e/ou mau funcionamento dos nervos) consultar o neurologista, pois há medicamentos que podem ajudar (ex. Gabapentina).
* No caso de tonturas e/ou vertigens, se tais sintomas se manifestarem, consultar o neurologista pois já medicamentos que podem ajudar. Também é recomendável fisioterapia específica para tratamento de problemas vestibulares.
* Para a disartria, se tal sintoma se manifestar, recomenda-se terapia especializada de fala (fonoaudiologia). Dependendo do estágio pode-se avaliar o uso de dispositivos de assistência para a comunicação (disponíveis para smartphone, computador, iPad etc.).
* Para a disfagia, caso ocorra em estágios mais avançados da doença, também se recomenda consulta ao fonoaudiologista - há exercícios que podem ajudar na deglutição, reduzindo o risco de engasgos que possam causar pneumonia aspiratória.
* No caso de tremores, consultar o neurologista pois há medicamentos que podem ajudar (ex. Prolopa).
* Evitar (tanto quanto possível) o estresse, que em geral piora os sintomas da ataxia.
* Se necessário, há medicações para o manejo da ansiedade e da depressão. Procurar o médico para avaliar as alternativas mais adequadas.
[Nota MG]: Em fevereiro de 2023 foi aprovado pela FDA o primeiro medicamento para ataxias no mundo, no caso, para a ataxia de Friedreich, o SKYCLARYS, desenvolvido pela Reata Pharmaceutics. Este medicamento ainda não é uma cura, mas é capaz de modificar o curso da doença, retardando sua progressão.
Ver https://youtu.be/oW3KTGv4rUE?si=V88gL1YNTRE7M48H
Há muitas pesquisas em andamento visando a aprovação pela FDA de outras terapias e remédios que possam curar ou retardar a progressão de diferentes tipos de ataxias. Se você tem ataxia, procure se manter informado.
Última atualização: 18/05/2023
O QUE É A ESCALA SARA?
A escala SARA (Scale for Assessment and Rating of Ataxia) é específica para quantificar a progressão de ataxias, tando em crianças quanto em adutos. Tem oito itens que medem comprometimentos que ocorrem tipicamente em ataxias cerebelares. Cada item recebe uma pontuação, e a pontuação é acumulada, podendo ao final variar entre 0 pontos (ausência de ataxia) até 40 pontos (ataxia mais grave).
Os itens avaliados na SARA são Marcha, Postura, Sentar, Distúrbio da fala (disartria), Teste de perseguição de dedo, Teste nariz-dedo, Movimento alternado rápido das mãos e Deslizamento calcanhar-joelho-tornozelo.
Uma outra escala alternativa para avaliar a progressão de ataxias é a f-SARA, que tem apenas 4 categorias (caminhar, ficar em pé, sentar e falar).
Para mais informações ver https://www.physio-pedia.com/Scale_for_the_Assessment_and_Rating_of_Ataxia_(SARA)
Última atualização: 11/11/2024
QUAL É A DIFERENÇA ENTRE "PACIENTE" E "PORTADOR" NO CASO DAS ATAXIAS?
O uso da expressão “portador de ataxia" é incorreto, clínica e politicamente. “Portador” é quem tem a doença (carrega o gene com a mutação) mas não desenvolve sintomas. “Paciente” é quem tem a doença (herdou o gene com mutação) e desenvolve sintomas.
Por exemplo, nas ataxias com transmissão autossômica recessiva (como a ataxia de Friedreich) os pais (ambos) têm o gene com a mutação (portanto, são “portadores”) mas eles próprios não desenvolvem os sintomas da doença. Já os filhos deles que herdam um gene mutante do pai e outro da mãe vão desenvolver os sintomas da ataxia de Friedreich (e portanto são “pacientes”).
Assim, quem tem sintomas de ataxia é "paciente".
A propósito, a ONU tem uma orientação de que não se utilize o termo “portador de deficiência” para quem tem doenças raras (incluindo as ataxias).
O recomendável é “pessoa com doença rara” ou “paciente com doença rara”.
Última atualização: 10/04/2023
O QUE É ATAXIA?
Ataxia é uma doença do sistema nervoso. Há vários tipos de ataxias. Algumas são hereditárias e degenerativas, outras podem ser adquiridas de diferentes maneiras.
Muitos sintomas da ataxia são semelhantes a estar bêbado, como a fala arrastada, o andar cambaleante e má coordenação motora. Estes sintomas são causados por danos ao cerebelo, que é a parte do cérebro que é responsável pela coordenação de nossos movimentos, embora as ataxias possam comprometer outras partes do sistema nervoso.
No momento, ainda não existe cura para a ataxia, mas há tratamento para os sintomas, envolvendo combinações de medicamentos e terapias para melhoria da qualidade de vida. Pessoas afetadas pela ataxia podem ter dificuldades ao utilizar os dedos e mãos, braços, pernas, andar, falar, engolir ou mover os olhos. A ataxia pode afetar pessoas de qualquer raça e de todas as idades.
A idade em que os sintomas aparecem pode variar bastante, desde a infância até a fase adulta. As complicações que a ataxia traz são sérias e em muitos casos desabilitantes. Alguns tipos de ataxias podem levar à morte prematura (fonte: NAF).
Nota: O termo "ataxia" é utilizado tanto para indicar doenças específicas (por exemplo, "ataxia de Friedreich") quanto para se referir a um conjunto de sintomas neurológicos como desequilíbrio e má coordenação motora, que podem ser causados por diversas doenças, como a Esclerose Múltipla. Assim, existem pacientes que têm ataxia (=a doença, por exemplo a ataxia espinocerebelar tipo 3, ou SCA3), e outros que possuem sintomas típicos de ataxia originados por diferentes causas.
Para mais informações, ver Mapa das Ataxias em /mapa-ataxias
Última atualização: 16/10/2024
EXISTE ALGUMA ATAXIA QUE NÃO PROGRIDA?
Depende do tipo de ataxia.
As ataxias hereditárias são doenças degenerativas do sistema nervoso, ou seja, progridem com o tempo. A taxa da progresssão, entretanto, pode variar bastante. A Dra. Susan Perlman (especialista em ataxias) respondeu que há alguns tipos de ataxia (como a ataxia espinocerebelar tipo 5, ou SCA5) que podem progredir muito lentamente.
[Nota MG]: A SCA5 também é chamada de “Lincoln’s Disease” pois há uma família de portadores que é descendente do Presidente Abraham Lincoln. Para mais informações, veja a Ficha da SCA5.
De modo geral, as ataxias hereditárias têm progressão lenta, e se a pessoa detectar que de uma hora para outra parece que a progressão está acelerando deve verificar se mudou algo na rotina recentemente, que pode estar agravando sintomas (mudança na rotina de exercícios? Crise conjugal? Aumento de estresse? Problemas financeiros? Pegou alguma infeção, incluindo COVID, que pode desencadear processos inflamatórios? Mudou recentemente de dieta? Ficou diabético e não sabe? Começou a tomar bebidas alcoólicas? Etc.).
Por outro lado, existem ataxias adquiridas (não hereditárias) que manifestam sintomas, mas não são doenças degenerativas (por exemplo, ataxia causada por algum acidente que produza lesão no cerebelo) e não vão "progredir" no tempo no mesmo sentido das ataxias hereditárias. Vale destacar também que algumas ataxias adquiridas podem "parar de progredir" se o fator que causa a ataxia for controlado. Por exemplo, se a pessoa tem ataxia por intolerância ao glúten, poderá "estacionar" (no sentido de evitar os sintomas) se evitar o consumo de glúten.
Para mais informações sobre os diferentes tipos de ataxias e suas progressões, ver Mapa das Ataxias em /sobre-ataxias
QUEM PODE TER ATAXIA?
Qualquer pessoa de qualquer idade pode ter ataxia, mas certos tipos são mais comuns em certos grupos etários. Por exemplo, a Ataxia de Friedreich se manifesta principalmente na infância ou na adolescência.
QUAL É A PREVALÊNCIA MÉDIA GLOBAL E NO BRASIL DAS ATAXIAS?
As ataxias são condições raras. Não existem dados suficientes que permitam fazer afirmações confiáveis sobre a prevalência (a população de portadores de ataxias) no Brasil. Há também o problema da dificuldade de diagnóstico - muitas pessoas têm ataxia mais não são diagnosticadas, ou recebem diagnósticos de outras doenças, o que contribui para a subnotificação.
De acordo com estudos epidemiológicos, estima-se que a prevalência estimada (média global) das SCAs (ataxias espinocerebelares) esteja entre 1 e 5 casos por 100.000 pessoas. Esse número inclui todas as formas de SCAs hereditárias, como SCA1, SCA2, SCA3, SCA6, SCA7 e outras. A prevalência varia por região (por exemplo, a SCA2 é mais prevalente em Cuba), e também deve ser levada em conta a subnotificação, ou seja, a prevalência pode variar conforme a disponibilidade de testes genéticos em diferentes regiões.
Prevalência média global
• Estima-se que a prevalência média global da SCA1 seja em torno de 0,3 a 1,5 casos por 100.000 pessoas. Para a SCA1, os países com maior prevalência são Índia, Russia, Polônia, Alemanha e Estados Unidos.
• A prevalência média da SCA2 é estimada em cerca de 0,3 a 2 casos por 100.000 pessoas. Porém, a distribuição da SCA2 é muito desigual, com taxas significativamente mais altas em algumas populações específicas, como em Cuba (especialmente na província de Holguín), algumas regiões da Índia, e em partes do México (como Veracruz), onde o efeito fundador aumentou a prevalência.
• A prevalência média global da SCA3 é estimada em cerca de 0,5 a 2 casos por 100.000 pessoas, com grandes variações regionais. A SCA3 é a ataxia espinocerebelar de maior prevalência mundial, sendo especialmente relevante em Portugal, Brasil, Japão, China e Filipinas.
• A prevalência média global da SCA7 é estimada em cerca de 0,1 a 1 caso por 100.000 pessoas. A prevalência é mais alta em algumas regiões devido ao efeito fundador e à concentração da mutação em populações específicas. Exemplos incluem áreas da Suécia, partes do México (particularmente entre algumas populações indígenas no estado de Oaxaca), e entre a população africâner da África do Sul.
Prevalência média no Brasil
A prevalência média de algumas ataxias espinocerebelares é mostrada abaixo. Os valores variam dependendo da região do Brasil, sendo mais altos em algumas áreas devido a históricos de migração e fatores genéticos.
Tipo de Ataxia Prevalência Média no Brasil (casos por 100.000)
SCA1 0,2 a 0,5 (2 a 5 casos por 1.000.000)
SCA2 0,7 a 1,1 (7 a 11 casos por 1.000.000)
SCA3 3,0 a 5,6 (30 a 56 casos por 1.000.000)
SCA7 0,1 a 0,3 (1 a 3 casos por 1.000.000)
Observações:
• A SCA3 (Doença de Machado-Joseph) é a forma mais comum de ataxia espinocerebelar no Brasil, com prevalência especialmente alta em algumas comunidades com descendência açoriana, especialmente no Sul e Sudeste do país, devido ao "efeito fundador" (migração histórica de pessoas de regiões do mundo com maior frequência da mutação).
• A SCA2 também possui prevalência significativa em algumas regiões, especialmente no sul e sudeste do país, embora seja menos comum que a SCA3.
• A SCA1 e a SCA7 têm prevalência menor, mas estão presentes em várias regiões brasileiras, principalmente em populações com histórico genético conhecido.
Observar que a subnotificação de casos de ataxia no Brasil é muito grande. Muitos pacientes com ataxias causadas por mutações genéticas não têm acesso a exames de DNA que permitam o diagnóstico preciso do tipo de ataxia. Há também pacientes com ataxias que não são hereditárias (são adquiridas por diferentes causas) ou para as quais os genes responsáveis ainda não foram identificados, para as quais não exista ainda teste molecular que permita o diagnóstico.
Conteúdo gerado com apoio de Inteligência Artificial.
Última atualização: 12/11/2024
QUAL É O IMPACTO NA SAÚDE DE CUIDADORES DE PESSOAS COM ATAXIAS?
O impacto na saúde de cuidadores de pacientes com doenças raras e graves é significativo, afetando tanto o bem-estar físico quanto o psicológico. Cuidar de alguém em uma situação dessas muitas vezes envolve longas horas de dedicação, altos níveis de estresse e um impacto emocional profundo. Aqui estão alguns dos principais efeitos:
1. Saúde Mental:
• Estresse crônico: Cuidadores frequentemente lidam com estresse constante devido às responsabilidades e incertezas associadas à condição do paciente.
• Depressão e ansiedade: A carga emocional de cuidar de alguém com uma doença grave ou rara pode levar a um aumento de problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade.
• Isolamento social: O tempo dedicado aos cuidados pode diminuir o contato social, levando ao isolamento, o que agrava os problemas de saúde mental.
2. Saúde Física:
• Fadiga e esgotamento: Cuidadores muitas vezes sacrificam o próprio descanso, resultando em esgotamento físico e mental.
• Problemas musculoesqueléticos: Realizar tarefas físicas, como ajudar o paciente a se mover ou realizar atividades diárias, pode causar dores nas costas, articulações e músculos.
• Comprometimento do sistema imunológico: O estresse e a falta de descanso podem enfraquecer o sistema imunológico, tornando o cuidador mais suscetível a doenças.
3. Impacto Econômico e Social:
• Dificuldades financeiras: Muitos cuidadores acabam reduzindo a carga de trabalho ou até deixando seus empregos para se dedicarem ao cuidado, o que pode gerar estresse financeiro.
• Desequilíbrio vida-trabalho: A falta de tempo para si mesmos, junto com a necessidade de equilibrar o cuidado com outras responsabilidades, pode resultar em exaustão.
4. Sobrecarga emocional:
• Culpa e frustração: Cuidadores podem sentir culpa por não conseguirem dar atenção suficiente a outras áreas da vida ou por não verem melhorias na condição do paciente. A frustração de não ter controle sobre a doença também é comum.
• Luto antecipatório: Em doenças graves, os cuidadores podem enfrentar o luto antecipado, preparando-se emocionalmente para a possível perda do ente querido.
5. Suporte Insuficiente:
• Muitos cuidadores relatam a falta de suporte profissional ou emocional adequado, aumentando a sensação de estarem sobrecarregados e sozinhos na jornada de cuidado.
Para mitigar esses impactos, é essencial que cuidadores recebam suporte psicológico, tenham acesso a programas de descanso e possuam redes de apoio, tanto familiares quanto de profissionais da saúde. Políticas públicas e organizações de apoio também desempenham um papel importante no alívio dessa carga.Há grupos de suporte específicos para parentes e cuidadores que podem ajudar, bem como buscar aconselhamento psicológico.
Há grupos de suporte específicos para parentes e cuidadores que podem ajudar, bem como buscar aconselhamento psicológico.
Resposta gerada com apoio de IA Generativa (ChatGPT).
Última atualização: 16/10/2024
COMO COMPRAR VEÍCULOS ADAPTADOS (PCD)?
A pessoa PCD interessada em comprar um veículo adaptado e com descontos de impostos federais (como o IPI) e estaduais (como o IPVA e o ICMS) deve primeiro pesquisar o modelo que deseja adqurir e ir na concessionária, perguntando pelo "vendedor que atende PCD" (a pessoa ou setor que tem experiência na venda deste tipo de veículo, já familiarizada com a burocracia).
Segundo a legislação vigente, há um teto – atualmente, em torno de R$ 120.000,00 – para que o veículo se enquadre nos benefícios fiscais. Esse limite pode ser objeto de atualizações ou exceções (por exemplo, conforme o tipo de veículo ou a legislação de cada estado). Assim, é prudente confirmar o valor limite por meio das fontes oficiais.
De modo geral, vários documentos precisam ser apresentados:
• Laudo atestando a deficiência que precisa ser emitido por um médico credenciado pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran). O laudo deve descrever a deficiência e precisa conter o CID (Código Internacional de Doenças).
• Se o próprio PCD for o condutor, é obrigatório apresentar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) especial, emitida pelo Detran.
• Se o PCD que está comprando o carro não for o condutor, é preciso apresentar uma declaração que identifique quem exercerá a função de condutor. Essa declaração pode ser obtida por meio de formulários disponibilizados pela Receita Federal ou diretamente na concessionária.
• Documentos de identificação como CPF e RG.
• Comprovante de residência.
• Requerimento de isenção de impostos - aqui há os impostos federais (como IPI) e os impostos estaduais (ICMS e IPVA). Estes requerimentos podem ser requisitados pela Internet no site Receita Federal (IPI) e da Secretaria da Fazenda do Estado onde a pessoa mora (ICMS e IPVA)
Ou seja, o pedido de isenção deve ser feito separadamente para cada tributo. Para o IPI (imposto federal), a solicitação é feita no site da Receita Federal; enquanto que, para os impostos estaduais – como ICMS e IPVA – o procedimento ocorre junto à Secretaria da Fazenda do Estado de residência.
É importante consultar as orientações atualizadas nos sites oficiais (Detran, Receita Federal e Secretaria da Fazenda do respectivo estado) ou diretamente na concessionária especializada em atendimento a PCD. Isso garantirá que eventuais alterações na legislação ou procedimentos específicos sejam corretamente observadas.
Última atualização: 13/03/2024
PARA QUE SERVE O CORDÃO GIRASSOL?
O cordão de girassol é um acessório verde com desenhos de girassóis amarelos que identifica pessoas com deficiências ocultas. O uso do cordão é opcional e não substitui a apresentação de documentos comprobatórios de deficiência.
O cordão de girassol foi instituído como símbolo nacional de identificação no Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015). Ele ajuda a facilitar a comunicação e o atendimento adequado a pessoas com deficiências não visíveis, como autismo, surdez, demência, esquizofrenia, epilepsia e algumas deficiências intelectuais. Entretanto, também é utilizado por pacientes com ataxia, que desejam dar maior visibilidade para a sua condição.
O cordão de girassol pode ser encontrado em sites e lojas nacionais ou internacionais na internet, como por exemplo na Shoppe ou no Mercado Livre. Ver por exemplo https://br.shp.ee/zZrvdHo
Alguns benefícios do uso do cordão de girassol são: Direito à atenção especial, Isenção de justificativas e explicações, Atendimento prioritário e humanizado, Oferecimento de um serviço personalizado.
A norma também exige que serviços públicos e privados treinem profissionais para reconhecer e prestar o atendimento adequado às pessoas com o cordão.
Conteúdo gerado com apoio de inteligência artificial.
Última atualização: 15/11/2024
ONDE CONSEGUIR CADEIRA DE RODAS GRATUITAMENTE?
Todo brasileiro tem direito a órteses, andador e cadeira de rodas gratuitamente pelo SUS
A partir do estabelecido na Constituição Federal e na Lei Orgânica de Saúde, nº 8.080 de 16.09.90, foi firmado o entendimento que “o atendimento integral à saúde é um direito da cidadania” e abrange a atenção primária, secundária e terciária, com garantia de fornecimento de equipamentos necessários para a promoção, prevenção, assistência e reabilitação.
As pessoas com mobilidade reduzida podem solicitar bengala, andador ou cadeira de rodas pelo SUS por meio da Secretaria de Saúde do Estado, com o programa de atenção à saúde da pessoa com deficiência.
Para solicitar cadeira de rodas (ou andador etc.) o primeiro passo é realizar uma inscrição prévia na Secretaria de Saúde do seu município, o que pode ser feita nos postos de saúde.
A inscrição pode ser realizada tanto pela própria pessoa que deseja o benefício, quanto pelo responsável por ela. São necessários os seguintes documentos do paciente: O cartão SUS, a cópia de documentos e de comprovante de endereço; e a prescrição médica.
Para conseguir a prescrição para a cadeira de rodas (andador etc.) é necessário que o paciente seja consultado por profissional da saúde da Rede SUS, o que pode ser agendado no posto de saúde. O médico do SUS vai fazer a avaliação médica e prescrever o equipamento adequado em função da necessidade de cada pessoa: cadeira de rodas (manual ou motorizada), órtese, prótese, bengala, etc.
De posse da recomendação do médico a pessoa pode pedir a cadeira na Secretaria de Saúde ou em um Posto de Saúde do seu Estado, e aguardar o deferimento ou não da solicitação.
Caso a pessoa não tenha seu direito reconhecido pode acionar a justiça.
Para conseguir cadeira de rodas pelo SUS
https://www.deficienteciente.com.br/como-conseguir-cadeira-de-rodas-motorizada-pelo-sus.html
Outras formas de conseguir bengalas, andadores, cadeiras de rodas, cadeiras de banho, camas hospitalares e outras assistências gratuitamente ou por empréstimo:
SÃO PAULO
Clube da Bengala - Projeto da Assumme (Associação Para Um Mundo Melhor) - Empréstimo (compartilhamento) gratuito de equipamentos de apoio (bengala, andador, muleta, cadeira de rodas, cadeira de banho, cama hospitalar etc.).
https://www.facebook.com/groups/clubedabengala/?locale=pt_BR
MINAS GERAIS (Uberlândia)
APROVEH (Associação Profissionalizante com Valores Educacionais e Humanos)
Empréstimo de Equipamentos de forma gratuita:
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Última atualização: 25/08/2023
QUEM TEM ATAXIA PODE FAZER A NOVA IDENTIDADE CIVIL E SOLICITAR O CARTÃO PCD?
Sim, desde que o devido laudo médico com o CID seja apresentado ao DETRAN. É possível para quem tem diagnóstico de ataxia e tiver interesse fazer a nova carteira de identidade no DETRAN sem custo, e requisitar o Cartão PCD, que traz o CID10 da ataxia e identifica oficialmente o portador como PCD, o que pode facilitar o acesso a certos direitos e facilidades disponíveis por lei para esta comunidade.
É preciso agendar no DETRAN do seu estado e apresentar laudo médico. Para o caso do DETRAN-RJ ver informações em https://www.detran.rj.gov.br/todos-os-servicos/servicos-dic/carteira-para-pessoa-com-deficiencia.html
Última atualização: 25/02/2025
QUEM TEM ATAXIA PODE SE APOSENTAR?
Sim, pacientes com ataxia podem se aposentar pelo INSS, dependendo das condições específicas da doença e de como ela impacta a capacidade de trabalho. A ataxia é uma condição neurológica que afeta a coordenação motora e pode comprometer significativamente as atividades diárias e a função laboral da pessoa. Para a aposentadoria, existem dois principais caminhos possíveis:
• Aposentadoria por incapacidade permanente (antiga aposentadoria por invalidez): Se o paciente com ataxia for considerado totalmente incapaz de exercer qualquer atividade laboral e essa condição for considerada irreversível, ele pode solicitar a aposentadoria por invalidez. A incapacidade precisa ser comprovada por laudos médicos, exames e uma avaliação pericial do INSS.
• Benefício por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença): Se a incapacidade for temporária ou se ainda houver possibilidade de reabilitação ou tratamento, o paciente poderá receber esse benefício enquanto estiver incapacitado para o trabalho. Nesse caso, o INSS também realizará uma perícia médica para verificar a extensão da incapacidade.
Para ser elegível, o paciente deve cumprir alguns requisitos, como ter a qualidade de segurado (estar contribuindo ou ter contribuído recentemente ao INSS) e, em alguns casos, o cumprimento de uma carência mínima de 12 meses de contribuições, salvo em doenças graves, que podem isentar essa carência. Embora a ataxia não esteja listada como uma das doenças que isentam automaticamente a carência, dependendo da gravidade e da incapacidade que ela provoca, pode ser possível solicitar a aposentadoria ou benefício.
Cada caso é avaliado individualmente pelo INSS, e a recomendação é que o paciente tenha laudos médicos detalhados para comprovar a incapacidade.
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EXISTEM LEIS NO BRASIL QUE PODEM AJUDAR QUEM TEM ATAXIA?
Sim, existem leis, decretos e portarias em vigor, bem como alguns projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional que se referem especificamente à ataixas, e outras legislações que tratam de doenças raras e graves de modo geral. Como exemplo, podemos citar LEI Nº 13.146/88, DECRETO Nº 11.793/2023, Portaria n.º 199/2014, Decreto n.º 6.949/2009, Lei n.º 8.213/1991, Lei 7.713/88, Lei 10.754/2003, Lei n.º 8.080/1990, Lei 13.135/2015 e PL 6500/2019.
Seguem mais informações.
LEI Nº 13.146/88
Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (também conhecida como Estatuto da Pessoa com Deficiência), é destinada a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania.. Ela estabelece direitos e garantias às pessoas com deficiência, promovendo sua inclusão social e cidadania. Entre os principais pontos estão:
• Acessibilidade em espaços públicos e privados.
• Igualdade de oportunidades em educação, trabalho, saúde e transporte.
• Medidas de proteção contra discriminação.
Ver https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm
DECRETO Nº 11.793/2023
Institui o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência - Novo Viver sem Limite. Esse decreto tem como objetivo promover a inclusão e acessibilidade de pessoas com deficiência por meio de ações em áreas como educação, saúde, inclusão social e acessibilidade. O programa visa reduzir barreiras físicas e sociais e melhorar o acesso a serviços públicos.
Ver https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2023/decreto/d11793.htm
Portaria n.º 199/2014
Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doenças Raras. Estabelece diretrizes para o atendimento e tratamento de pessoas com doenças raras no SUS, garantindo o acesso a diagnóstico, tratamento e medicamentos de alto custo. A portaria inclui duas categorias principais de doenças raras: genéticas e não-genéticas. Além disso, incentiva a pesquisa e a capacitação de profissionais de saúde.
Ver https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2014/prt0199_30_01_2014.html
Decreto n.º 6.949/2009
Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Esse decreto incorporou à legislação brasileira os termos da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, da ONU, assegurando que o Brasil adote práticas que promovam a dignidade, a autonomia e os direitos humanos das pessoas com deficiência, incluindo aquelas com doenças raras.
Ver https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/decreto/d6949.htm
Lei n.º 8.213/1991 - Benefício de Prestação Continuada (BPC)
Essa lei garante o BPC, um benefício assistencial pago pelo INSS a pessoas com deficiência e idosos que não tenham condições de se sustentar. O benefício é de um salário mínimo, destinado a quem comprovar renda familiar insuficiente para garantir a sobrevivência.
Ver https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8213cons.htm
Lei 7.713/88
Garante o direito à isenção do Imposto de Renda para aposentados, pensionistas, beneficiários da previdência privada, militares reformados ou na reserva remunerada, desde que sejam portadores de uma ou mais doenças graves previstas em seu rol. INFELIZMENTE, as ataxias ainda não constam na lista de doenças graves (o que é absurdo), e por conta disso a Receita Federal se nega a conceder isenção para quem a requer apresentando laudos médicos de ataxia.
Ver https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l7713.htm
Lei 10.754/2003
A Lei 10.754/2003 alterou a Lei 8.989/1995, que dispõe sobre a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na aquisição de veículos. A lei foi publicada no Diário Oficial da União em 3 de novembro de 2003. Aborda a isenção de IPI na compra de automóveis novos para utilização no transporte autônomo de passageiros, bem como por pessoas portadoras de deficiência física e aos destinados ao transporte escolar.
Ver https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.754.htm
Lei n.º 8.080/1990 - Lei Orgânica da Saúde
Embora seja a lei que estrutura o Sistema Único de Saúde (SUS), é fundamental para o acesso de pessoas com doenças raras a tratamentos e medicamentos. Ela garante o direito à saúde, inclusive para condições de difícil manejo, como doenças raras, assegurando que o Estado forneça cuidados adequados.
Ver https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm
Lei 13.135/2015
A Lei 13.135/2015 trata da reforma de regras sobre pensões por morte e auxílio-reclusão no Brasil, modificando a legislação anterior para reduzir fraudes e controlar gastos no sistema de previdência. Ela foi sancionada em 17 de junho de 2015 e trouxe mudanças importantes nas condições de concessão desses benefícios. O foco foi manter a proteção aos dependentes de segurados falecidos ou presos, mas com critérios mais rigorosos para evitar abusos no sistema previdenciário. Essas mudanças representaram uma tentativa de equilibrar o sistema previdenciário diante do envelhecimento da população e do aumento dos gastos sociais no Brasil
Ver https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/L13135.htm
PL 6500/2019
Projeto de Lei de Marreca Filho que altera as Leis nº 7.713, de 1988; 8.036, de 1990; 8.112, de 1991; e 8.213, de 1991, para considerar "doença grave" a doença de Machado-Joseph (ataxia espinocerebelar autossômica dominante tipo 3), com fins de isenção do imposto de renda sobre rendimentos provenientes de aposentadoria ou reforma, movimentação da conta vinculada do trabalhador no FGTS, concessão de aposentadoria por invalidez permanente e de auxílio-doença independentemente de carência.
Ver https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2234583&fichaAmigavel=nao
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Última atualização: 16/10/2023
O QUE FAZ A CONITEC?
A CONITEC (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) é um órgão do Ministério da Saúde do Brasil responsável por avaliar e recomendar a incorporação de novas tecnologias em saúde ao Sistema Único de Saúde (SUS). A sua função principal é garantir que os medicamentos, procedimentos, equipamentos e outras tecnologias sejam eficazes, seguros e custo-efetivos para serem utilizados no SUS.
Principais funções da CONITEC:
• Avaliação de Tecnologias: Realiza análises técnicas sobre novas tecnologias em saúde, considerando evidências científicas sobre a eficácia e segurança, além de aspectos econômicos.
• Recomendações: Emite pareceres sobre a incorporação, exclusão ou alteração de tecnologias no SUS, influenciando a disponibilidade de tratamentos e intervenções no sistema de saúde pública.
• Normatização: Participa da definição de diretrizes e normas para a utilização de tecnologias de saúde no SUS.
• Transparência e Participação: A CONITEC promove a participação da sociedade civil e de especialistas nas discussões sobre a incorporação de tecnologias, garantindo um processo transparente.
A CONITEC é fundamental para o SUS, pois suas decisões impactam diretamente a lista de medicamentos e tratamentos disponíveis para a população. A comissão busca assegurar que os recursos do SUS sejam utilizados de forma eficiente e que os pacientes tenham acesso a tecnologias que realmente tragam benefícios à saúde. O trabalho da CONITEC é essencial para a atualização constante do sistema e para a adaptação às novas evidências científicas e necessidades de saúde da população.
Última atualização: 16/10/2024
HÁ DESCONTO PARA ACOMPANHANTES DE PCD EM PASSAGEM AÉREA?
Sim, o acompanhante de pessoas com deficiência ou necessidades especiais de atendimento tem direito a um desconto de pelo menos 80% na passagem aérea. Essa medida é válida para voos nacionais e internacionais com origem no Brasil, e é regulamentada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), através da Resolução nº 9, de 5 de junho de 2007.
Para obter o desconto, é necessário:
• Apresentar um laudo médico que comprove a necessidade de assistência
• Preencher o formulário padrão MEDIF fornecido pela empresa aérea
• Informar a necessidade de acompanhante na hora da reserva da passagem
• O acompanhante deve ser maior de 18 anos e ter condições de prestar auxílio. A pessoa que precisa do acompanhante deve comprar a passagem primeiro.
O desconto de 80% é válido para qualquer tipo de viagem, seja a trabalho, lazer ou por alguma questão médica.
Além do formulário MEDIF, existe também o FREMEC. Tanto o MEDIF quanto o FREMEC são formulários ou documentos que atestam a condição médica de passageiros com necessidades especiais, e que visam garantir uma viagem segura e confortável:
• MEDIF - Sigla para Medical Information Form, é um formulário que deve ser preenchido para cada viagem. O MEDIF exige um laudo médico recente e é válido apenas para uma única viagem.
• FREMEC - Sigla para Frequent Traveller Medical Card, é um cartão que registra informações médicas permanentes ou recorrentes do passageiro, sendo válido por um período determinado. O FREMEC exige um laudo médico permanente e é mais voltado para viajantes frequentes.
Para obter o desconto de acompanhante, é necessário enviar o relatório médico e o formulário (MEDIF ou FREMEC) para a companhia aérea. O departamento médico da companhia irá analisar e responder.
Cada companhia aérea possui procedimento próprio para aprovação da documentação médica. Assim, é recomendável acessar diretamente o site de cada empresa para checar informações e orientações específicas.
Última atualização: 06/11/2024
O QUE É PROTEÍNA LEVE DE NEUROFILAMENTO (NFL)?
A proteína leve de neurofilamento (NFL) é uma das três principais subunidades dos neurofilamentos, que são componentes estruturais essenciais do citoesqueleto dos neurônios. Essa proteína é liberada no líquido cefalorraquidiano e no sangue quando há danos aos axônios dos neurônios, sendo um biomarcador importante para várias condições neurológicas.
Funções e Características
• Estrutura e suporte axonal: A NFL ajuda a manter a integridade estrutural dos axônios, que são as longas projeções dos neurônios responsáveis por conduzir os impulsos nervosos. Ela contribui para a rigidez e estabilidade desses axônios, o que é essencial para o bom funcionamento dos neurônios.
• Biomarcador de lesão neuronal: A NFL se tornou um biomarcador amplamente estudado para danos ao sistema nervoso central (SNC) e periférico. Quando há lesões axonais, como em doenças neurodegenerativas, esclerose múltipla, traumatismos cranianos, e outras condições neurológicas, a NFL é liberada no líquido cefalorraquidiano e no sangue, permitindo sua medição.
Importância Clínica
A NFL tem sido usada como um indicador precoce de neurodegeneração em várias condições, incluindo:
• Esclerose múltipla (EM): Níveis elevados de NFL no sangue ou no líquido cefalorraquidiano são usados para monitorar a progressão da doença e a resposta ao tratamento.
• Doença de Alzheimer: A NFL pode ajudar a prever a progressão da demência e a gravidade da neurodegeneração.
• Traumatismo craniano: A NFL é liberada após danos axonais e pode ser um indicador da gravidade da lesão.
• Esclerose lateral amiotrófica (ELA): Níveis elevados de NFL estão associados à progressão rápida da ELA, ajudando no prognóstico da doença.
• A proteína leve de neurofilamento (NFL) pode ser usada como um biomarcador em ataxias, especialmente em tipos de ataxias associadas à neurodegeneração, como as ataxias espinocerebelares (SCA). Níveis elevados de NFL são encontrados no sangue e no líquido cefalorraquidiano quando ocorre dano axonal, o que é comum em várias condições neurodegenerativas, incluindo as ataxias hereditárias.
Por sua capacidade de refletir o dano axonal em tempo real, a NFL é uma ferramenta promissora tanto para o diagnóstico quanto como biomarcador para o monitoramento de várias doenças neurodegenerativas e lesões no sistema nervoso, incluindo ataxias.
Ver artigo "Instantâneo: O que é proteína leve de neurofilamento (NFL)?"
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Última atualização: 07/05/2023
O QUE É O CORTEX CEREBRAL, E QUAL SUA RELAÇÃO COM AS ATAXIAS?
O córtex cerebral é a camada mais externa do cérebro, composta por substância cinzenta (neurônios e conexões), e é responsável por funções cognitivas complexas, como pensamento, percepção sensorial, memória, tomada de decisão, e controle motor (planejamento, controle e execução dos movimentos voluntários). Ele está dividido em diferentes áreas, cada uma delas especializada em funções como o controle motor, processamento sensorial e funções associativas. As principais áreas incluem o córtex motor, córtex somatossensorial, córtex visual, córtex auditivo, e o córtex pré-frontal, entre outros.
As ataxias afetam primariamente a coordenação motora, e o córtex cerebral, especialmente o córtex motor, pode estar envolvido de maneira secundária nesses processos. Embora o principal local afetado nas ataxias seja o cerebelo — responsável pela coordenação motora fina, equilíbrio e controle postural — o córtex cerebral interage com o cerebelo para o controle motor eficiente.
O córtex cerebral e o cerebelo estão interconectados por meio de um circuito que permite o controle e a correção dos movimentos. O córtex cerebral envia sinais para o cerebelo, que, por sua vez, processa esses sinais e ajusta a precisão dos movimentos através de feedback ao córtex motor. Nas ataxias, esse feedback é prejudicado devido à degeneração das células cerebelares, resultando em movimentos descoordenados e desequilibrados.
As ataxias, ao afetarem o cerebelo, comprometem também a integração entre o planejamento motor (feito pelo córtex motor) e a execução adequada dos movimentos. Assim, o córtex pode continuar a enviar comandos motores, mas a capacidade do cerebelo de refinar esses comandos é perdida, levando a movimentos imprecisos.
O córtex cerebral pode, em alguns casos, tentar compensar a perda de função do cerebelo. Isso acontece através de mecanismos de plasticidade neural, onde outras áreas do cérebro são recrutadas para tentar melhorar a função motora. No entanto, essa compensação geralmente não é suficiente para restaurar totalmente o controle motor fino perdido nas ataxias.
Implicações clínicas:
• Nas ataxias espinocerebelares e em outras condições similares, a interação entre o córtex cerebral e o cerebelo é crucial para a manifestação dos sintomas. Mesmo que o córtex cerebral em si não seja diretamente afetado em muitos tipos de ataxias, sua função está intimamente ligada à capacidade do cerebelo de ajustar e refinar os movimentos.
• Estudos de neuroimagem mostram que, em alguns tipos de ataxias, além do cerebelo, pode haver atrofia e disfunção em áreas do córtex cerebral, especialmente o córtex motor. Isso pode agravar os sintomas motores e contribuir para déficits em outras funções cognitivas.
Em resumo, o córtex cerebral desempenha um papel essencial no planejamento e controle dos movimentos, e sua interação com o cerebelo é crucial para o funcionamento motor. Nas ataxias, a disfunção do cerebelo afeta essa comunicação, resultando em movimentos descoordenados.
Ver artigo "Instantâneo: O que é o córtex cerebral?"
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Última atualização: 18/08/2023
O QUE SÃO ASTRÓCITOS?
Astrócitos são um tipo de célula glial encontrada no sistema nervoso central (SNC). Eles desempenham várias funções essenciais para o funcionamento adequado dos neurônios e para a manutenção da homeostase cerebral. Os astrócitos estão entre as células gliais mais abundantes no cérebro humano, e sua importância vai muito além de simplesmente fornecer suporte estrutural.
Funções principais dos astrócitos
• Suporte estrutural: Os astrócitos fornecem uma rede de suporte físico para os neurônios, ajudando a manter a organização das células no tecido cerebral.
• Regulação do ambiente extracelular: Eles ajudam a manter o equilíbrio de íons, como potássio (K+), no ambiente extracelular, crucial para a transmissão elétrica normal entre os neurônios.
• Formação da barreira hematoencefálica: Os astrócitos são fundamentais na manutenção da barreira hematoencefálica, que controla a passagem de substâncias do sangue para o cérebro. Eles ajudam a regular o transporte de nutrientes e a impedir a entrada de toxinas e patógenos no SNC.
• Reciclagem de neurotransmissores: Essas células captam e reciclam neurotransmissores liberados nas sinapses, como o glutamato, ajudando a prevenir a excitotoxicidade, que pode causar danos aos neurônios.
• Metabolismo energético: Os astrócitos desempenham um papel crucial no fornecimento de energia aos neurônios, metabolizando glicose em lactato, que é utilizado pelas células nervosas como combustível.
• Resposta imune e inflamatória: Em resposta a lesões ou doenças, os astrócitos podem se ativar e desempenhar um papel na inflamação cerebral, tanto para proteger o tecido quanto para reparar danos. Esse processo é chamado de astrogliose ou reativa.
• Neurogênese: Em algumas regiões do cérebro, os astrócitos podem ajudar a promover a formação de novos neurônios, contribuindo para a plasticidade cerebral e para a capacidade de regeneração neural.
Disfunções nos astrócitos estão associadas a várias doenças neurológicas, incluindo:
• Esclerose múltipla
• Doença de Alzheimer
• Esclerose lateral amiotrófica (ELA)
• Epilepsia
Relação dos astrócitos com as ataxias
Os astrócitos também desempenham um papel importante nas ataxias, especialmente nas ataxias espinocerebelares (SCA) e na ataxia de Friedreich, que envolvem a degeneração de neurônios no cerebelo e outras regiões do sistema nervoso central. Embora as ataxias sejam, em sua maioria, caracterizadas pela perda de função neuronal, há evidências crescentes de que os astrócitos, que atuam como células de suporte, também desempenham um papel significativo no processo neurodegenerativo dessas doenças
A compreensão do papel dos astrócitos nas ataxias abre portas para potenciais abordagens terapêuticas. Por exemplo, intervenções que possam restaurar a função saudável dos astrócitos, melhorar o suporte energético ou reduzir a inflamação e a excitotoxicidade podem retardar a progressão dos sintomas das ataxias. Em alguns estudos pré-clínicos, modulações genéticas ou farmacológicas dos astrócitos mostraram resultados promissores para mitigar o impacto da neurodegeneração em modelos de ataxia.
Resumindo, os astrócitos são essenciais para o funcionamento saudável do sistema nervoso, agindo como "guardiões" dos neurônios, regulando o ambiente neural e participando ativamente de processos de reparo e homeostase no cérebro. Essas células são cada vez mais reconhecidas como componentes-chave em doenças neurodegenerativas, tanto por sua função protetora quanto por seu papel em processos patológicos.
Ver artigo "Instantâneo: O que são astrócitos?"
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Última atualização: 16/10/2024
O QUE É NISTAGMO?
O nistagmo é uma condição neurológica caracterizada por movimentos involuntários e repetitivos dos olhos, que podem ocorrer em diferentes direções: horizontal, vertical ou rotacional. Esses movimentos podem ser rápidos ou lentos, e geralmente afetam a capacidade de foco e a visão estável.
Tipos de Nistagmo:
• Congênito: Presente desde o nascimento ou que se manifesta nos primeiros meses de vida. Muitas vezes, está associado a outras condições oculares, como catarata congênita ou albinismo.
• Adquirido: Surge ao longo da vida e pode ser causado por diversas condições, como:
o Lesões cerebrais: Dano ao tronco cerebral, cerebelo ou medula oblonga.
o Distúrbios vestibulares: Problemas no ouvido interno, que afetam o equilíbrio.
o Doenças neurológicas: Como ataxias, esclerose múltipla, tumor cerebral ou AVC.
o Uso de medicamentos ou álcool: Alguns fármacos ou consumo excessivo de álcool podem desencadear nistagmo temporário.
Pessoas com nistagmo podem ter dificuldade em manter uma visão estável, o que pode causar:
• Tontura e desequilíbrio.
• Dificuldade para enxergar objetos claramente.
• Visão oscilante ("imagem tremida").
O tratamento do nistagmo depende de sua causa subjacente. Se a condição for causada por um distúrbio vestibular ou neurológico, tratar essa condição pode ajudar a reduzir os sintomas. Alguns casos podem requerer óculos especiais, medicamentos ou, em raras situações, cirurgia.
Ver artigo "Instantâneo: O que é nistagmo?"
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Última atualização: 07/05/2023
O QUE SÃO CÉLULAS DE PURKINJE?
As células de Purkinje são neurônios localizados no córtex cerebelar, a região externa do cerebelo. Elas desempenham um papel crítico na coordenação motora e no equilíbrio, funcionando como neurônios inibitórios que regulam os sinais que entram e saem do cerebelo.
Características das células de Purkinje
• Estrutura complexa: Essas células são grandes e têm uma árvore dendrítica altamente ramificada, o que lhes permite receber e processar uma enorme quantidade de informações. Seus dendritos se conectam a milhares de outras células do cerebelo.
• Função inibitória: As células de Purkinje utilizam o neurotransmissor GABA (ácido gama-aminobutírico), que tem um efeito inibitório sobre outros neurônios. Isso significa que elas reduzem a atividade das células para as quais enviam sinais, o que é essencial para o controle preciso dos movimentos.
• Regulação dos movimentos: Como parte da rede neural do cerebelo, as células de Purkinje recebem informações sobre os movimentos planejados e enviam sinais inibitórios para ajustar e coordenar a atividade motora. Elas ajudam a regular a precisão, o tempo e a força dos movimentos.
• Conexões com o córtex cerebral e o tronco cerebral: Essas células transmitem informações através dos núcleos cerebelares profundos, que por sua vez se conectam ao córtex cerebral e ao tronco cerebral, áreas envolvidas no planejamento e execução dos movimentos.
As células de Purkinje estão envolvidas em várias doenças neurodegenerativas que afetam a coordenação motora, como as ataxias espinocerebelares (SCA) e a ataxia de Friedreich. A perda ou disfunção dessas células é um dos fatores centrais que levam à falta de coordenação motora, tremores e outros sintomas observados nessas condições. A morte progressiva das células de Purkinje é uma característica importante de muitas ataxias hereditárias.
A função das células de Purkinje está sendo investigada como alvo potencial para terapias de neuroproteção ou regeneração, visando retardar a degeneração em doenças como as ataxias cerebelares. Além disso, entender o papel dessas células pode ajudar no desenvolvimento de novos tratamentos que visem restaurar a função motora.
Ver artigo "Instantâneo: O que são células de Purkinje?"
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Última atualização: 07/05/2023
O QUE SÃO CÉLULAS-TRONCO PLURIPOTENTES INDUZIDAS?
As células-tronco pluripotentes induzidas (iPSCs) são células reprogramadas a partir de células somáticas, como fibroblastos, que podem se diferenciar em qualquer tipo celular do organismo. Elas têm a capacidade de se transformar em várias células especializadas, o que as torna promissoras para pesquisas em regeneração de tecidos e terapias.
As iPSCs são células adultas reprogramadas para um estado pluripotente, semelhante ao das células-tronco embrionárias. Isso significa que elas têm a capacidade de se diferenciar em qualquer tipo de célula do corpo. Esse processo foi descoberto por Shinya Yamanaka, em 2006, revolucionando o campo da medicina regenerativa e abrindo possibilidades terapêuticas, sem os dilemas éticos associados ao uso de células embrionárias.
Importância para pacientes com ataxia
As células-tronco pluripotentes induzidas (iPSCs) são uma tecnologia de grande importância para o tratamento potencial de pacientes com ataxia, especialmente aquelas que fazem parte do grupo de ataxias espinocerebelares (SCA), que envolvem a degeneração progressiva de neurônios no cerebelo e outras áreas do sistema nervoso.
• Modelagem de doenças: As iPSCs podem ser derivadas de células de pacientes com ataxia e usadas para gerar neurônios afetados pela doença. Isso permite que cientistas estudem as causas moleculares e celulares da ataxia diretamente nas células dos pacientes. Esse método oferece um modelo mais preciso para entender como a doença progride e pode ajudar a desenvolver e testar novos medicamentos.
• Terapia celular: Em teoria, as iPSCs podem ser usadas para gerar novos neurônios ou células de suporte (como células gliais) e substituir aqueles que foram perdidos ou danificados pela doença. Para ataxias, como a ataxia de Friedreich ou SCAs, em que a perda de células cerebelares é significativa, a terapia celular pode ter o potencial de restaurar parte da função neurológica.
• Terapia gênica: As iPSCs também podem ser modificadas geneticamente para corrigir mutações responsáveis pela ataxia. Uma vez corrigidas, essas células podem ser diferenciadas em células neurais e transplantadas de volta ao paciente, potencialmente retardando ou interrompendo a progressão da doença.
• Criação de medicamentos personalizados: Outra aplicação crucial das iPSCs é a possibilidade de testar diferentes tratamentos em células derivadas dos próprios pacientes. Isso facilita o desenvolvimento de terapias personalizadas, onde os cientistas podem prever como um paciente específico responderá a um novo tratamento.
Avanços e Desafios
Embora as iPSCs ofereçam promessas consideráveis, ainda há desafios significativos a serem superados antes que essas terapias possam ser amplamente usadas. Isso inclui o desenvolvimento de métodos seguros para reprogramação celular, a garantia de que as células transplantadas não formem tumores, e a criação de protocolos eficazes para implantes em regiões cerebrais específicas afetadas pela ataxia. A tecnologia está em estágio avançado de pesquisa, mas mais estudos clínicos são necessários para garantir sua segurança e eficácia para os pacientes.
Ver artigo "O que são células-tronco pluripotentes induzidas (iPSCs)?"
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Última atualização: 16/10/2024
O QUE É A PONTE (PONS)?
A ponte (em Inglês, pons) é uma estrutura localizada no tronco cerebral, situada entre a medula oblonga (abaixo) e o mesencéfalo (acima). Ela desempenha um papel essencial na coordenação de várias funções vitais, atuando como uma via de comunicação entre diferentes partes do cérebro e do sistema nervoso.
Funções principais da ponte
• Conexão entre o cérebro e o corpo: A ponte serve como um ponto de passagem para sinais nervosos entre o córtex cerebral (responsável por funções motoras e sensoriais complexas) e a medula espinhal, que envia comandos para os músculos e recebe informações sensoriais.
• Controle da respiração: Juntamente com a medula oblonga, a ponte desempenha um papel fundamental na regulação do ritmo respiratório, ajustando a profundidade e a frequência da respiração.
• Coordenação motora: Ela está envolvida no controle motor, ajudando a coordenar os movimentos e o equilíbrio, especialmente por meio de suas conexões com o cerebelo.
• Sensações e funções motoras faciais: A ponte abriga núcleos importantes relacionados aos nervos cranianos, que controlam funções sensoriais e motoras do rosto, incluindo mastigação, audição, paladar, e movimentos dos olhos.
Estruturas relacionadas:
• Cerebelo: A ponte conecta o tronco cerebral ao cerebelo, ajudando a coordenar movimentos precisos e equilíbrio.
• Nervos cranianos: Alguns dos nervos cranianos (como o nervo trigêmeo e o nervo facial) têm suas origens na ponte, sendo responsáveis por funções sensoriais e motoras da face.
Por sua localização e função crítica, lesões ou doenças neurológicas que afetam a ponte podem ter consequências graves, como problemas respiratórios, paralisia, ou perda de sensações faciais.
Ver artigo "Instantâneo: O que é a ponte?"
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Última atualização: 07/05/2023
O QUE SÃO MITOCÔNDRIAS?
As mitocôndrias são organelas celulares responsáveis pela produção de energia na forma de ATP (adenosina trifosfato), a principal moeda energética das células. Elas são frequentemente chamadas de "usinas de energia" da célula porque geram a maior parte do ATP através do processo de respiração celular, que ocorre em suas membranas internas.
Funções principais das mitocôndrias
• Produção de energia (ATP): A função mais importante das mitocôndrias é a geração de ATP através da fosforilação oxidativa. Esse processo ocorre na membrana interna mitocondrial, onde a cadeia de transporte de elétrons utiliza os produtos do ciclo de Krebs para produzir ATP de maneira eficiente.
• Regulação do metabolismo celular: As mitocôndrias estão envolvidas no controle de várias vias metabólicas, incluindo o metabolismo de carboidratos e ácidos graxos. Elas desempenham um papel crucial no equilíbrio entre a produção e o consumo de energia nas células.
• Produção de calor (termogênese): Em certas condições, as mitocôndrias podem produzir calor ao invés de ATP. Isso é especialmente importante em organismos que utilizam a termogênese, como os mamíferos, para manter a temperatura corporal.
• Apoptose (morte celular programada): As mitocôndrias também têm um papel importante na regulação da apoptose, um processo de morte celular programada. Elas liberam fatores pró-apoptóticos que iniciam a cascata de destruição controlada da célula em resposta a danos ou estresse celular.
• Armazenamento de cálcio: Além disso, as mitocôndrias ajudam a regular a concentração de cálcio intracelular, o que é essencial para várias funções celulares, incluindo a contração muscular e a sinalização celular.
As mitocôndrias possuem seu próprio DNA (DNA mitocondrial), o que sugere que, em algum ponto da evolução, eram organismos independentes que formaram uma relação simbiótica com as células eucarióticas ancestrais. Esse DNA mitocondrial é herdado exclusivamente da mãe e é utilizado em estudos de genética evolutiva e investigação de doenças hereditárias.
A disfunção mitocondrial está associada a diversas doenças neurológicas, musculares e metabólicas, como as doenças mitocondriais, que são causadas por mutações no DNA mitocondrial ou nuclear que afetam as proteínas necessárias para a função normal das mitocôndrias. A falta de produção adequada de ATP devido a essas disfunções pode causar fadiga muscular, problemas neurológicos e outras complicações graves.
Em particular, há uma relação importante entre as mitocôndrias e as ataxias, diretamente ligada à disfunção energética celular, especialmente nas formas de ataxias que envolvem problemas no metabolismo energético neuronal, como a ataxia de Friedreich e outras ataxias mitocondriais.
A perda da capacidade das mitocôndrias de gerar energia de maneira eficiente em neurônios cerebelares, que têm alta demanda energética, causa a morte dessas células, resultando em sintomas progressivos de ataxia. Além disso, nas ataxias o estresse oxidativo causado pela disfunção mitocondrial é um fator crítico. O desequilíbrio na produção de radicais livres e antioxidantes pode levar a danos nas proteínas, lipídios e DNA celular. O cérebro, particularmente o cerebelo, é especialmente vulnerável a esse tipo de estresse, devido à alta atividade metabólica e menor capacidade antioxidante.
As mitocôndrias são essenciais para a vida celular, atuando como centros de produção de energia, reguladores do metabolismo e participantes da sinalização celular e morte programada. Compreender o papel das mitocôndrias nas ataxias abre caminho para abordagens terapêuticas focadas em restaurar a função mitocondrial, melhorar a produção de ATP ou reduzir o estresse oxidativo. Pesquisas estão explorando antioxidantes, moduladores energéticos, e até terapias gênicas como potenciais tratamentos para ataxias com envolvimento mitocondrial.
Ver artigo "Instantâneo: O que são mitocôndrias?"
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Última atualização: 17/05/2023
O QUE É A MEDULA OBLONGA?
A medula oblonga é a parte inferior do tronco cerebral, conectando o cérebro à medula espinhal. Ela está localizada logo acima da medula espinhal e abaixo da ponte, no tronco cerebral, e desempenha um papel vital no controle de várias funções autônomas e essenciais à vida, como:
• Controle respiratório: A medula oblonga regula a respiração, ajustando a frequência e a profundidade das respirações.
• Frequência cardíaca e pressão arterial: Ela controla a força e a frequência dos batimentos cardíacos, além de ajudar na regulação da pressão arterial.
• Reflexos involuntários: Ela coordena reflexos como o vômito, tosse, deglutição e espirro.
• Condução de sinais: A medula oblonga transmite impulsos nervosos entre o cérebro e a medula espinhal, facilitando a comunicação entre o sistema nervoso central e periférico.
Danos à medula oblonga (por acidentes ou em função de doenças neurodegenerativas) podem produzir diversos sintomas que podem inclusive ser fatais, já que ela é responsável por manter funções básicas que sustentam a vida.
Ver artigo "Instantâneo: O que é a Medula Oblonga?"
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Última atualização: 16/10/2024
ATAXIA PODE CAUSAR TRANSTORNOS MENTAIS?
Além de coordenação motora, o cerebelo também desempenha um papel nas nossas emoções também. Por conta disso, danos ao cerebelo produzidos por ataxais também podem produzir sintomas mentais (como deficiências em funções executivas, processamento visual espacial, linguagem e regulação de afeto). Os transtornos mentais derivados de ataxias são genericamente denominados de "Síndrome Cognitiva Afetiva Cerebelar" (Cerebellar Cognitive Affective Syndrome) e foram documentados pelo Dr. Jeremy D Schmahmann. Também podem se manifestar desordens de humor, ansiedade, agressividade, irritação etc. seja como sintoma, seja como resposta emocional de adaptação ao fato de estar com uma doença grave e ainda sem cura.
Em geral estes problemas cognitivos e afetivos não são muito graves e podem ser gerenciados. Porém em alguns tipos específicos de ataxias como a SCA17 os problemas cognitivos podem ser mais severos e requerem maior atenção (problemas de memória etc.).
Tanto pessoas que têm ataxias quanto seus familiares podem se beneficiar de saber que diferentes desordens psiquiátricas podem ocorrer como resultado direto da doença - pelo menos em parte, alguns problemas mentais não estão "na cabeça" dos atáxicos, mas no seu cérebro, e portanto eventuais explosões de irritação, alterações de humor, agressividade e outras dificuldades afetivas NÃO SÃO CULPA dos indivíduos com ataxias.
Esta percepção pode ajudar aos familiares, amigos e cuidadores em geral a desenvolver maior tolerância com eventuais desordens de humor. Tal como o médico deve ser procurado quando surgem sintomas motores e visuais típicos de ataxias (dificuldade de caminhar, diplopia, nistagmo, disartria, disfagia, dores neuropáticas etc.), o aparecimento de problemas mentais em atáxicos também deve ser reportado ao neurologista pois é possível melhorar substancialmente a qualidade de vida através de terapias, medicação, reabilitação, aconselhamento psicológico e, sobretudo, compreensão, cuidado e apoio dos familiares.
No caso específico da depressão, o Dr. David Lynch (um dos maiores especialistas do mundo em Ataxia de Friedreich) comentou recentemente que "a depressão é tratável, mas depende da vontade do paciente", e que hoje em dia existem medicamentos modernos que são eficazes como os SSRI (Selective Serotonin Reuptake Inhibitors ), como Citalopram, Fluoxetina, Paroxetina e Sertralina. Saiba mais sobre medicamentos para sintomas físicos e mentais das ataxias.
Para mais informações sobre a neuropsicologia das ataxias, veja
Seguem algumas referências sobre ataxia e saúde mental
Effect of ataxia on mental health – Q&A
Psychiatric disorders, spinocerebellar ataxia type 3 and CAG expansion
As Manifestações Depressivas na Doença de Machado-Joseph
Última atualização: 06/05/2023
TRAVAMENTOS AO CAMINHAR TÊM RELAÇÃO COM A ATAXIA?
Alguém com ataxia comentou em um webinar que era capaz de andar sem dispositivos de assistência (bengalas, andadores etc.), mas quando tinha que caminhar em linha reta (em filas por exemplo) ou precisava caminhar devagar, ele “congelava”, e seus movimentos ficavam rígidos e mais irregulares. O paciente perguntou se este era um sintoma comum nas ataxias, e se havia algo que pudesse ser feito para melhorar este sintoma.
A Dra. Susan Perlman (especialista em ataxias) respondeu que as dificuldades de caminhar podem se manifestar de formas diferentes nas ataxias. Por exemplo, algumas pessoas conseguem caminhar sem assistência, mas com os pés bem separados. Outros andam sem assistência, mas se “desviam” na rota (têm dificuldades em seguir em uma direção específica). Outros precisam andar bem devagar, pois precisam sentir um contato e controle melhor para evitar desvios. Já o caso de “congelamentos” (onde as pernas travam, ou fazem movimentos rígidos e descoordenados), especialmente quando se caminha devagar, ou em linhas retas, é usualmente associado com mudanças em uma área do cérebro chamada gânglio basal, que tem relação com os sintomas da doença de Parkinson.
Também pode acontecer este “travamento” se o tipo de ataxia que a pessoa tem for acompanhada por espasticidade, de forma que quando a pessoa não está se movendo (por exemplo, estiver sentada ou parada em pé por um tempo) as pernas podem ficar rígidas e a pessoa ter dificuldades em iniciar o movimento (é necessário relaxar a musculatura). A Dra. Perlman recomendou que os pacientes que têm este tipo de “travamento” conversem com seus neurologistas e fisioterapeutas para ver a melhor abordagem para tratar. Por exemplo, se estiverem presentes alguns sintomas de Parkinsionismo há medicamentos que podem ajudar, bem como exercícios de fisioterapia e um programa de exercícios especializado.
[Nota MG]: O gânglio basal é uma área do cérebro que, assim como o cerebelo, também tem relação com os nossos movimentos e que está diretamente envolvida na doença de Parkinson por exemplo. Em alguns tipos de ataxias (especialmente as ataxias genéticas) e na MSA (atrofia de múltiplos sistemas) podem ocorrer problemas no funcionamento do gânglio basal, o que pode causar um tipo de disfunção muscular chamado “distonia”.
Última atualização: 27/09/2023
ATAXIA CAUSA VISÃO DUPLA (DIPLOPIA)?
Um sintoma comum em ataxias é a visão dupla ou diplopia.
Vale destacar que a visão dupla (diplopia) causada por ataxia é diferente da visão dupla causada por outros fatores (problemas na tireoide por exemplo). A Dra. Susan Perlman explicou em um webinar que algumas causas (não todas!) de diplopia vêm dos músculos que controlam o movimento dos olhos. Problemas de tireoide podem afetar os músculos, e assim causar o problema. Porém, não é isso que ocorre na diplopia causada por ataxia. Neste caso, o que é afetado são os nervos que controlam os músculos que movimentam os olhos. Os músculos continuam saudáveis, mas a coordenação está prejudicada (problema neurológico). Apesar disso em ambos os casos tratamentos são semelhantes (por exemplo. óculos com lentes de prisma, injeções de botox), mas há certos medicamentos que funcionam melhor na diplopia causada por ataxia (em oposição à diplopia causada por danos aos músculos em si).
Sobre os óculos com lentes de prisma
Algumas pessoas perguntaram se com o uso continuado o óculos de prisma pode "parar de fazer efeito". A Dra. Perlman explicou que mesmo usando prisma a diplopia pode piorar com o tempo, ou surgirem outras complicações visuais, mas NÃO pelo fato de "ter usado muito o óculos", e sim por que a ataxia piorou. Se isso acontecer (o prisma não funciona mais para diplopia) pode-se fazer uma nova receita de óculos, ou se chegar a um ponto onde o prisma não resolve mais pode-se fazer uma cirurgia que corrige os músculos dos olhos.
Consultar um Neuro-oftalmologista!
Última atualização: 18/04/2023
O QUE É "SÍNDROME DA PERNAS INQUIETAS"?
É sabido que em ataxias episódicas e também nas ataxias hereditárias (genéticas) podem ocorrer movimentos e sensações estranhos nas pernas (e também nos braços). Não é uma dor, é como se algo estivesse “subindo” pela perna ou braço (“crawling”), ou um movimento involuntário. A Dra. Susan Perlman (especialista em ataxias) explicou em um webinar que algumas destas sensações podem ser efeitos colaterais de medicamentos, o que deve ser investigado.
Porém, há de fato possibilidade de quem tem ataxia desenvolver uma condição chamada “síndrome das pernas inquietas” (Restless legs syndrome (RLS)), que normalmente ocorre nas pernas e de noite, mas pode acontecer em outras partes do corpo e durante o dia também. Em geral estes sintomas são tratados com medicamentos que aumentam o nível de dopamina (como a Levodopa). Se estes sintomas surgirem, a pessoa deve discutir com o neurologista em busca da melhor abordagem para tratar. Fonte: [3]
Em outro webinar (Fonte: [6]) alguém perguntou sobre a síndrome das pernas inquietas. O Dr. Paulson explicou que é um sintoma comum em SCA3. É difícil descrever exatamente a sensação, que pode variar bastante entre pessoas, mas é um sentimento de desconforto que faz a pessoa mover as pernas. Ele recomendou conversar com o neurologista para ver se a Gabapentina pode ajudar. A Gabapentina em doses baixas (ex. até 300 mg) é bem tolerada, mas tem que ser uso contínuo e com acompanhamento. Não pode "tomar de vez em quando", se tiver o sintoma, depois parar, tomar de novo etc.
Ver também: Questão 3.20
Última atualização: 09/04/2023
ATAXIA PODE CAUSAR SALIVA EM EXCESSO?
Sim.
A produção de saliva é controlada pelo sistema nervoso. Por esse motivo, doenças neurológicas (incluindo as ataxias) podem causar a saliva em excesso.
Ao mesmo tempo a saliva produzida precisa ser engolida constantemente, assim doenças neurológicas que causam problemas de deglutição (como as ataxias) também causam aumento da saliva pela maior dificuldade em engolir.
O tratamento deste sintoma em casos mais graves envolve diferentes abordagens, como fonoaudiologia, medicamentos, aplicação de toxina botulínica (botox) nas glândulas salivares ou cirurgia em casos mais graves.
Alguns pacientes relatam que usam buscopan para secar a saliva - o neurologista deve ser consultado para indicar a melhor abordagem em casa caso.
Última atualização: 10/04/2023
A ATROFIA CEREBELAR OCORRE NA ATAXIA DE FRIEDREICH?
Dados recentes sugerem que a atrofia cerebelar significativa, no contexto clínico, não é uma característica da FRDA, embora medidas quantitativas possam detectar mudanças sutis. Dados volumétricos também podem sugerir atrofia da medula espinhal, mas isso pode ser difícil de detectar em exames clínicos (as ressonâncias magnéticas do cérebro e da medula espinhal geralmente são normais na FRDA).
As características estruturais típicas da FRDA (Ataxia de Friedreich) em exames radiográficos do cérebro e da medula espinhal são:
(i) afinamento da medula cervical (redução do diâmetro ântero-posterior), dependendo do estágio da doença;
(ii) leve atrofia cerebral; e
(iii) leve a moderada atrofia cerebelar.
Geralmente, a atrofia não é tão severa como em outras ataxias espinocerebelares.
Do ponto de vista da imagem (ressonância magnética), há uma dominância espino-cerebelar clara em relação ao SNC.
• Como o cerebelo é afetado na FRDA: Atrofia dos núcleos dentados e suas fibras eferentes no pedúnculo cerebelar superior. Perda de aferências GABAérgicas e glutamatérgicas nos núcleos dentados.
• Como o tronco cerebral é afetado: Núcleos grácil e cuneiforme.
• Como a medula espinhal cervical é afetada: Avaliações por RM da medula espinhal identificaram hipoplasia da coluna dorsal e raízes dorsais subdesenvolvidas. Sugere-se que as alterações na medula espinhal ocorram precocemente na doença, sejam progressivas e características clinicamente relevantes da FRDA, mas isso ainda está em debate.
• Como a medula espinhal torácica é afetada: Falta de fibras mielinizadas nas colunas dorsais, nos tratos espinocerebelares dorsais e nos tratos corticoespinhais laterais. Hipoplasia dos núcleos dorsais.
• O cérebro, em geral, é normal. Há relatos de alterações anatômicas sutis que permanecem incertas, com atrofia do tálamo e das áreas motoras corticais sendo implicadas de forma mais consistente e possivelmente refletindo mudanças em estágios mais avançados da doença.
Fonte: Clinical Management Guidelines for Friedreich Ataxia, FARA, 2022
Última atualização: 08/11/2024
OS SINTOMAS DA ATAXIA PIORAM NO FINAL DO DIA?
Um paciente em processo de diagnóstico de ILOCA (Idiopathic late onset cerebellar ataxia) informou em um webinar que muitos dos seus sintomas pioram com o pôr do Sol (início do anoitecer), como rigidez muscular, dores, dificuldades cognitivas e emocionais, piora na coordenação motora, equilíbrio etc. Ele perguntou se há algum fundamento para isso.
A Dra. Susan Perlman (especialista em ataxias) informou que recebeu um relato semelhante de um outro paciente. Ela informou que existe o que se chama de "sundowning" que seria uma piora de sintomas no final do dia para indivíduos com demência, o que não é o caso da ILOCA, portanto este termo não é apropriado neste caso.
Para o caso de funções motoras, o mais provável é que seja o reflexo do uso dos músculos durante as atividades diárias (fadiga). Os músculos de quem tem ataxia trabalham mais do que o de pessoas sem a doença, e assim ao final do dia, caso a pessoa não tenha repousado, é possível que esteja bastante cansada e com mais dores musculares. A Dra. Perlman recomendou fazer pausas durante o dia, intercalando períodos de repouso com as atividades. Há também medicamentos que podem ajudar.
Última atualização: 30/07/2023
ATAXIA PODE AFETAR A TERMOREGULAÇÃO?
Alguém perguntou em um webinar se a dificuldade de controlar a temperatura corporal (termorregulação) está relacionada com a ataxia.
A Dra. Susan Perlman (especialista em ataxias) explicou que as funções autonômicas do corpo são controladas no tronco encefálico (brain stem), ou seja, não são parte do cerebelo. Porém, se a ataxia afetar as conexões com o tronco encefálico (o que pode ocorrer por exemplo na SCA3), a pessoa poderá ter dificuldades (sintomas) nas funções autonômicas, que incluem por exemplo o controle da temperatura corporal (associadas com conexões com o tálamo e hipotálamo), desordens de sono e outras funções (controle da bexiga por exemplo).
A Dra. Perlman informou que há outras causas para o descontrole da temperatura corporal além de ataxias (por exemplos, doenças na tireoide, ou outros processos hormonais), e que se deve consular o médico para investigar o problema. De fato, algumas ataxias mais complexas podem afetar o tronco encefálico e provocar sintomas nas funções autonômicas.
Última atualização: 30/07/2023
ATAXIA CAUSA ATROFIA DO NERVO ÓPTICO?
Na ataxia SCA7 podem ocorrer problemas visuais mais graves, que se iniciam com a dificuldade de distinguir cores e redução da visão central. Estas modificações podem progredir até que a pessoa perca totalmente a visão (cegueira) em função da degeneração da retina.
[Nota MG]: Na SCA1, na SCA3 e outros tipos de ataxias hereditárias também podem surgir sintomas visuais como diplopia e nistagmo com causas neurológicas. Convém fazer consultas regulares a um neuro-oftalmologista.
Última atualização: 09/04/2023
O QUE FAZER EM CASO DE DIFICULDADES PARA TOSSIR OU ENGOLIR?
Se, no decorrer da progressão da ataxia, o paciente perceber que está ficando com dificuldades para tossir (sintoma de várias ataxias), deve procurar o neurologista imediatamente, que provavelmente vai encaminhar para outros especialistas. O mesmo se a pessoa começar a apresentar sintomas de disfagia (dificuldades para engolir). O problema é que sem conseguir tossir e engolir normalmente, a pessoa corre maior risco de engasgar com alimentos (sólidos, líquidos ou ambos), e isso pode ter sérias complicações (pneumonia aspirativa, ou mesmo levar a óbito se a pessoa não conseguir desobstruir suas vias respiratórias).
A Dra. Susan Perlman (especialista em ataxias) explicou em um webinar que é complexo coordenar os inúmeros músculos utilizados para FALAR, RESPIRAR e COMER ao mesmo tempo, e com o tempo esta coordenação pode se tornar mais difícil para quem tem ataxia. Como não podemos ficar sem respirar, quem tem ataxia deve se educar para evitar falar durante a alimentação (não é "ficar calado durante o almoço", é evitar falar ao mesmo tempo em que está mastigando e engolindo alimentos).
Pessoas que têm ataxia e já engasgaram com alimentos recomendam o seguinte para reduzir os riscos durante a alimentação:
- Partir os alimentos sólidos em pedaços pequenos. Porém, deve-se evitar alimentos muito pequenos ou facilmente inaláveis, como sementes de gergelim.
- Evitar alimentos secos e quebradiços, como biscoitos e nozes.
- Evitar alimentos difíceis de quebrar ou cortar com os dentes, como bifes e maçãs.
- Ficar mentalmente concentrado durante a alimentação, atento ao ato de engolir, sem conversar ou fazer outras atividades enquanto estiver mastigando.
- Para beber líquidos usar copo com canudo.
- Evitar consumir líquidos pouco densos. Procurar beber líquidos mais espessos, ou adicionar espessantes (vendidos em farmácias ou feitos em casa com geltina em pó).
- Evitar comer e beber deitado.
- Em casos mais graves, ao dormir convém elevar um pouco a cabeceira da cama (manter a cabeça um pouco mais alta) para evitar engasgar com saliva (a ataxia pode produzir saliva em excesso em certos casos).
Em caso de sintomas de disfagia deve-se procurar o fonoaudiólogo para fazer terapia (exercícios especiais para engolir sem engasgar). Há também alguns remédios como a Piridostigmina que podem ajudar em certos casos (que devem ser devidamente receitados).
O acompanhamento por um profissional qualificado é importante para evitar desidratação ou desnutrição em função das dificuldades em se alimentar, bem como para reduzir riscos de pneumonia aspiratória, que ocorre quando restos de alimentos caem no pulmão, o que pode ser fatal.
Para mais informações para estratégias para lidar com dificuldades para falar ou engolir por causa de ataxias, consultar:
NAF 2023 - Strategies to Mitigate Speech and Swallowing Impairments in Ataxia
Allison Hilger, PhD, CCC-SLP - University of Colorado Boulder CO Motor Speech Lab
Última atualização: 01/09/2023
É COMUM QUEM TEM ATAXIA TOSSIR E LIMPAR CONSTANTEMENTE A GARGANTA?
Uma paciente alegou em um webinar que está constantemente limpando a garganta. A Dra Susan Perlman (especialista em ataxias) informou que isso é uma situação comum na ataxia, que pode afetar a coordenação dos músculos relacionados com a deglutição (engolir).
Todas as pessoas produzem saliva, secreções nasais etc. que engolem sem sequer pensar nisso para manter a garganta limpa. Nos pacientes que têm ataxia este ato de engolir pode não ser tão bem coordenado, a saliva pode se acumular, a pessoa sente que está ali e então tenta limpar a garganta. É portanto uma situação comum em quem tem ataxias, que precisam ter maior consciência do ato de engolir, assim como precisam ter maior consciência ao andar, ou ao executar movimentos que requeiram coordenação manual etc.
De um modo geral atáxicos terão maior facilidade de executar suas atividades diárias se estiverem mais atentos e focados em tudo o que fazem. Quem tem ataxia precisa ter consciência corporal, e estar focado em certas atividades - principalmente ao ingerir alimentos e líquidos.
Última atualização: 09/04/2023
ARREFLEXIA É SINTOMA DE ATAXIA?
A arreflexia (“a” = ausência) é uma condição médica caracterizada pela ausência ou diminuição de reflexos, que são respostas involuntárias desencadeadas por estímulos sensoriais. Existem diferentes tipos e causas para a arreflexia, algumas das quais podem estar relacionadas às ataxias.
Por exemplo, a arreflexia vestibular, associada ao sistema vestibular (responsável pelo equilíbrio corporal e pela orientação espacial), é um dos sintomas da síndrome CANVAS (Ataxia Cerebelar, Neuropatia Vestibular e Arreflexia). Essa ataxia tem base genética e está relacionada a mutações no gene RFC1. Indivíduos com esse diagnóstico podem apresentar vertigem, tontura e dificuldades de equilíbrio, estando, portanto, sob maior risco de quedas, especialmente ao mudar de direção ou postura rapidamente ou ao caminhar em terrenos irregulares.
A arreflexia autonômica, por sua vez, está relacionada a disfunções do sistema nervoso autônomo, que regula funções corporais involuntárias, como a digestão, a pressão arterial e a frequência cardíaca. Pacientes com arreflexia autonômica podem manifestar sintomas como hipotensão postural, retenção urinária e constipação. Essa condição ocorre com maior frequência na Atrofia de Múltiplos Sistemas (MSA), mas pode também estar presente, em diferentes graus, em ataxias espinocerebelares, como a SCA3 e outras variantes.
Já a arreflexia espinhal se caracteriza pela ausência ou redução dos reflexos mediados pela medula espinhal, comprometendo a coordenação motora. Suas causas incluem neuropatia periférica, uma condição que afeta os nervos periféricos responsáveis por transmitir informações entre o sistema nervoso central e o restante do corpo, sendo comum em diversas formas de ataxia. Além disso, a arreflexia espinhal pode resultar de lesões traumáticas na medula espinhal. Os sintomas incluem a diminuição de reflexos tendinosos, dificuldades na coordenação motora e fraqueza muscular.
Última atualização: 01/03/2025
QUAL É A DIFERENÇA ENTRE ESPASTICIDADE E RIGIDEZ MUSCULAR?
A espasticidade é típica de lesões piramidais, e está associada a lesões nos neurônios motores superiores (trato corticoespinhal). Caracteriza-se por um aumento do tônus muscular dependente da velocidade: quanto mais rápido o músculo é estirado, maior a resistência. Afeta mais certos grupos musculares (extensores nos membros inferiores e flexores nos membros superiores), e produz reflexos exacerbados, como hiperreflexia e clônus. Por exemplo, ao tentar esticar rapidamente o cotovelo de um paciente com espasticidade, há uma resistência inicial seguida de um “soltamento repentino”.
Já a rigidez é um sinal motor associado a disfunções no sistema extrapiramidal, que envolve os gânglios da base e suas conexões. Diferente da espasticidade (que resulta de lesões nos neurônios motores superiores do trato piramidal), a rigidez ocorre devido a alterações nos circuitos responsáveis pelo controle automático e fino do movimento. A rigidez não depende da velocidade do movimento - a resistência ao alongamento do músculo é contínua e uniforme, e afeta igualmente músculos agonistas e antagonistas. Muitas vezes a rigidez está associada a tremores e bradicinesia (lentidão dos movimentos). Por exemplo, na rigidez que se verifica na Doença de Parkinson, há uma resistência constante ao longo de toda a amplitude de movimento.
Tanto a espasticidade quanto a rigidez podem ocorrer nas ataixas, como a SCA3 e outras. Se o trato piramidal (corticoespinhal) é afetado, pode ocorrer espaticidade. Já quando a ataxia afeta o gânglio basal pode surgir como sintoma a rigidez muscular.
Embora a espasticidade possa ser confundida com a rigidez muscular, é importante diferenciar uma da outra pois o tratamento é diferente. Em alguns casos injeções de botox podem ajudar tanto na espasticidade quanto na rigidez, mas os medicamentos para espasticidade são bem diferentes dos usados para rigidez.
Pode ocorrer também que um músculo que foi pouco utilizado (falta de exercício etc.) fique fraco e menos flexível (mais rígido) e isso também pode ser doloroso. Este caso pode ser tratado com fisioterapia. Assim, é importante tentar discernir entre estas 3 causas: espasticidade, rigidez ou um problema no músculo (e não nos nervos que coordenam os movimentos dos músculos).
Última atualização: 03/02/2025
ATAXIA PODE CAUSAR CONFUSÃO MENTAL?
Alguém relatou em um webinar que tinha 62 anos e que estava preocupado com confusão mental (“brain fog”), e perguntou se este sintoma pode estar relacionado com a ataxia.
A Dra. Susan Perlman (especialista em ataxias) explicou que muitos pacientes com desordens neuromusculares que afetam estruturas do sistema nervoso central (como o cerebelo por exemplo) se queixam de algo que descrevem como confusão mental (“brain fog”). É sabido que o cerebelo além de coordenar movimentos corporais e equilíbrio também coordena a velocidade de memória e de pensamento. Por este motivo, pacientes com ataxias podem em certos momentos sentir que o cérebro está mais lento, que demora um pouco mais para organizar as coisas intelectualmente, e que isso está relacionado com o cerebelo.
Por outro lado, sensação de confusão mental também pode ser produzida como efeito colateral de certos medicamentos ou suplementos, de modo que é bom consultar nas bulas dos remédios se este tipo de reação é possível. A confusão mental também pode ser resultado de sono de má qualidade, e neste caso o paciente deve verificar se está tendo problemas para ter um sono de qualidade. De qualquer forma, se a sensação de confusão mental persiste, pacientes com ataxia devem procurar o médico para investigar a causa – pode ou não ser um sintoma direto da ataxia.
Última atualização: 27/09/2023
QUAIS OS PRINCIPAIS SINTOMAS DA SÍNDROME CANVAS?
QUAIS OS PRINCIPAIS SINTOMAS DA SÍNDROME CANVAS?
A síndrome CANVAS é uma condição neurodegenerativa rara que afeta o sistema nervoso e é caracterizada por uma combinação de sintomas que envolvem o sistema vestibular, o sistema sensorial e o cerebelo.
Os principais sintomas da síndrome CANVAS incluem:
• Ataxia cerebelar: Dificuldades na coordenação dos movimentos, levando a um caminhar instável (marcha atáxica), desequilíbrio, e problemas de coordenação motora fina.
• Neuropatia sensorial: Perda da sensação nos membros, especialmente nas mãos e nos pés, que pode incluir dormência, formigamento e uma sensação de perda da própria percepção corporal (propriocepção).
• Vestibulopatia bilateral: Comprometimento do sistema vestibular, resultando em problemas de equilíbrio, tonturas e instabilidade postural, especialmente em ambientes com pouca iluminação ou ao fechar os olhos.
• Tosse crônica: Em alguns pacientes, a síndrome CANVAS pode estar associada a uma tosse crônica de origem inexplicada (idiopática).
Outros sintomas possíveis:
• Disartria (dificuldade na fala)
• Nistagmo (movimentos involuntários dos olhos)
• Oscilopsia (sensação de que o ambiente está se movendo ou balançando, especialmente ao movimentar a cabeça).
Esses sintomas geralmente se desenvolvem de forma progressiva, tornando-se mais graves com o tempo. A combinação dessas três características principais (ataxia, neuropatia sensorial e vestibulopatia) é o que define a síndrome CANVAS, embora a manifestação exata possa variar de paciente para paciente.
Genes relacionados com a síndrome CANVAS
A síndrome CANVAS tem transmissão autossômica recessiva e está associada a mutações no gene RFC1. Mais precisamente, está ligada a uma expansão de repetição bialélica de um pentanucleotídeo AAGGG no gene RFC1. Essa repetição anômala no gene RFC1 causa disfunção em múltiplos sistemas, levando aos sintomas característicos da síndrome. A descoberta dessa mutação foi um avanço significativo no diagnóstico de pacientes com ataxia classificada como idiopática, permitindo uma melhor compreensão da síndrome CANVAS e de doenças neurodegenerativas relacionadas.
Se você tem diagnóstico ou suspeita de ataxia RFC1-CANVAS, este grupo é recomendado:
Facebook - grupo privado - RFC1-CANVAS International Support Group
https://www.facebook.com/groups/rfc1canvas/
Texto criado por Márcio Galvão com apoio de IA Generativa (DeepSeek)
Última atualização: 04/05/2025
O QUE SÃO SINAIS PIRAMIDAIS?
Uma parte fundamental do sistema nervoso central, conhecida como trato piramidal, é responsável pelo controle dos movimentos voluntários do corpo. Ele é composto por dois tratos distintos: o trato corticoespinhal e o trato corticobulbar.
O trato corticoespinhal contém neurônios motores superiores que se originam no córtex cerebral e se projetam até a medula espinhal, onde fazem sinapse com neurônios motores inferiores. Isso permite o controle voluntário dos músculos do tronco e dos membros.
Já os músculos do rosto, cabeça e pescoço são controlados pelo trato corticobulbar, que funciona de maneira semelhante, mas suas fibras fazem sinapse com núcleos motores no tronco cerebral. Esse trato desempenha um papel essencial em funções como a deglutição, o movimento da língua e as expressões faciais.
Lesões nos tratos piramidais podem causar uma série de déficits motores, conhecidos como sinais piramidais. Esses sinais podem incluir, por exemplo:
Espasticidade, caracterizada por aumento do tônus muscular (hipertonia) e sensação de "puxão" nos músculos. Ver Nota mais adiante!
Marcha espástica: padrão de caminhada alterado, em que as pernas podem ficar rígidas e dificultar o movimento fluido.
Reflexos musculares exacerbados (hiperreflexia)
Dificuldade para realizar movimentos finos.
Contrações musculares involuntárias e rítmicas, conhecidas como clônus.
Fraqueza nos membros inferiores, incluindo as pernas (o trato corticoespinhal, que faz parte do trato piramidal, controla os movimentos voluntários dos músculos esqueléticos).
Alterações na fala (disartria).
Dificuldades na deglutição (disfagia).
Um dos sinais clínicos característicos de lesões nos tratos piramidais é um reflexo plantar anormal, conhecido como sinal de Babinski. Para testá-lo, os neurologistas estimulam a sola do pé com um objeto. Em indivíduos saudáveis, os dedos dos pés apontam para baixo, enquanto em casos de disfunção dos neurônios motores superiores, o dedão se move para cima. Essa resposta anormal pode auxiliar no diagnóstico de lesões nos tratos piramidais e de doenças que afetam o sistema motor.
Conteúdo gerado com apoio de IA Generativa.
SINTOMAS DE ATAXIAS QUE TIPICAMENTE SURGEM NA VIDA ADULTA PODEM APARECER TAMBÉM EM CRIANÇAS?
Alguém perguntou em um webinar se os sintomas de ataxias que normalmente surgem em adultos podem se manifestar também em crianças, e por qual motivo.
A Dra. Susan Perlman (especialista em ataxias) explicou que em muitas ataxias hereditárias com herança dominante que têm repetições expandidas de nucleotídeos (ex. CAG ou outras combinações) a expansão pode aumentar de uma geração para a outra, e quando isso ocorre, os sintomas aparecem mais cedo e com maior severidade nos filhos (este fenômeno se chama antecipação).
Isso explica como ataxias que tipicamente só exibem sintomas em adultos de vez em quando manifestam sintomas em adolescentes ou mesmo em crianças.
Há também uma outra situação. Existem ataxias onde a mutação não é por “repetições excessivas de trinucleotideos”, mas sim de alterações pontuais (point mutations) em um local específico do gene. É o caso da SCA5 por exemplo. Nestes casos pode haver crianças que carregam uma mutação (também pontual) que é ligeiramente diferente da do pai (ou mãe), embora ocorra no mesmo gene, e por conta disso os sintomas podem se manifestar na infância e podem ser bem diferentes dos sintomas típicos que ocorrem nos adultos.
Fonte: [7]
Última atualização: 10/04/2023
O QUE PODE INFLUENCIAR NA GRAVIDADE DOS SINTOMAS DA ATAXIA SCA3?
Sobre a maior ou menor gravidade da SCA3, a Dra Susan Perlman (especialisa em ataxia) informou em um webinar que "depende do número de repetições CAG (o tamanho da mutação)" e outros fatores. É esperado que mutações maiores (muitas repetições CAG) tragam sintomas mais severos e que podem se manifestar mais cedo (antecipação) ou a doença ter uma progressão mais rápida.
Há entretanto outros fatores que podem influenciar a gravidade dos sintomas além do "número de repetições". Pode ser que aquelas pessoas tenham outros fatores genéticos que as protejam de uma evolução mais grave (ex genes anti-envelhecimento), e o estilo de vida (ex ter boa alimentação e bons hábitos de saúde) também pode influenciar o modo com que a presença de um gene mutante poderá afetar a pessoa.
A Dra Perlman recomenda a todos os que têm diagnóstico de ataxia que acompanhem as pesquisas, mantenham hábitos saudáveis e busquem terapias que possam ajudar a retardar a progressão da doença. Fonte: [3] Em outro webinar da NAF com a Dra. Hayley McLoughlin e outros médicos (Fonte: [6]) , o assunto das Repetições CAG foi novamente discutido, e foi utilizada a SCA3 como referência. No texto que segue, um "alelo" é a mesma coisa que uma das cópias do gene. A ataxia SCA3 é uma das "doenças poliglutamínicas" (PolyQ). Uma mutação em um alelo do gene ATXN3 causa uma expansão exagerada no número de repetições de trinucleotídios CAG (que codificam o aminoácido glutamina). Acima de um certo limite, esta expansão causa a doença. Cada pessoa tem duas cópias do gene ATXN3 (cuja mutação causa a SCA3), uma herdada da mãe, e outra do pai. Um alelo (cópia do gene) pode ter por exemplo 14 repetições CAG, o que é normal, não provoca doença, enquanto o outro alelo (a outra cópia do mesmo gene) pode ter por exemplo, 72 repetições - e neste caso a pessoa vai desenvolver a doença mais cedo ou mais tarde.
O alelo "normal" tem cerca de 12 até 44 repetições de CAG. Ou seja, até 44 repetições CAG a pessoa *não* vai desenvolver a SCA3.
De 45 até 59 repetições há uma "faixa intermediária", onde a pessoa pode ou não desenvolver a doença (ver nota 1 em seguida).
Acima de 60 repetições já é suficiente para causar a doença, que vai se manifestar mais cedo ou mais tarde.
O número máximo de repetições CAG documentada até agora no gene ATXN3 foi de 87. Nota 1 - É importante destacar que pessoas no range intermediário de repetições (45 até 59) podem não desenvolver a doença elas próprias, mas ainda assim podem transmitir os genes com mutação para seus filhos, e nesta transmissão talvez o número de repetições aumente acima do limite (> 60 repetições) e a doença se manifeste no filho sem que o próprio pai tenha ficado doente (há estudos em andamento sobre isso). Nota 2 - De um modo geral, se a quantidade de repetições CAG é maior, os sintomas tendem a surgir mais cedo (antecipação) e talvez com maior severidade. Mas isso é "em média", não é uma verdade absoluta para todos os pacientes individualmente. Existem outros fatores além da quantidade de repetições CAG que podem interferir na idade do aparecimento dos sintomas e na velocidade de progressão da doença, como fatores genéticos (talvez a pessoa tenha outras características genéticas que a protejam de certos problemas), e também fatores ambientais e outros (qualidade de vida, nível de estresse, alimentação etc.). Nota 3 - Há pessoas que têm poucas repetições CAG (quase no limite inferior onde a SCA3 não se manifesta), mas ainda assim podem ter sintomas mais severos. Sobre isso, a Dra. Paula Maciel (pesquisadora) informou que muitos testes medem o nível de repetições CAG no sangue, mas partes diferentes do corpo podem ter repetições diferentes (maiores ou menores), inclusive no cérebro. Assim, uma pessoa pode ter menos repetições detectadas no sangue, mas mais repetições CAG nos genes em células no cerebelo ou outras partes do cérebro mais diretamente relacionadas com as ataxias, e assim mesmo pessoas com poucas repetições de vez em quando podem ter doenças mais severas.
Última atualização: 09/04/2023
TONTURA E VERTIGEM SÃO SINTOMAS DE ATAXIAS?
Tonturas e vertigens podem ser sintomas associados a alguns tipos de ataxias. Embora as ataxias frequentemente causem desequilíbrios motores e instabilidade, tontura e vertigem não são sintomas obrigatórios.
Tontura
Muitos pacientes com ataxia ficam tontos quando movem (giram) a cabeça. Movimentos com os olhos (olhar para os lados, ou para cima e para baixo) e de mover a cabeça, ou quando a pessoa muda de posição (deitado para sentado, sentado para em pé, mudanças de direção ao andar etc.) podem de fato causar tonturas. Isso pode decorrer de problemas no “núcleo vestibular central” (ou sistema vestibular central), que está relacionado ao cerebelo. O cerebelo interage diretamente com este sistema vestibular central para manter o equilíbrio e a coordenação motora.
Esta é uma tontura de origem neurológica, que é diferente de problemas de tonturas relacionados ao ouvido interno (sistema vestibular), e pode se manifestar até sem qualquer tipo de movimento de olhos ou cabeça. Esta condição pode ser difícil de estabilizar e tratar e pode ser mais desabilitadora em termos de manter o equilíbrio do que o próprio desequilíbrio “tradicional” causado pela ataxia em si.
Vertigem
Alguns pacientes com ataxia sentem vertigem, que é diferente de tontura. A tontura (dizziness, em inglês) é uma sensação semelhante à de estar em um barco, ao passo que a vertigem (vertigo) é uma sensação de que o ambiente está rodando.
A vertigem está geralmente mais associada ao sistema vestibular periférico (ouvido interno), como a vertigem posicional paroxística benigna (VPPB), que pode ser confundida com sintomas de ataxia. Já a tontura (associada à ataxia) é mais comumente central (envolvendo o cerebelo ou vias centrais do sistema vestibular) como mencionado anteriormente.
É importante ter em mente que há várias outras causas para a tontura e a vertigem que nada têm a ver com ataxia (por exemplo, problemas circulatórios, alteração na pressão arterial (hipotensão), efeito colateral de medicamentos, problemas oculomotores etc.), portanto se estes sintomas surgirem é importante investigar com o médico as causas possíveis, para ver qual é a melhor abordagem para tratamento.
Dependendo da causa (e por isso é importante entender a causa), há medicamentos que podem ajudar. Por exemplo:
• Se a tontura vem da conexão do cérebro com o ouvido interno, em alguns casos há medicações que podem ajudar (por exemplo. Meclizine, Bonine etc.).
• Nas tonturas associadas com ataxia, há casos em que foram prescritos Dalfampridine (um medicamento aprovado pela FDA para Esclerose Múltipla, mas que é usado off-label para outras condições (inclusive ataxias), e em certos casos pode ajudar na tontura).
• Já se a tontura é causada por movimentos oculares anormais (nistagmo), há outros medicamentos que podem ser úteis para reduzir esta movimentação anormal dos olhos que pode causar tonturas. Por exemplo, medicamentos, como gabapentina e baclofeno podem ser indicados em casos de nistagmo central (não vestibular), quando o movimento ocular é crônico e incapacitante.
Lembrar que todo medicamento pode apresentar efeitos colateriais e precisa ser prescrito por médicos.
Em qualquer caso, sejam os problemas de causa periférica ou central, pacientes com sintomas vestibulares podem recorrer à fisioterapia especializada para problemas vestibulares
Última atualização: 26/10/2024
ATAXIA PODE ATRAPALHAR O SONO?
Sim. O cerebelo está diretamente envolvido no controle da posição, movimentos e tônus muscular durante o repouso e o sono, e isso explica a elevada prevalência de insônia e outras disfunções do sono em pacientes com ataxias espinocerebelares (SCAs). Alguns sintomas da ataxia que podem impactar no sono são:
A síndrome das pernas inquietas (restless leg syndrome).
Movimentos periódicos de membros (Periodic Limb Movements - PLMS): São movimentos involuntários do braço ou da perna. Alguns pacientes com SCA experimentam dezenas de PLMS por noite, enquanto o valor considerado normal é de 4 ou 5 movimentos por noite.
A apneia do sono (roncar, dificuldades de respirar).
A desordem de comportamento REM (Rapid Eye Movement Behavior Disorder): nesta condição, a pessoa pode fisicamente encenar o conteúdo de seus sonhos. É classificada como parassonia, isto é, um comportamento anormal que ocorre durante o sono. Outros exemplos de parassonia são o pesadelos e o sonambulismo.
O sono é essencial para a saúde. A má qualidade do sono no longo prazo pode trazer impactos negativos para a saúde, incluindo problemas cognitivos e de regulação do humor. A privação do sono também pode atrapalhar a coordenação motora, exacerbando os sintomas da ataxia e reduzindo a efetividade de terapias de reabilitação.
Problemas com o sono podem preceder o aparecimento de outros sintomas das SCAs por até 10 anos. Por este motivo, estas disfunções estão recebendo maior atenção dos médicos que tratam de ataxias. No caso de surgimento destes sintomas, procurar o médico para indicação de tratamento especializado e individualizado.
Fontes: Sleep Difficulties in Patients With Spinocerebellar Ataxia
Última atualização: 16/10/2024
O QUE É NEUROPATIA PERIFÉRICA?
A Neuropatia periférica é uma condição que afeta os nervos periféricos, os quais transmitem informações entre o cérebro, a medula espinhal (sistema nervoso central) e o resto do corpo, como músculos, pele e órgãos internos. Ela pode ser causada por uma variedade de fatores, incluindo diabetes, infecções, doenças autoimunes, traumas, deficiências vitamínicas, e pode também ser sintoma de diferentes tipos de ataxias. Por exemplo, a neuropatia periférica, ou degeneração dos nervos periféricos, aflige mais da metade dos pacientes com ataxia SCA3. Os sintomas incluem dores (que podem se tornar crônicas), fraqueza muscular, sensações de formigamento e dormência, principalmente nas extremidades (mãos e pés), e podem ter grande impacto na qualidade de vida dos pacientes.
Em muitos casos, a neuropatia periférica pode causar ou contribuir para o desenvolvimento de ataxia sensorial. Quando os nervos periféricos que transmitem informações sensoriais (especialmente sobre a posição do corpo no espaço) ficam danificados, o cérebro recebe menos informações sobre o posicionamento e os movimentos do corpo. Isso resulta em perda de coordenação motora, manifestando-se como ataxia sensorial. Portanto, a neuropatia periférica pode ser uma das causas subjacentes de ataxia, especialmente quando afeta os nervos que controlam os músculos e transmitem sensações proprioceptivas (relativas à percepção do corpo no espaço).
[Nota MG]: Em estudo de 2022, pesquisadores alemães (Kollmer e colegas) usaram a técnica de Neurografia por Ressonância Magnética para estudar as anormalidades nervosas estruturais em um grupo de portadores da mutação no gene ATXN3 que causa a ataxia SCA3, tanto sintomáticos quanto pré-sintomáticos. A Neurografia por Ressonância Magnética é uma ferramenta de imagem que permite comparar a integridade estrutural dos nervos periféricos entre indivíduos saudáveis e pacientes com ataxia SCA3 (por exemplo), para verificar se há danos nos nervos que possam causar neuropatias periféricas. O estudo revelou que idade avançada e maior gravidade dos sintomas estão correlacionados com “maior incidência de neuropatia periférica”, indicando que sintomas de neuropatia podem ser um marcador importante para avaliar a progressão da SCA3. Outra descoberta interessante foi que foram encontradas algumas diferenças estruturais nos nervos mesmo em pacientes ainda assintomáticos (isto é, que possuem a mutação no gente ATXN3 mas ainda não apresentam qualquer sintoma de ataxia), o que sugere que ao menos na SCA3 os nervos periféricos podem ser afetados mesmo antes da manifestação dos sintomas motores da ataxia, e que talvez exista um limite (gatilho) de degeneração nervosa que deve ser atingido para que o paciente desenvolva sintomas perceptíveis de neuropatia periférica.
Ver artigo “Desvendando anormalidades dos nervos periféricos na ataxia espinocerebelar tipo 3”, SCASource (National Ataxia Foundation)
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ATAXIA PODE FAZER OS JOELHOS OU QUADRIL FICAREM "SOLTOS" PROVOCANDO QUEDAS?
Alguém perguntou em um webinar se é comum que as pessoas com ataxia sintam os joelhos ou quadris “falharem” de vez em quando, ficando “soltos”, fazendo com que a pessoa caia.
A Dra. Susan Perlman (especialista em ataxias) explicou que se você está em pé, parado, e os joelhos dobram, ou os quadris se deslocam sem motivo, isso pode ser causado por má coordenação dos músculos que controlam e estabilizam os joelhos e quadris. Quando você está em pé, o músculo quadríceps (por exemplo) está tensionado, enquanto os músculos antagonistas ao quadríceps na parte de trás da perna (como o bíceps femoral) estão relaxados.
Se esta coordenação (neurológica) de quais músculos devem estar relaxados enquanto outros estão tensionados falha, afetando a força (tônus) de certos músculos de forma inadequada, os joelhos não conseguirão manter uma posição estável, e a pessoa poderá cair. O mesmo se aplica aos músculos dos quadris.
Segundo a médica, a melhor forma de controlar estes desequilíbrios que podem ocorrer quando a pessoa está de pé parada, ou mesmo enquanto está caminhando (onde é preciso alternar o uso de músculos diferentes – um relaxa enquanto outro tensiona), é através de exercícios físicos repetitivos, sobre a supervisão de um fisioterapeuta.
Última atualização: 27/09/2023
TODAS AS PESSOAS COM ATAXIA VÃO DESENVOLVER DISARTRIA E DISFAGIA?
Alguém perguntou em um webinar se "todas as pessoas com ataxias necessariamente teriam problemas para falar (disartria) e para engolir (disfagia). A Dra. Susan Perlman respondeu que embora estes sejam sintomas comuns em vários tipos de ataxias (ex. SCA3), os sintomas que surgem em qualquer SCA dependem das partes do cerebelo que são afetadas (pelo acúmulo da proteína ataxina, que é tóxica para as células nervosas). Ou seja, se a parte do cerebelo que controla a fala e a deglutição for afetada, a pessoa poderá ter disartria e disfagia, caso contrário, não. Ou seja, embora seja um sintoma comum, nem todos que têm ataxias vão necessariamente ter problemas para falar e engolir, e mesmo os que desenvolvem sintomas poderão ter sintomas leves, moderados ou um pouco mais graves, tudo varia muito de pessoa para pessoa, assim como com o tipo de ataxia e outros determinantes.
Importante! O fonoaudiólogo especializado pode ajudar em disartria e disfagia.
Disartria Ataxica
O problema na articulação das palavras é o principal problema da Disartria Atáxica. Sendo assim, o fonoaudiólogo fará o tratamento com o objetivo de reduzi-lo. As áreas de atuação são: postura, tom, tônus, força muscular, respiração, fonação, ressonância, articulação e treino das sílabas tônicas. Os trabalhos serão realizados no diafragma, músculos abdominais, inspiração e expiração, movimentos musculares, velocidade da fala, entre outros.
Disfagia Ataxica
A disfagia é a dificuldade de engolir alimentos. O problema pode causar pneumonia aspirativa, que ocorre quando restos de alimentos caem no pulmão e pode levar a óbito.
Em caso de disfagia
◦ Fonoaudiologia é altamente recomendado! O profissional de fonoaudiologia irá diagnosticar e tratar individualmente cada paciente para possibilitar a recuperação de sua capacidade funcional e de deglutir, e, com isso, permitir o retorno às suas atividades normais. Isso é importante para evitar o risco de desidratação e/ou desnutrição e a consequente perda de peso. O tratamento pela fonoaudiologia busca retomar a alimentação de forma segura, proporcionando um pouco de prazer ao paciente. Podem ser solicitados exames da capacidade de deglutição.
◦ Usar espessadores de líquidos - um tipo de pó que vende na farmácia. Ajuda a engolir líquidos sem engasgar
◦ Cortar a comida em pedaços pequenos e macios
Ver também: Questão 3.3.
Tubos de alimentação
Em casos muito graves talvez seja preciso usar alimentação por tubos. Neste caso o alimento (fórmulas), líquidos (hidratação) e remédios vão direto para o estômago (tubo tipo G) sem precisar engolir. Dependendo da severidade da disfagia (risco de engasgar) o paciente pode continuar engolindo os alimentos que desejar (o tubo G ou G-J não impede a alimentação oral).
Há diferentes tipos de tubos de alimentação (tipo G, tipo G-J etc.). Os tubos são removíveis. O tubo G vai direto para o estômago. O tubo G-J é parecido com o G, mas tem uma entrada extra. Medicamentos normalmente vão pelo tubo G, e alimentação pelo tubo J, que é conectado ao intestino, sem passar pelo estômago. A manutenção do tudo G é mais fácil pois o tubo G-J pode entupir, ou sair do lugar. Embora não seja uma perspectiva agradável, em casos muito severos de disfagia ou outros problemas os tubos podem ser necessários para salvar vidas, mesmo em pacientes que ainda consigam se alimentar pela boca.
Fonte: [2]
Última atualização: 09/04/2023
A ATAXIA AFETA O NERVO VAGO?
O nervo vago é parte do sistema nervoso autônomo, que controla funções corporais involuntárias . É um dos nervos que transmitem mensagens entre o cérebro e outras partes do corpo, como o coração e o sistema digestivo. Está portanto envolvido na função cardíaca e outras funções motoras vitais não voluntárias. Algumas ataxias podem afetar o sistema nervoso autônomo. A SCA3 é uma delas.
Saiba mais sobre a SCA3 em /fichas/ataxia-espinocerebelar-tipo-3
A Dra Susan Perlman (especialista em ataxias) comentou durante um webinar que “apesar das ataxias espinocerebelares estarem mais fortemente associadas ao cerebelo, há outros caminhos neurais que se conectam ao cerebelo e são controlados por ele que também podem ser afetados nas ataxias, o que pode produzir uma maior amplitude de sintomas". Ela alerta que é preciso “alargar nossa percepção” sobre quais sintomas a ataxia cerebelar pode causar.
Por outro lado, ninguém é imune a desenvolver outras doenças (além da ataxia), de modo que qualquer novo sintoma que apareça e que não pareça ser usual nas ataxias deve ser investigado para ver se tem alguma outra causa.
Última atualização: 09/04/2023
TREMORES NAS PERNAS AO LEVANTAR-SE PODEM SER CAUSADOS POR ATAXIA?
Alguém relatou em um webinar que tem tremores nas pernas quando fica em pé (a partir de uma posição sentada), e perguntou se isso tinha relação com força (fraqueza muscular), ou com o cerebelo, e se há algo que se possa fazer para melhorar este sintoma.
A Dra. Susan Perlman (especialista em ataxias) respondeu que quando você está sentado e se levanta o cerebelo precisa coordenar músculos na parte da frente e de trás da perna (um se contrai, o outro relaxa). Se a pessoa tem ataxia, esta coordenação é mais difícil e esta manobra (de sentado para em pé) pode causar tremores, ou quando se muda de posição de um modo geral. Da mesma forma, se a pessoa tem ataxia e estica o braço para pegar um objeto pode ter tremores no braço, também por conta da má coordenação muscular por parte do cerebelo (tremores de intenção).
Por outro lado, se a pessoa está com a musculatura fraca (por não estar caminhando, ou se exercitando, sobretudo os quadris e pernas), a fraqueza pode ser um componente adicional. Por isso, é recomendável que quem tem ataxia faça exercícios para fortalecer o core, quadris e pernas em fisioterapia ou algum outro programa de exercícios, pois o fortalecimento pode ajudar a estabilizar certos movimentos.
Se esta coordenação (neurológica) de quais músculos devem estar relaxados enquanto outros estão tensionados falha, afetando a força (tônus) de certos músculos de forma inadequada, os joelhos não conseguirão manter uma posição estável, e a pessoa poderá cair. O mesmo se aplica aos músculos dos quadris. Segundo a médica, a melhor forma de controlar estes desequilíbrios que podem ocorrer quando a pessoa está de pé parada, ou mesmo enquanto está caminhando (onde é preciso alternar o uso de músculos diferentes – um relaxa enquanto outro tensiona), é através de exercícios físicos repetitivos, sobre a supervisão de um fisioterapeuta.
Última atualização: 27/09/2023
ATAXIAS EPISÓDICAS CAUSAM ENXAQUECAS?
Alguém perguntou em um webinar se as ataxias episódicas podem ser a causa de "enxaquecas". A Dra. Susan Perlman (especialista em ataxias) respondeu que sim, alguns tipos de ataxias episódicas podem causar "enxaquecas hemiplégicas".
Veja mais informações sobre as ataxias episódicas em /fichas/ea1-ea2-ea3-ea4-ea5-ea6-ea7-ea8
[Nota MG]: As enxaquecas hemiplégicas (hemiplegic migraines) são episódicas, e podem ser acompanhadas de fraqueza muscular unilateral ou mesmo paralisia temporária do braço e da perna em um dos lados do corpo. Os episódios podem durar de alguns minutos até horas, e usualmente resultam de certos "gatilhos" como movimentos bruscos, estresse, abuso de cafeína ou de bebida alcoólica etc.
Última atualização: 09/04/2023
É COMUM SENTIR FRIO NAS PERNAS COMO SINTOMA DE ATAXIA?
De acordo com a Dra. Susan Perlman (especialista em ataxias), sentir frio nas pernas e pés (extremidades) é um sintoma que pode ocorrer nas ataxias, mas também pode ser causado por problemas circulatórios. Assim, se este sintoma aparecer, convém ir ao médico para investigar a causa e ver a melhor forma de tratar. Com a idade, mais para a velhice, é normal sentir um pouco mais de frio. Usar meias e cobertas se necessário para manter pés e pernas aquecidos.
Última atualização: 09/04/2023
NISTAGMO PODE CAUSAR VERTIGENS?
Sim. Se a tontura é causada por movimentos oculares anormais (nistagmo), alguns medicamentos podem ser eficazes na redução desses movimentos anormais dos olhos, que, por sua vez, podem desencadear tonturas. Por exemplo, a gabapentina e o baclofeno são frequentemente indicados em casos de nistagmo de origem central (não vestibular), especialmente quando o movimento ocular é crônico e causa limitações significativas ao paciente.
Esses medicamentos, no entanto, devem ser prescritos pelo médico com cautela, pois podem estar associados a efeitos colaterais importantes.
[Nota MG]: Há várias outras causas para tonturas e vertigens que nada têm a ver com ataxia (por exemplo, problemas circulatóriosm hipotensão, efeito colateral de medicamentos etc.), portanto se estes sintomas surgirem é importante investigar com o médico as causas possíveis, pois pode ou não ter relação com a ataxia, e medicamentos diferentes podem ser prescritos pelo neurologista dependendo da causa do problema. A fisioterapia vestibular também pode ajudar.
Última atualização: 26/10/2024
A ATAXIA PODE AFETAR A PRESSÃO ARTERIAL?
A ataxia espinocerebelar tipo 3 (SCA3), ou Doença de Machado Joseph, está associada a sinais de disfunção autonômica. Pacientes com essa ataxia podem apresentar sintomas como:
Hipotensão ortostática: Queda da pressão arterial ao se levantar, associada à tontura ou síncope.
Alterações na frequência cardíaca: Incluem taquicardia inapropriada, bradicardia ou redução da variabilidade cardíaca.
Outros sintomas autonômicos:
Disfunção sudomotora: Hipoidrose (sudorese reduzida) em membros ou tronco.
Disfunção urinária por causa neurológica (bexiga neurogênica): Retenção, incontinência ou esvaziamento incompleto da bexiga.
Problemas gastrointestinais: Constipação e disfagia em estágios avançados.
Essas manifestações resultam da degeneração de núcleos autonômicos no sistema nervoso central, como o núcleo dorsal do vago (parassimpático), neurônios simpáticos da medula espinhal e estruturas do tronco encefálico, comprometendo a regulação cardiovascular, termorregulatória e visceral.
Conteúdo gerado com apoio de IA generativa.
Última atualização: 14/03/2025
ATAXIA PODE AFETAR O CONTROLE DA BEXIGA E INTESTINOS (CONSTIPAÇÃO)?
Sim. Algumas ataxias podem afetar nervos periféricos e em certos casos o sistema nervoso autônomo, os nervos que controlam os movimentos do intestino, da bexiga e do trato gastro intestinal em geral, produzindo sintomas como refluxos, constipação, afetar a bexiga causando incontinência urinária e outros sintomas.
Algumas ataxias têm maior probabilidade de produz estes sintomas (como a Ataxia de Friedreich e a Ataxia Espinocerebelar tipo 3, ou SCA3), mas em qualquer caso, se a pessoa tem ataxia e estes sintomas aparecerem (por exemplo. constipação prolongada), eles não devem ser ignorados, deve-se procurar o médico para obter orientações e medicação adequada.
Em geral os sintomas associados (se surgirem) podem ser gerenciados com dietas e com medicamentos simples. Já em outros casos os sintomas podem ser mais severos e neste caso o neurologista deverá indicar a melhor abordagem. Há também fisioterapia especializada que pode ajudar (por exemplo, fisioterapia pélvica para bexiga neurogênica).
Bexiga neurogênica
- Fisioterapia especializada pode ajudar
- Injeção de botox
- Medicamentos (Oxibutinina, Cloridrato de Tansulosina etc.) - devem ser receitados pelo médico!
Constipação
Sobre intestino preso, seguem algumas recomendações:
1 - Fazer movimentos que sua condição permitir, como alongamentos na cama, mudança frequente de posição a cada 90 minutos e, PRINCIPALMENTE, tentar ficar de pé por algumas vezes, durante o dia, nem que seja 5 minutos por vez.
2 - Se hidratar bem- pelo menos 1 litro e meio de agua por dia.
3 - Reduzir bastante o consumo de pão, arroz, macarrão, bolos e comer mais frutas, verduras de legumes para aumentar a quantidade de fibras no trato intestinal. Ver outras dicas de dieta mais adiante.
4 - Se a situação estiver critica, tomar um saquinho de metamucil dissolvido em água.
5 - Evitar o abuso de laxantes (pode gerar dependência). Se a constipação estiver grave, consultar o médico!
Dicas para constipação de pacientes com ataxia no grupo de suporte da Abahe
1 - Tomar batida de aveia ou mingau de aveia no café da manhã
2 - Comer granola com aveia (rico em fibras) com iogurte e mamão no café da manhã.
3 - Comer banana com açafrão e mel no café da manhã. Observar que a banana nanica ajuda a soltar o intestino, enquanto a prata e a maçã prendem.
Última atualização: 17/05/2023
QUE TIPOS DE DORES QUE PODEM SURGIR NA SCA3?
A Dra Susan Perlman (especialista em ataxias) informou em um webinar que tipicamente as ataxias cerebelares “puras” em si não causam dores. Entretanto, na SCA3 há múltiplas conexões fora do cerebelo e outros caminhos nervosos que podem ser afetados, e nestes sim podem ser causadas dores.
Por exemplo, a SCA3 (e outras ataxias) pode envolver nervos periféricos, causando neuropatias periféricas que podem ser dolorosas. Em geral, estas dores neuropáticas periféricas podem ser tratadas com Gabapentin e vários outros medicamentos. O envolvimento de nervos periféricos também pode causar espasmos musculares, que podem ocorrer de noite durante o sono, ou durante o dia, e há uma longa lista de medicamentos que podem ser prescritos para dar alívio a esta condição. Já o envolvimento de outros neurônios motores por causa da ataxia também pode causar espasmos que podem ser tratados com Baclofeno, Tizanidina e outros medicamentos e técnicas de tratamento.
A Dra Perlman ensina que o gânglio basal é uma área separada do cérebro que também tem relação com os nossos movimentos e que está envolvida na doença de Parkinson por exemplo. Em alguns tipos de ataxias (especialmente as ataxias genéticas) e na MSA (atrofia de múltiplos sistemas) podem ocorrer problemas no funcionamento do gânglio basal, o que pode causar um tipo de disfunção muscular chamado “distonia”. A distonia pode ser dolorosa, e pode ser tratada com uma variedade de medicamentos, e também com injeções de Botox.
A “dor” é algo que na opinião da Dra. Perlman deve ser tratada diretamente independentemente de sua causa (relacionada ou não com ataxia, ou se a ataxia é genética ou não), e há medicamentos alternativos aos opioides e narcóticos, que devem ser evitados se possível.
Fonte: [3]
Última atualização: 09/04/2023
QUAL É O CID10 DA ATAXIA?
Os códigos CID-10 (Código Internacional de Doenças) para ataxias são:
G11: Ataxia hereditária
G11.0: Ataxia congênita não-progressiva
G11.1: Ataxia cerebelar de início precoce
G11.2: Ataxia cerebelar de início tardio
G11.3: Ataxia cerebelar com déficit na reparação do DNA
G11.4: Paraplegia espástica hereditária
G11.8: Outras ataxias hereditárias
G11.9: Ataxia hereditária não especificada
R27: Outros distúrbios da coordenação e os não especificados
R27.0: Ataxia não especificada
A CID 10 é a Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, um documento que lista e categoriza doenças, lesões, transtornos e condições de saúde. A CID 10 é uma ferramenta essencial para os profissionais de saúde, pois facilita a comunicação e a precisão dos cuidados prestados.
Última atualização: 11/11/2024
EXISTE ATAXIA CAUSADA POR DEFICIÊNCIA DE VITAMINA E?
Sim, existe uma ataxia (AVED) que pode ser causada por "deficiência de vitamina E". Existindo este diagnóstico, o paciente poderá consumir suplementos com esta vitamina nas dosagens prescritas pelo médico.
Mesmo quem não tem "deficiência", ou seja, tem nível normal desta vitamina no organismo, pode ainda se beneficiar de doses pequenas - por um período não muito longo - para ajudar em câimbras, espasmos e dores musculares.
Fonte: [1]
Última atualização: 09/04/2023
O QUE É ATAXIA PARANEOPLÁSICA?
A ataxia paraneoplásica é um distúrbio neurológico que ocorre como uma complicação indireta de certos tipos de câncer, sem que o tumor invada diretamente o sistema nervoso. Esse tipo de ataxia adquirida é um exemplo de síndrome paraneoplásica, uma condição em que o sistema imunológico ataca erroneamente partes do sistema nervoso, acreditando estar combatendo o câncer.
Na ataxia paraneoplásica, o ataque imunológico afeta principalmente o cerebelo, que é a área do cérebro responsável pela coordenação dos movimentos, resultando em sintomas como:
• Perda de coordenação (ataxia);
• Dificuldade para caminhar;
• Tremores;
• Problemas de fala e engolir;
• Movimentos descoordenados dos olhos.
Ela costuma se manifestar em pacientes com câncer de pulmão, ovário, mama e linfomas. A detecção precoce do câncer subjacente e o tratamento da condição paraneoplásica com imunossupressores ou outras terapias podem ajudar a controlar os sintomas, embora os danos neurológicos muitas vezes sejam permanentes.
Os principais anticorpos relacionados com as ataxias paraneoplásicas (degeneração cerebelar paraneoplásica) são chamados de anticorpos onconeuronais, que são produzidos pelo sistema imunológico em resposta ao câncer e atacam o sistema nervoso, especificamente o cerebelo. Esses anticorpos são biomarcadores úteis no diagnóstico de síndromes paraneoplásicas. Entre os mais comuns estão:
• Anti-Hu (ANNA-1): Associado a cânceres de pulmão, especialmente o carcinoma de pequenas células, além de outros tumores. Está frequentemente ligado a encefalomielite paraneoplásica e ataxia cerebelar.
• Anti-Yo (PCA-1): Um dos anticorpos mais comuns em ataxias paraneoplásicas, frequentemente encontrado em pacientes com câncer de ovário ou de mama. Ataca predominantemente as células de Purkinje no cerebelo, levando à degeneração cerebelar.
• Anti-Ri (ANNA-2): Relacionado ao câncer de mama e ao carcinoma de pequenas células de pulmão. Esse anticorpo pode causar ataxia, mas é mais comum em pacientes com encefalomielite e síndrome de opsoclonia-mioclonia.
• Anti-Tr (DNER): Encontrado em pacientes com linfoma de Hodgkin, está associado à degeneração cerebelar paraneoplásica.
• Anti-CV2/CRMP5: Relacionado a tumores pulmonares (especialmente o carcinoma de pequenas células) e também a outros tipos de câncer. Pode causar ataxia e outras manifestações neurológicas, como neuropatias periféricas.
• Anti-mGluR1: Menos comum, relacionado com linfoma de Hodgkin e outras neoplasias. Afeta receptores glutamatérgicos no cerebelo, resultando em ataxia cerebelar.
Anti-GAD
O anti-GAD (anticorpo contra a enzima ácido glutâmico descarboxilase) também está relacionado com a GAD, uma enzima envolvida na produção de GABA (ácido gama-aminobutírico) que é um importante neurotransmissor inibitório no sistema nervoso central. A presença de anticorpos anti-GAD está mais associada a doenças autoimunes sem relação com o câncer, como diabetes tipo 1 e síndrome de Stiff-Person (síndrome da pessoa rígida), mas também pode causar ataxia cerebelar.
Quando o anti-GAD afeta o cerebelo, os sintomas incluem:
Ataxia progressiva (dificuldade de coordenação motora);
Tremores;
Instabilidade ao andar;
Disartria (dificuldade de articular palavras).
Embora o anti-GAD esteja relacionado principalmente a doenças autoimunes que não causam ataxia, ele também pode ser encontrado em alguns casos de síndromes paraneoplásicas, principalmente em pacientes com diabetes ou timoma. O tratamento geralmente inclui imunossupressores, como corticosteroides ou imunoglobulina intravenosa (IVIg), visando reduzir a resposta autoimune.
Conteúdo gerado com apoio de IA.
Última atualização: 22/10/2024
QUAIS SÃO OS GENES ASSOCIADOS COM AS ATAXIAS CAUSADAS POR MUTAÇÃO NO DNA MITOCONDRIAL?
Até agora, foram mapeados os genes associados com diversos tipos de ataxias de base genética causadas por mutação no DNA mitocondrial (mtDNA).
Seguem alguns exemplos.
• As mutações no gene POLG são a causa mais comum de desordens mitocondriais hereditárias. O gene POLG codifica a DNA polimerase mitocondrial (proteína envolvida na replicação e reparo do DNA mitocondrial).
• Ataxia MERRF - Síndrome da epilepsia mioclônica com fibras vermelhas rasgadas (MERRF -Myoclonus Epilepsy Ragged-red fibers) – mutação no DNA mitocondrial (mtDNA)
• Ataxia NARP (Neuropatia, ataxia e retinite pigmentosa) - mutação no DNA mitocondrial (mtDNA), genes MT-ATP6 e MT-ND6
• Ataxia KSS (Síndrome de Kearns-Sayre) – causada por deleções de larga escala no DNA mitocondrial.
Estes são apenas alguns exemplos.
Última atualização: 01/03/2025
QUAIS SÃO OS GENES ASSOCIADOS COM AS ATAXIAS CAUSADAS POR MUTAÇÕES RELACIONADAS AO CROMOSSOMO X?
Há algumas formas de ataxias cerebelares causadas por mutações em genes no cromossomo X, como a SCAX1 (X-linked spinocerebellar ataxia-1), causada por uma mutação no gene ATP2B3.
A FXTAS (Síndrome de Tremor/Ataxia Associada ao X-Frágil) e a síndrome do X-frágil também são condições genéticas com transmissão dominante ligadas ao X, ambas estão relacionadas ao gene FMR1 (Fragile X Mental Retardation 1) localizado no cromossomo X, mas a natureza da mutação varia e assim estas duas síndromes têm características clínicas e afetam as pessoas de formas bastante diferentes.
Última atualização: 01/03/2025
QUAL DAS SCAS (ATAXIAS ESPINOCEREBELARES) É A MAIS COMUM?
Embora não existam dados muito precisos sobre as prevalências das diferentes ataxias no mundo, a ataxia espinocerebelar tipo 3 SCA3 (DMJ) é a ataxia com herança dominante de maior prevalência no Brasil e nos Estados Unidos. Na Europa, dependendo do local onde você está, a SCA2 pode ser mais comum. A SCA1 e a DRPLA são mais comuns no Japão.
[Nota MG]: Para as ataxias recessivas, a ataxia de Friedreich é a mais comum no Brasil e nos Estados Unidos.
Última atualização: 09/04/2023
O QUE É ILOCA?
A Ataxia ILOCA (Idiopathic Late-Onset Cerebellar Ataxia) ou Ataxia Cerebelar Idiopática de Início Tardio é uma forma de ataxia que geralmente se desenvolve mais tarde na vida e cuja causa não é bem compreendida. A ILOCA se caracteriza por danos progressivos ao cerebelo, a parte do cérebro responsável pela coordenação, equilíbrio e habilidades motoras finas. Os sintomas da ILOCA incluem dificuldades para caminhar, manter o equilíbrio, falar e realizar funções motoras, e esses sintomas tendem a piorar com o tempo.
Diferente das ataxias hereditárias, que são causadas por mutações genéticas, a ILOCA não possui uma causa genética ou ambiental clara, sendo classificada como idiopática (de origem desconhecida). A progressão da doença pode variar, com alguns casos permanecendo estáveis por um período e outros se agravando progressivamente
O tratamento normalmente foca em gerenciar os sintomas através de terapias físicas, ocupacionais e fonoaudiológicas.
Conteúdo gerado com apoio de IA.
Última atualização: 22/10/2024
ATAXIAS PODEM SER CAUSADAS POR AVCs?
Alguém perguntou em um webinar se sintomas de ataxia pode causados por acidentes vasculares cerebrais, ou derrames (neste caso, seria uma ataxia adquirida, sem causa genética).
A Dra. Susan Perlman (especiaista em ataxias) confirmou que de fato a ataxia pode ser causada por um AVC que afete diretamente o cerebelo, embora esta não seja a parte do cérebro que é mais comumente afetada nestes eventos. Também pode ocorrer um acidente em uma outra área do cérebro que troque informações com o cerebelo, e isso produzir sintomas semelhantes aos de ataxia, já que informações importantes que o cerebelo precisa para executar sua função de coordenação motora não chegarão de forma adequada.
Com relação ao tratamento, tanto nestes casos como nas demais causas de ataxia em geral, recomenda-se a fisioterapia neurológica.
Última atualização: 27/09/2023
QUAL É A DIFERENÇA ENTRE ATAXIA CEREBELAR E ESPINOCEREBELAR?
A ataxia puramente cerebelar e a ataxia espinocerebelar são ambas condições neurológicas que afetam a coordenação motora e o equilíbrio, mas envolvem áreas diferentes do sistema nervoso. Aqui está a distinção básica entre elas:
Ataxia Cerebelar:
• Refere-se a uma disfunção no cerebelo, a parte do cérebro responsável pelo controle da coordenação motora, equilíbrio e postura.
• Os sintomas incluem dificuldade para caminhar, movimentos descoordenados (disdiadococinesia), fala arrastada (disartria) e tremores.
• Pode ser causada por lesões no cerebelo decorrentes de acidentes vasculares cerebrais (AVCs), tumores, infecções, deficiências vitamínicas, alcoolismo crônico ou condições hereditárias.
Ataxia Espinocerebelar:
• A ataxia espinocerebelar geralmente é um grupo de doenças hereditárias que afetam tanto o cerebelo quanto a medula espinhal e outras áreas do sistema nervoso.
• Ela envolve degeneração progressiva não só do cerebelo, mas também das vias que conectam o cerebelo com a medula espinhal, resultando em uma combinação de problemas motores e sensoriais.
• A maioria das ataxias espinocerebelares (SCA) são condições genéticas autossômicas dominantes, com várias subtipos (SCA1, SCA2, etc.), cada uma resultante de mutações específicas em genes diferentes.
• Os sintomas incluem dificuldades motoras, perda de equilíbrio, tremores, e, em estágios avançados, perda da capacidade de caminhar, falar ou mover os olhos de maneira controlada.
Resumindo, a ataxia cerebelar afeta primariamente o cerebelo, enquanto a ataxia espinocerebelar é uma forma hereditária mais ampla que afeta tanto o cerebelo quanto outras áreas do sistema nervoso, particularmente a medula espinhal, levando a uma progressão mais severa e generalizada dos sintomas.
Para mais informações, veja o Mapa das Ataxias
Última atualização: 19/10/2024
QUAIS SÃO OS GENES ASSOCIADOS COM AS ATAXIAS DOMINANTES?
Até agora, foram mapeados os genes associados com diversos tipos de ataxias hereditárias com transmissão autossômica dominante. Seguem alguns exemplos.
Ataxias espinocerebelares
Ataxia espinocerebelar tipo 1 (SCA1) – gene ATXN1, Cromossomo 6p22.3
Ataxia espinocerebelar tipo 2 (SCA2) – gene ATXN2, Cromossomo 12q24.12
Ataxia espinocerebelar tipo 3 (SCA3) – gene ATXN3, Cromossomo 14q21.1
Ataxia espinocerebelar tipo 4 (SCA4) – gene ZFHX3 (candidato), Cromossomo 16q22.3
Ataxia espinocerebelar tipo 5 (SCA5) – gene SPTBN2, Cromossomo 11q13.2
Ataxia espinocerebelar tipo 6 (SCA6) – gene CACNA1A, Cromossomo 19p13.13
Ataxia espinocerebelar tipo 7 (SCA7) – gene ATXN7, Cromossomo 3p21.1
Ataxia espinocerebelar tipo 8 (SCA8) – genes ATXN8, ATXN8OS, Cromossomo 13q21.33
Ataxia espinocerebelar tipo 10 (SCA10) – gene ATXN10, Cromossomo 22q13.31
Ataxia espinocerebelar tipo 11 (SCA11) – gene TTBK2, Cromossomo 15q21.1
Ataxia espinocerebelar tipo 12 (SCA12) – gene PPP2R2B, Cromossomo 5q32
Ataxia espinocerebelar tipo 13 (SCA12) – gene KCNC3, Cromossomo 19q13.32
Ataxia espinocerebelar tipo 14 (SCA14) – gene PPKCG, Cromossomo 19q13.42
Ataxia espinocerebelar tipos 15/16 (SCA15/SCA16) – gene ITPR1, Cromossomo 3p26.1
Ataxia espinocerebelar tipo 17 (SCA17) – gene TBP, Cromossomo 6q27
Ataxia espinocerebelar tipo 18 (SCA18) – gene IFRD1, Cromossomo 1q44
Ataxia espinocerebelar tipos 19/22 (SCA15/SCA16) – gene KCND3, Cromossomo 1p13.2
Ataxia espinocerebelar tipo 20 (SCA20) – gene SCA20, Cromossomo 11p11.2
Ataxia espinocerebelar tipo 21 (SCA21) – gene TMEM240, Cromossomo 1q41
Ataxia espinocerebelar tipo 23 (SCA23) – gene PDYN, Cromossomo 20p13
Ataxia espinocerebelar tipo 25 (SCA25) – gene PNPT1, Cromossomo 2p16.1
Ataxia espinocerebelar tipo 26 (SCA26) – gene EEF2, Cromossomo 19q13.3
Ataxia espinocerebelar tipo 27A/27B (SCA27A/SCA27B) – gene FGF14, Cromossomo 13q33.1
Ataxia espinocerebelar tipo 28 (SCA28) – gene AFG3L2, Cromossomo 18p11.32
Ataxia espinocerebelar tipo 29/30 (SCA29/ SCA30) – gene ITPR1, Cromossomo 3p26.1
Ataxia espinocerebelar tipo 31 (SCA31) – gene BEAN1, Cromossomo 16q21
Ataxia espinocerebelar tipo 32 (SCA32) – gene SCA32, localização ainda não conclusiva.
Ataxia espinocerebelar tipo 34 (SCA34) – gene ELOVL4, Cromossomo 6q14.1
Ataxia espinocerebelar tipo 35 (SCA35) – gene TGM6, Cromossomo 20p13
Ataxia espinocerebelar tipo 36 (SCA36) – gene NOP56, Cromossomo 20p13
Ataxia espinocerebelar tipo 37 (SCA37) – gene DAB1, Cromossomo 1p32.2
Ataxia espinocerebelar tipo 38 (SCA38) – gene ELOVL5, Cromossomo 6p12.1
Ataxia espinocerebelar tipo 40 (SCA40) – gene CCDC88C, provável Cromossomo 2q32.1
Ataxia espinocerebelar tipo 41 (SCA41) – gene TRPC3, Cromossomo 4q27
Ataxia espinocerebelar tipo 42 (SCA42) – gene CACNA1G, Cromossomo 17q21.33
Ataxia espinocerebelar tipo 43 (SCA43) – gene MME, Cromossomo 3q25.31
Ataxia espinocerebelar tipo 44 (SCA44) – gene GRM1, Cromossomo 6q24
Ataxia espinocerebelar tipo 45 (SCA45) – gene FAT2, Cromossomo 4q35.2
Ataxia espinocerebelar tipo 46 (SCA46) – gene PLD3, Cromossomo 19q13.2
Ataxia espinocerebelar tipo 47 (SCA47) – gene PUM1, Cromossomo 1p35.2
Ataxia espinocerebelar tipo 48 (SCA48) – gene STUB1, Cromossomo 16p13.3
Ataxia espinocerebelar tipo 49 (SCA49) – gene SAMD9L, Cromossomo 7q21.2
Ataxia espinocerebelar tipo 50 (SCA50) – gene NPTX1, Cromossomo 17q25.3
Outras ataxias com herança dominante
• Ataxia Dentato-Rubro-Palido-Luisiana (DRPLA) – gene ATN1
• Ataxias Episódicas
• Ataxia Episódica Tipo 1 (EA1) - gene KCNA1, cromossomo 12 (12p13.32)
• Ataxia Episódica Tipo 2 (EA2) - gene CACNA1A, cromossomo 19 (19p13.13)
• Ataxia Episódica Tipo 3 (EA3) – gene ainda não identificado.
• Ataxia Episódica Tipo 4 (EA4) – gene ainda não identificado.
• Ataxia Episódica Tipo 5 (EA5) - gene provável CACNB4, cromossomo 2 (2q23.3)
• Ataxia Episódica Tipo 6 (EA6) - gene SLC1A3, cromossomo 5 (5p13.2)
• Ataxia Episódica Tipo 7 (EA7) – gene gene ainda não identificado.
• Ataxia Episódica Tipo 8 (EA8) - genes UBR4 e SPG2 (ainda provisórios)
Estes são alguns exemplos, há outros tipos de ataxias com herança autossômica dominante.
Última atualização: 01/03/2025
É POSSÍVEL ADQUIRIR ATAXIA POR INFECÇÕES VIRAIS?
Sim. A cerebelite infecciosa, ou encefalite cerebelar, é uma inflamação do cerebelo causada principalmente por infecções virais, mas também pode ocorrer por infecções bacterianas, fúngicas, ou parasitárias. No caso de infecção viral, há diferentes tipos de vírus que podem ser a causa da inflamação (por exemplo, Varicela-zoster, Epstein-Barr (EBV), Enterovírus e outros).
Esta inflamação do cerebelo pode causar sintomas típicos de ataxia, como desequilíbrio, dificuldade em coordenar movimentos finos, movimentos oculares anormais (nistagmo), dificuldades de fala, tremores etc.
O diagnóstico é feito com exames de imagem, como ressonância magnética, além de análises do líquido cefalorraquidiano e exames de sangue para identificar infecções virais. O tratamento costuma focar na causa subjacente e inclui antivirais, antibióticos ou antifúngicos (conforme a causa), além de cuidados de suporte para reduzir os sintomas.
Cada caso é um caso, mas de modo geral é importante que o paciente seja monitorado por um neurologista (ou neuropediatra, se for criança), e inicie trabalho especializado de fisioterapia neurológica. Em muitos casos o próprio sistema imunológico combate o vírus, e se o médico achar que é o caso, antivirais específicos também podem ser prescritos.
O prognóstico da cerebelite infecciosa geralmente é bom, especialmente em crianças, que costumam se recuperar bem, mas depende do agente causador e da gravidade da inflamação.
Conteúdo gerado com apoio de IA.
Última atualização: 28/10/2024
QUAIS TIPOS DE ATAXIAS EXISTEM?
Existem muitos tipos diferentes de ataxia que podem afetar as pessoas de diferentes maneiras. As ataxias podem ser divididas em grupos:
1 - Ataxias hereditárias
As ataxias hereditárias envolvem algum tipo de falha genética que pode ser passada dos pais para os filhos, através de gerações.
Grupo 1. Ataxias autossômicas dominantes
Neste grupo, a condição genética que causa a doença pode ser herdada de apenas um dois pais. Cada filho tem 50% de chance de herdar o gene defeituoso.
Um grupo de ataxias que podem ser herdadas de forma "autossômica dominante" é o das ataxias espinocerebelares (há até o momento 51 tipos de SCAs como SCAs 1, 2, 3, 6, 7, 12 e 17, e atualmente existem testes genéticos para diagnóstico de alguns destes tipos. Outro tipo de ataxia com herança "autossômica dominante" é a DRPLA (Dentatorubral-pallidoluysian atrophy), e as ataxias episódicas tipo 1 (EA-1) e tipo 2 (EA-2).
Grupo 2. Ataxias autossômicas recessivas
Neste caso, a ataxia só será transmitida se o filho receber duas cópias do gene defeituoso, uma da mãe e outra do pai. Os pais são "portadores" do gene defeituoso, embora eles próprios não desenvolvam a doença (pula gerações).
Neste tipo de transmissão se enquadram mais de 30 tipos de ataxias, tais como:
- Ataxia de Friedreich
- Ataxia telangiectasia
- Ataxia com apraxia oculomotora tipos 1 ou 2 (AOA1 e AOA2)
- Ataxia por deficiência de vitamina E
- Abetalipoproteinemia
- Ataxia cerebelar por deficiência da coenzima Q10
- Síndrome de Marinesco-Sjogren
- Ataxias de Charlevoix-Saguenay (ARSACS)
Grupo 3. Ataxias mitocondriais (podem ser herdadas da mãe apenas).
Este tipo de ataxia é transmitido apenas pela mãe para os filhos, em função de problemas mitocondriais nos óvulos maternos causadas por mutações nos genes. As mitocôndrias são componentes das nossas células que produzem energia.
Exemplos de ataxias mitocondriais:
• Ataxia MERRF - Síndrome da epilepsia mioclônica com fibras vermelhas rasgadas (MERRF -Myoclonus Epilepsy Ragged-red fibers)
• Ataxia NARP - Neuropatia, ataxia e retinite pigmentosa (NARP - Neuropathy, Ataxia, and Retinitis Pigmentosa syndrome)
• Ataxia KSS (Kearns-Sayre Syndrome)
Grupo 4. Ataxias X-linked
Uma outra categoria de ataxias hereditárias é a das ataxias cerebelares ligadas ao X (X-linked cerebellar ataxias) , que como o nome sugere, estão relacionadas com mutações em um gene no cromossoma X. Em geral, estas ataxias têm progressão lenta e são transmitidas com maior probabilidade para os filhos homens, pois as mulheres possuem duas cópias do cromossomo X, enquanto os homens possuem apenas uma.
2 - Ataxias adquiridas
Há também as ataxias não hereditárias que podem ser adquiridas de diferentes maneiras, e também ataxias de ocorrência esporádica. Em certos casos a causa é conhecida, em outros não, e neste segundo caso são chamadas de ataxias cerebelares idiopáticas. Seguem alguns exemplos de ataxias não hereditárias.
Seguem alguns exemplos:
• Ataxia por sensibilidade ao Glúten (Gluten ataxia)
• Ataxias por má formação do cerebelo
• Neoplasias (Degeneração Cerebelar Paraneoplásica).
• Infecções do SNC (Sistema Nervoso Central), por exemplo, cerebelite viral.
• Ataxias causadas por AVC (Acidente Vascular Cerebral).
• Ataxia causada por danos ao cerebelo em acidentes (ex. batida de automóvel).
• Ataxias adquiridas por por abuso de álcool
• Ataxias adquiridas por intoxicação por metais pesados.
• Ataxias adquiridas por carência de vitaminas (E, B1, B12 etc).
• Sintomas de ataxia produzidos por Esclerose Múltipla (MS - Multiple Sclerosis)
• Ataxias adquiridas por causas auto-imunes.
• Doença celíaca
• Ataxia cerebelar relacionada ao anticorpo anti-GAD
• Síndrome de Guillain-Barré – manifestação como ataxia sensitiva.
• Ataxias adquiridas por certos medicamentos como as benzodiazepinas (“Benzos”) e a fenitoína, e alguns tipos de quimioterapia.
• Sintomas de ataxias também podem ter causas psicogênicas ou funcionais.
3 - Ataxias Idiopáticas
A expressão "ataxia idiopática" é geralmente utiizada nos casos em que os médicos não sabem o motivo pelos quais uma pessoa está com sintomas de ataxia (ou seja, a causa é desconhecida). Seguem alguns exemplos.
• Atrofia de Múltiplos Sistemas (AMS), ou Multiple System Atrophy (MSA)
• Atrofia cerebelar idiopática de inicio tardio ou ILOCA (Idiopathic Late Onset Cerebellar Atrophy).
Última atualização: 18/05/2023
QUAIS SÃO OS GENES ASSOCIADOS COM AS ATAXIAS RECESSIVAS?
Até agora, foram mapeados os genes associados com diversos tipos de ataxias de base genética com transmissão autossômica recessiva. Seguem alguns exemplos.
Ataxia de Friedreich – gene FXN
Localização: Cromossomo 9, banda 9q21.11
Observação: As mutações (geralmente expansões de repetição GAA no primeiro íntron) afetam a expressão da proteína frataxina.
Ataxia por deficiência de vitamina E (AVED) – gene TTPA
Localização: Cromossomo 8, banda 8q13
Observação: O gene codifica a proteína de transferência de alfa-tocoferol, essencial para o transporte da vitamina E.
Ataxia Telangiectasia – gene ATM
Localização: Cromossomo 11, banda 11q22.3
Observação: O gene ATM é fundamental para a resposta a danos no DNA; sua deficiência resulta em instabilidade genômica e sensibilidade à radiação.
Síndrome CANVAS – gene RFC1
Localização: Cromossomo 4, banda 4q34.3
Observação: A recente descoberta de uma expansão repetitiva intrônica em RFC1 tem sido associada a este quadro clínico de ataxia, neuropatia e areflexia vestibular.
Ataxia com Apraxia Oculomotora tipo 1 - gene APTX)
Localização: Cromossomo 9, banda 9p13.3
Observação: O gene APTX codifica a proteína aprataxina, cuja deficiência está ligada a defeitos na reparação de DNA.
Ataxia com Apraxia Oculomotora tipo 2 - gene SETX)
Localização: Cromossomo 9, banda 9q34
Observação: SETX codifica a senataxina, proteína envolvida na manutenção da integridade do genoma.
Ataxia com Apraxia Oculomotora tipo 4 - gene PNKP
Localização: Cromossomo 19, banda 19q13.31
Observação: O gene PNKP é responsável pela codificação da polinucleotídeo quinase 3′-fosfatase, com papel essencial no reparo de quebras de DNA.
Ataxia por deficiência de coenzima Q10 (SCAR9) – gene ADCK3
Localização: Cromossomo 1, banda 1p36 (algumas referências especificam 1p36.11)
Observação: Alterações em ADCK3 comprometem a biossíntese da coenzima Q10, afetando a função mitocondrial.
Ataxia por deficiência SYNE1 (SCAR8) – gene SYNE1
Localização: Cromossomo 6, banda 6q25
Observação: O gene SYNE1 é um dos maiores do genoma e codifica uma proteína importante na estrutura nuclear; suas mutações estão associadas a formas recessivas de ataxia.
Ataxia de Charlevoix-Saguenay (ARSACS) – gene SACS
Localização: Cromossomo 13, banda 13q12.12
Observação: Mutações em SACS, que codifica a sacsin, estão implicadas no desenvolvimento dessa ataxia neurodegenerativa com início na infância.
Estes são apenas alguns exemplos, há muitos outros tipos de ataxias com herança autossômica recessiva.
Última atualização: 01/02/2025
A FISIOTERAPIA OCULAR AJUDA NA DIPLOPIA E NISTAGMO CAUSADOS POR ATAXIA?
A fisioterapia ocular é uma abordagem terapêutica usada para tratar problemas visuais relacionados à função dos músculos oculares e à coordenação dos olhos. Ela visa melhorar a eficiência visual e aliviar sintomas associados a distúrbios como a visão dupla, cansaço visual, estrabismo (desalinhamento dos olhos), ambliopia (olho preguiçoso) e outros problemas relacionados à acomodação e convergência dos olhos.
Os exercícios de fisioterapia ocular podem ajudar a:
• Fortalecer os músculos oculares, melhorando a coordenação e o alinhamento.
• Reduzir o cansaço visual causado por uso prolongado de telas ou leitura.
• Melhorar a coordenação binocular, ajudando os olhos a trabalharem juntos de maneira mais eficiente.
• Tratar condições como o estrabismo, que é o desalinhamento dos olhos.
• Promover a recuperação visual após cirurgias oculares ou lesões traumáticas.
A terapia pode ser feita com a orientação de um fisioterapeuta especializado ou de um oftalmologista, que orientará sobre os exercícios específicos a serem realizados. Esses exercícios podem incluir movimentos de foco, mudança de direção do olhar e o uso de ferramentas como prismas e luzes especiais para treinar o sistema visual.
A diplopia pode ocorrer em pessoas com ataxias devido à descoordenação dos músculos oculares, levando a desalinhamento dos olhos. A fisioterapia ocular pode ajudar a melhorar a coordenação e o alinhamento dos olhos, através de exercícios que estimulam a convergência e o foco visual. Porém, não vai eliminar a causa da diplopia. Em muitos casos, o uso de prismas pode ser recomendado pelo oftalmologista para aliviar a visão dupla em pacientes com ataxia.
O nistagmo, comumente associado a ataxias de origem neurológica, pode ser mais desafiador de tratar, pois o problema geralmente decorre de disfunção nos circuitos cerebrais que controlam os movimentos oculares (especialmente no cerebelo). A fisioterapia ocular não vai "curar" o nistagmo, mas pode ajudar a reduzir seus efeitos visuais, como a sensação de instabilidade visual e cansaço ocular. A reabilitação neuro-visual, que inclui técnicas de treinamento visual e estimulação sensorial, pode ser utilizada para melhorar a adaptação do cérebro aos movimentos oculares anormais.
Conteúdo gerado com apoio de IA Generativa.
Última atualização: 16/10/2024
QUAL É A IMPORTÂNCIA DOS ESTUDOS DE HISTÓRIA NATURAL PARA A CURA DAS ATAXIAS?
Os estudos de história natural são bastante importantes para fornecer dados complementares para ensaios clínicos de terapias e medicamentos, seja para ataxias ou outras doenças. Um exemplo é o estudo ReadySCA (estudo de história natural de SCA1 e SCA3) que visa identificar biomarcadores (ex. regiões do cérebro que podem atrofiar e ser identificadas em exames para ajudar em diagnóstico). Ver https://readisca.org/about/
Outro estudo importante de história natural é o CRC-SCA, para diversos tipos de ataxias incluindo a SCA3. Mais informações em https://www.ataxia.org/crc-sca/
Segundo a Amália Maranhão, Presidente da Abahe, os estudos de história natural sobre ataxias diversas (CANVAS, SCA1, SCA3, Ataxia de Friedreich etc.) são estudos de observação dos pacientes ao longo de um determinado período. Não envolvem o uso de medicamentos como no caso de ensaios clínicos de novos remédios. Estes estudos procuram analisar a evolução da doença, e como ela afeta o paciente (sintomas) ao longo do tempo.
Há coleta de histórico médico, testes clínicos, questionários de qualidade de vida e avaliações funcionais. Os indivíduos que participam do estudo terão as mesmas medições coletadas durante um certo período (por exemplo, 2 anos) durante as visitas do estudo clínico. Este tipo de pesquisa é muito importante para que se possa aprender mais sobre a doença, e assim ajudar os pesquisadores a desenvolver terapias futuras.
Como no caso de doenças raras (como as ataxias) o recrutamento para ensaios clínicos de novas drogas é difícil, dado que há dificuldades de diagnóstico e o número de pacientes é limitado, os estudos de história natural estão se tornando cada vez mais relevantes para a aprovação de medicamentos pela FDA, como apoio aos dados coletados nos ensaios clínicos tradicionais, dado que os estudos de história natural fornecem dados que podem ser cruzados com os dados dos ensaios clínicos, e assim podem reforçar evidências e proporcionar maior segurança na tomada de decisão sobre a aprovação ou rejeição do remédio pela FDA ou outra agência reguladora.
Um exemplo recente (fev. 2023) e muito importante neste sentido é o da aprovação do SKYCLARYS (Omaveloxone), o primeiro remédio aprovado para ataxia de Friedreich pela FDA. A farmacêutica REATA forneceu dados de estudo de história natural que a FARA (Friedreich’s Ataxia Research Alliance) patrocinou por alguns anos para complementar os dados obtidos no ensaio clínico da droga, e isso foi fundamental para o processo de aprovação.
Última atualização: 09/04/2023
EXISTE ALGUMA DIETA RECOMENDADA PARA QUEM TEM ATAXIA?
Seguem algumas orientações genéricas (não levam em conta as condições individuais). As dicas seguintes devem ser discutidas com o neurologista, que poderá encaminhar para um nutricionista fazer um acompanhamento regular. Tendo ou não ataxia, não se deve seguir “cegamente” qualquer tipo de dieta.
As recomendações de dieta seguintes não curam a ataxia mas espera-se que ajudem na melhoria da qualidade de vida, reduzindo a severidade de alguns sintomas e talvez mitigando efeitos colaterais de alguns medicamentos.
Atenção com a pressão sanguínea (se cair em função da dieta, pode elevar o risco de quedas). Este assunto de dietas é complicado!
Consultar o médico sempre que fizer alterações importantes na alimentação. Feitos estes alertas, seguem algumas recomendações. EXERCÍCIOS FÍSICOS e FISIOTERAPIA são muito importantes para quem tem ataxia para retardar a progressão da doença, e têm relação importante com a alimentação (nível de energia), e portanto, com a dieta adequada, cujos objetivos são: ⁃ Fornecer o nível adequado de nutrientes que o corpo precisa, aumentando o nível de energia e reduzindo a fadiga. ⁃ Manutenção do peso corporal adequado, o que é importante para facilitar as rotinas de exercícios e mobilidade e para reduzir o estresse sobre as juntas. ⁃ O consumo regular de fibras ajuda a regular o funcionamento do intestino ⁃ Melhoria do humor e do estado mental em geral. Recomendações ⁃ Algumas pessoas com ataxias se beneficiam de uma dieta com o mínimo possível de *carboidratos simples* e rica em fibras (nota 1). ⁃ Reduzir alimentos ou bebidas adoçados com açúcar ou adoçantes (ex. bolos, biscoitos, doces, sucos de frutas etc). ⁃ Aumentar consumo de proteínas e *carboidratos complexos* como frutas (sem adoçantes como nos sucos industrializados), vegetais, legumes, arroz e massas. ⁃ Evitar consumir carnes processadas com aditivos e preservativos (ex. salsichas). ⁃ Beber *bastante líquido* todos os dias é muito importante! ⁃ Evitar bebidas com açúcar ou adoçantes (drinks). Nota 1 - A quantidade de fibras recomendável para adultos é entre 30 e 40 gramas por dia, mas a dieta típica (nos Estados Unidos) não fornece mais do que metade disso (cerca de 15 gramas diárias). Por isso convém *complementar as fibras* e manter um bom consumo de vegetais, grãos, frutas etc. Perguntar ao nutricionista se há restrições em tomar probióticos em adição ao consumo de fibras. Nota 2 - Observar que as tolerâncias variam entre pessoas, e também para uma mesma pessoa ao longo do tempo, ou com a progressão da doença e fatores ambientais. Reduzir o consumo de alguns alimentos pode diminuir a tontura e melhorar o senso de equilíbrio.
A lista abaixo de “alimentos a evitar” é apenas um ponto de partida. Cada pessoa deve discutir com um nutricionista o que é adequado para ela: ⁃ Evitar Aspartame (adoçante) ⁃ Reduzir consumo de pães e bolos (feitos recentemente) ⁃ Moderação no consumo de chocolate escuro (chocolate branco é ok!) ⁃ Evitar frutas cítricas e bananas. ⁃ Evitar alimentos contendo glutamato monossódico e proteínas hidrolisadas em seus ingredientes. ⁃ Reduzir consumo de alimentos contendo nitritos e nitratos (bacon, cachorro-quente, salsichas, presunto, peixe defumado etc.). ⁃ Reduzir consumo de cebola crua (cozida é ok!). ⁃ Reduzir consumo de alimentos e contendo sulfito como conservante (uva passa, frutas secas, figos etc.). Algumas bebidas como vinho e cerveja também podem ter sulfitos como conservante. ⁃ Reduzir consumo de alimentos contendo tiramina (não abusar de queijos e vinhos, pizzas, etc.).
Complementos de vitaminas *Suplementos de Vitaminas* são indicados para quem tem ataxia para melhorar a fadiga e a saúde de modo geral. Os seguintes micronutrientes são recomendados (ver as doses diárias com o médico!). ⁃ Vitamina B-12 ⁃ Vitamina C ⁃ Vitamina D3 (para melhor absorção de cálcio) ⁃ Vitamina E ⁃ Vitamina K ⁃ Cálcio ⁃ Coenzima Q-10 (ver restrições! Por exemplo não indicado durante a gravidez e amamentação). ⁃ Magnésio (Mg) (ajuda no metabolismo de carboidratos e para reduzir câimbras musculares) ⁃ Omega3, 6 e 9 ⁃ Flavonoides (oferecem proteção antioxidante - comer frutas e vegetais frescos todos os dias!). Observar que algumas ataxias podem ser causadas por deficiências de vitaminas (como a vitamina E). Estas deficiências podem ser detectadas em exames de sangue, como parte do acompanhamento médico regular.
Por outro lado, *consumir vitaminas em excesso* (superdosagem, acima do que organismo precisa) é *perigoso* - portanto alertamos mais uma vez - não consumir suplementos e vitaminas sem acompanhamento médico para avaliar às necessidades individuais e as dosagens diárias recomendadas. A marca e qualidade dos suplementos e vitaminas também é muito importante (nível de pureza). Não se deve comprar pensando apenas no preço. Ao consumir medicamentos em geral (para qualquer coisa) verificar na bula (ou com o médico) se ele pode causar fadiga ou fraqueza, sobretudo se for para tomar por longos períodos. Estes medicamentos devem ser evitados se possível por quem tem ataxias (que já causam fadiga e fraqueza). Glúten - Pacientes com doença celíaca (intolerância ao glúten) podem desenvolver ataxia. Se você tem ataxia sem causa conhecida (não diagnosticada) talvez seja bom fazer testes para verificar se tem intolerância ao glúten. Quem é intolerante não deve consumir alimentos com glúten, e há quem siga dietas glúten-free mesmo sem ter intolerância (acredita-se que traz benefícios). Neste caso também é importante estar alinhado com o médico e ter supervisão de um nutricionista. As dietas sem glúten requerem um comprometimento contínuo do paciente (e familiares) dado que o glúten está presente em muitos dos nossos alimentos favoritos. Tradução livre e adaptação de “REQUENTLY ASKED QUESTIONS ABOUT... DIET for ATAXIA”, publicação da NAF disponível em
https://www.ataxia.org/wp-content/uploads/2017/07/Ataxia_Diet_FAQ.pdf
Última atualização: 17/05/2023
A ESTIMULAÇÃO TRANSCRANIANA (NEUROMODULAÇÃO) AJUDA NA ATAXIA?
A Dra. Susan Perlman (especialista em ataxias) explicou em um webinar que embora seja uma terapia promissora ainda não está cientificamente comprovado se técnicas de estimulação transcraniana (basicamente, colocar o cérebro em um campo magnético controlado ou sujeito a correntes elétricas contínuas) podem ajudar na ataxia. Vale ressaltar que a FDA já aprovou algumas terapias deste tipo para depressão. Há estudos em andamento, vale a pena monitorar.
O ajuste destas terapias como a tDCS (estimulação com corrente contínua) é complicado pois há muitos parâmetros para regular (quantos miliamperes de corrente? Por quanto tempo? Onde posicionar os eletrodos?), então é um caso típico de algo que pode funcionar, mas ainda vai demorar um pouco para os cientistas acertarem todos os parâmetros.
Pelo menos em ratinhos (mouse models) os resultados da neuromodulação para ataxias são promissores. e há também ensaios clínicos com pacientes humanos que mostraram bons resultados, mas não há garantias – as sessões de neuromodulação podem funcionar para alguns pacientes, e não para outros. Trata-se portanto de uma terapia ainda experimental, ainda sem aprovação (para ataxias) da FDA nos Estados Unidos e da ANVISA (no Brasil).
Veja estas referências sobre neuromodulação para ataxias:
Última atualização: 19/05/2023
HÁ BENEFÍCIOS DOCUMENTADOS DE TERAPIAS DE ESTIMULAÇÃO TENS?
TENS (Transcutaneous electrical nerve stimulation) é uma técnica de estimulação elétrica dos nervos usada em fisioterapia para recuperação muscular.
A Dra Susan Perlman (especialista em ataxias) informou em um webinar que terapias tipo TENS podem ajudar a reduzir dores musculares, o que por sua vez melhora a capacidade da pessoa em participar de fisioterapia ou fazer exercícios, e que ela está a par de técnicas de estimulação que podem ajudar no ganho de massa muscular.
Se a pessoa está com perda de massa muscular por causa de não se exercitar por conta da ataxia ou porque os músculos foram impactados pela doença há técnicas para aumentar a massa muscular e que tecnicamente podem aumentar a força muscular também. Nestes casos estas são estratégias de fisioterapia que podem trazer benefícios e portanto podem ser exploradas.
Última atualização: 09/04/2023
EXISTEM TERAPIAS DE CÉLULAS TRONCO (STEM CELL THERAPIES) PARA ATAXIAS?
Ainda não há terapias baseadas em células tronco aprovadas pela FDA para ataxias, mas há pesquisas em andamento. No momento (abril de 2025) há duas farmacêuticas (Steminent e Reprocell) trabalhando no desenvolvimento de terapias baseadas em células tronco para ataxias espinocerebelares. A terapia da Steminent Biotherapeutics (Stemchymal®) é mencionada no pipeline da NAF para a SCA3 (ver links abaixo).
Um estudo de fase II duplo cego, randomizado e controlado por placebo do Stemchymal® para tratamento das ataxias SCA2, SCA3 e SCA6 foi concluído em Taiwan e no Japão. Os dados coletados estão sendo analisados.
Sobre terapias de células tronco para ataxias
A Dra Susan Perlman (especialista em ataxias) explicou que inicialmente se pensava ser possível usar células tronco externas para “substituir” células nervosas danificadas (por exemplo, em derrames cerebrais ou lesões da coluna). A ideia básica é que nos casos de lesão as células tronco poderiam ser implantadas no organismo do paciente, crescer, e desenvolver novas células nervosas, substituindo as que foram danificadas pelo acidente ou doença. Este tipo de pesquisa ainda está em andamento, e no estado atual não é claro se estão sendo bem sucedidas - quando se injeta células tronco exógenas (de outras origens) ainda não está claro se elas de fato conseguem substituir células da pessoa que estejam danificadas.
Uma outra abordagem que parece mais promissora é aplicar tratamentos que possam estimular as células tronco que existem no cérebro do próprio paciente a se desenvolver e dar origem a novos neurônios, potencialmente substituindo células nervosas danificadas por fatores genéticos (como ocorre nas ataxias hereditárias) ou por outras causas. Mais precisamente, no caso de distúrbios degenerativos como nas ataxias espinocerebelares e outras desordens genéticas onde há uma perda progressiva e lenta de células neurais (comprometendo nervos), acredita-se que as infusões de células tronco (que podem ser administradas diretamente no fluido espinhal) seriam capazes de estimular fatores de crescimento neural (NGF - Nerve Growth Factors), que por sua vez permitiriam que as conexões nervosas já danificadas fossem reparadas, ou pelo menos se tornassem mais fortes.
Uma boa notícia é que os estudos iniciais de terapias baseadas em células tronco para Ataxias não demonstraram nenhum efeito colateral severo, as pesquisas são promissoras mas ainda é preciso fazer mais testes e estudos dada a complexidade do tema. Segundo a Dra Perlman um aspecto que precisa ser levado em conta ao participar de um ensaio clínico de células tronco é que isso pode impedir o paciente de participar de outros estudos clínicos de outros medicamentos, pois como as células tronco estão no organismo da pessoa elas poderão afetar os resultados de outros ensaios. O mesmo ocorre com terapias genéticas.
Ver
https://www.ataxia.org/scasourceposts/snapshot-what-are-induced-pluripotent-stem-cells-ipscs/
Última atualização: 08/04/2025
HÁ ALGUMA FORMA DE ATRASAR A PROGRESSÃO DA ATAXIA?
Até que surja algum medicamento, convém manter bons hábitos de saúde para não complicar os sintomas da ataxia com outros problemas evitáveis.
De acordo com a Dra Susan Perlman (especialista em ataxias) o fundamento para tratar a ataxia no momento é REABILITAÇÃO (fisioterapia, exercícios) com fisioterapeuta neurofuncional, bem como trabalhar com fisioterapeuta ocupacional e fonoaudiólogo (se tiver dificuldades para falar (disartria) e/ou engolir (disfagia)). Estas estratégias de reabilitação SEMPRE AJUDAM, e podem ser adaptadas para as condições e necessidades específicas de cada um.
Saiba mais sobre Fisioterapia para pacientes com ataxia em /fisioterapia
Saiba mais sobre exercícios físicos para ataxia em /ef
[Nota MG]: Pelo que se lê em diversos grupos de suportes, pode-se concluir que é altamente recomendável para quem tem ataxias se alimentar bem, descansar sempre que precisar (ataxia cansa!), fazer exercícios físicos para ganhar resistência e força, dentro das possibilidades de cada um e sem exageros, bicicleta ergométrica é muito bom, fazer fisioterapia neurológica para melhorar equilíbrio e coordenação e também para maior segurança (evitar quedas), fazer Yoga também é muito bom, Pilates, hidroginástica, enfim, manter-se ativo. Além disso, procurar atividades para se ocupar (terapia ocupacional) e evitar a depressão, e sobretudo evitar o estresse - há muitos depoimentos de pessoas com diferentes tipos de ataxias que atestam que o estresse piora os sintomas da ataxia, quaisquer que sejam. Viver no presente, fazer o melhor por si e pelos outros que puder ajudar, um dia de cada vez.
Última atualização: 09/04/2023
QUAL É A IMPORTÂNCIA DOS EXERCÍCIOS FÍSICOS PARA QUEM TEM ATAXIA?
Alguém perguntou em um webinar sobre a importância de quem tem ataxia fazer exercícios. A Dra. Susan Perlman (especialista em ataxias) recomendou bastante, tanto para fortalecer a musculatura, quanto exercícios para melhoria de equilíbrio, e melhoria da condição cardiovascular (ex. bicicleta ergométrica). Exercícios cardio são bons para a circulação sanguínea, e isso faz bem para o cérebro. Também é importante fazer alongamentos, e evitar abusar nos treinos, a ponto de ficar muito cansado ou sentir dores. Todos devem procurar se exercitar da forma que puderem, todos os dias, mas sem excessos.
Referências de exercícios para quem tem ataxia:
Johns Hopkins Medicine - Cerebellar Ataxia Exercises — Ms. Jennifer Millar, physical therapist
Vídeo em inglês, mas é possível habilitar legendas e ativar tradução automática das legendas para o português.
11 Exercícios para Pacientes com Ataxia
Página contendo vídeos e informações. A página é em inglês, mas ao clicar no botão TRANSLATE pode ser traduzida para português (clicar na bandeira de Portugal)
Para quem é cadeirante também tem exercícios no Youtube. Aqui por exemplo tem uma sessão de Yoga na cadeira que todos podem acompanhar.
Vídeo em inglês, mas é possível habilitar legendas e ativar tradução automática das legendas para o português.
[Nota MG]: Além de exercícios físicos, pelo que se reporta em diversos grupos de suporte a fisioterapia ajuda bastante, bem como a Yoga (inclusive Yoga sentado para quem tem mais dificuldade), pilates, hidroginástica, enfim, o que a pessoa gostar e tiver acesso, e conseguir fazer. Além da Dra. Perlman o Dr. David Lynch (um dos maiores especialistas em ataxias da atualidade) também enfatizou bastante em um congresso recente a importância dos exercícios físicos (dentro das possibilidades de cada um) para os atáxicos, não só pelo lado físico mesmo, mas também pelo lado mental, para ajudar no combate à depressão.
Saiba mais sobre Yoga para pacientes com ataxia em /yoga
Saiba mais sobre exercícios físicos para ataxia em /ef
Última atualização: 09/04/2023
COMO A FONOAUDIOLOGIA PODE AJUDAR NA DISARTRIA E DISFAGIA CAUSADA POR ATAXIA?
O problema na articulação das palavras é o principal problema da disartria atáxica (erros de articulação, variações na tonalidade, fala arrastada etc). Falar envolve a coordenação de movimentos muito complexos (por exemplo, coordenar a fala com a respiração). O mesmo ocorre com a deglutição (engolir), onde é preciso coordenar diversos músculos. Por exemplo, a laringe precisa estar fechada enquanto engolimos para evitar aspiração pelas vias respiratórias (quando alimentos chegam aos pulmões podem ocorrer infecções como pneumonias aspiratórias que podem ser fatais). A cavidade nasal também está envolvida tanto na fala quanto na deglutição).
A coordenação da respiração e dos diversos músculos que ocorre quando falamos ou engolimos requer alta precisão e é feita pelo cerebelo. O cerebelo também recebe feedback sensorial de órgãos sensores (audição, paladar, olfato, visão) e integra estas informações com os movimentos (por exemplo, fazer a pessoa engolir novamente algo que não foi engolido totalmente na primeira tentativa). Como nas ataxias espinocerebelares o cerebelo é afetado, a coordenação motora e a integração de feedbacks sensoriais podem ficar prejudicadas, e assim os sintomas de disartria e disfagia podem se manifestar com maior ou menor gravidade.
TERAPIAS PARA A DISARTRIA
No caso da disartria, a dificuldade na comunicação afeta negativamente a qualidade de vida dos pacientes, de modo que o tratamento profissionais de fonoaudiologia visa reduzir estas dificuldades. As terapias de fala envolvem diferentes aspectos (postura, tom, tônus, força muscular, respiração, fonação, ressonância, articulação e treino das sílabas tônicas) bem como exercícios especializados para o diafragma, músculos abdominais, controle da inspiração e expiração, controle da velocidade da fala etc.
Há diferentes terapias de reabilitação de fala que podem ajudar na disartria atáxica [2], tais como:
Lee Silverman Voice Treatment (LSVT)
Técnicas de controle de respiração
Melbourne Ataxia Speech Treatment
A-MOVT (ATAXIA–Myofunctional Orofacial and Vocal Therapy)
Por exemplo, o programa de exercícios A-MOVT visa fortalecimento de músculos envolvidos com a fala (orais, para a faringe e a laringe), e há estudos [1] que demonstram que pacientes com ataxia espinocerebelar tipo 3 (SCA3) podem se beneficiar de exercícios contínuos de terapia de fala.
TERAPIAS PARA A DISFAGIA
No caso da disfagia causada por ataxia ainda não há um protocolo definido, mas há também exercícios que podem ajudar a reduzir os riscos de engasgos e pneumonia aspiratória. Pessoas que têm ataxia e já engasgaram com alimentos recomendam o seguinte para reduzir os riscos durante a alimentação:
- Partir os alimentos sólidos em pedaços pequenos. Porém, deve-se evitar alimentos muito pequenos ou facilmente inaláveis, como sementes de gergelim.
- Evitar alimentos secos e quebradiços, como biscoitos e nozes.
- Evitar alimentos difíceis de quebrar ou cortar com os dentes, como bifes e maçãs.
- Ficar mentalmente concentrado durante a alimentação, atento ao ato de engolir, sem conversar ou fazer outras atividades enquanto estiver mastigando.
- Para beber líquidos, usar um copo com canudo.
- Evitar consumir líquidos pouco densos. Procurar beber líquidos mais espessos, ou adicionar espessantes (vendidos em farmácias ou feitos em casa com geltina em pó).
- Evitar comer e beber deitado.
- Em casos mais graves, ao dormir convém elevar um pouco a cabeceira da cama (manter a cabeça um pouco mais alta) para evitar engasgar com saliva (a ataxia pode produzir saliva em excesso em certos casos).
Há também alguns remédios como a Piridostigmina que podem ajudar em certos casos (que devem ser devidamente receitados). Em qualquer caso, ocorrendo a disfagia, o acompanhamento por um profissional qualificado de Fonoaudiologia é importante para evitar desidratação ou desnutrição em função das dificuldades em se alimentar. O neurologista também deve estar alinhado.
Para mais informações sobre Fonoaudiologia para pacientes com ataxia, consulte
Referências
[1] Effect of speech therapy on quality of life in patients with spinocerebelar ataxia type 3, Giovana Diaféria et al.
[2] Strategies to Mitigate Speech and Swallowing Impairments in Ataxia - NAF (National Ataxia Foundation) - Dr. Allison Hilger, PhD, CCC-SLP. May 1, 2023
Última atualização: 06/09/2023
ACUPUNTURA PODE AJUDAR NA ATAXIA?
Alguém perguntou em um webinar se terapias quiropraticas e acupuntura podem ajudar em ataxias. A Dra. Susan Perlman (especialista em ataxias) respondeu que estas práticas podem ajudar em certos sintomas (por exemplo, reduzir processos inflamatórios, espasmos e dores), mas não terão efeito na coordenação de movimentos e equilíbrio. Infelizmente a maioria dos planos de saúde no Brasil não paga por sessões de acupuntura.
Última atualização: 09/04/2023
JOGAR VIDEOGAME PODE AJUDAR NA COORDENAÇÃO PARA QUEM TEM ATAXIA?
Este assunto ainda está sendo pesquisado, mas certos videogames parecem ajudar. Não há muita literatura sobre potencial benefício que alguns videogames (como os XBOX Kinect games “Light Race” ou “20.000 Leaks”) ou Wii games (“PhysioFun”) podem trazer para quem tem ataxia.
Há alguns estudos (Ilg W, Schatton C, Schicks J, et al.) que indicaram benefícios na coordenação motora por conta de alguns games específicos de exercícios ("exergames"), sobretudo em crianças.
Seguem algumas referências:
Video game-based coordinative training improves ataxia in children with degenerative ataxia
Upper Body Physical Rehabilitation for Children with Ataxia through IMU-Based Exergame
Última atualização: 10/04/2023
ONDE POSSO OBTER INFORMAÇÕES SOBRE EXERCÍCIOS DE FISIOTERAPIA RECOMENDADOS PARA ATAXIA?
A FISIOTERAPIA NEUROFUNCIONAL É MUITO IMPORTANTE para quem tem ataxias.
Os pacientes se beneficiam de um encaminhamento para neuroreabilitação desde o estágio inicial da doença, que ajudará a estabelecer estratégias para manter várias funções (por exemplo: equilíbrio, coordenação do membro superior, fala e deglutição). A fisioterapia é muitas vezes valiosa, em particular para preservar a mobilidade, reduzir o risco de quedas e para evitar outros problemas, como os associados a estar em uma cadeira de rodas. O acompanhamento regular é importante. Os pacientes também precisarão de conselhos sobre auxílio para caminhar nos diferentes estágios de suas condições. Recomendação para uma cadeira de rodas clínica é importante no estágio apropriado da doença.
Livros
O excelente “Manual para Recuperação nas Ataxias”, publicação coordenada pelo Prof. Dr. Hélio Teive, juntamente com Marise Zonta e Lúcia Santos, editora UFPR, está à venda na Amazon. São 376 páginas de valiosas informações sobre os cuidados de fisioterapia e outras dicas para melhorar a qualidade de vida de pessoas com ataxias para terapeutas, cuidadores e pacientes. Caso alguém tenha interesse em comprar o guia impresso este é o link para o produto na Amazon.
Vídeos
Há também muitos bons vídeos que podem ser acessados gratuitamente na Internet com exercícios de fisioterapia para quem tem ataxia.
Links para exercícios para quem tem ataxia - Fonte: [6]:
Johns Hopkins Medicine - Cerebellar Ataxia Exercises — Ms. Jennifer Millar, physical therapist
Vídeo em inglês, mas é possível habilitar legendas e ativar tradução automática das legendas para o português.
11 Exercícios para Pacientes com Ataxia
Página contendo vídeos e informações. A página é em inglês, mas ao clicar no botão TRANSLATE pode ser traduzida para português (clicar na bandeira de Portugal)
Para quem é cadeirante também tem exercícios no Youtube. Aqui por exemplo tem uma sessão de Yoga na cadeira que todos podem acompanhar.
Vídeo em inglês, mas é possível habilitar legendas e ativar tradução automática das legendas para o português.
Ver também: Questão 5.3
Aqui mesmo no abahe.org.br você poderá encontrar alguns vídeos interessantes.
Indicações
Na página SOBRE TRATAMENTO -> Consultas do abahe.org.br você encontra indicações de pacientes com ataxias para fisioterapeutas neurofuncionais, ocupacionais e outros profissionais de saúde.
É MUITO IMPORTANTE para quem tem ataxia tentar se manter em movimento, fazer fisioterapia, Yoga, academia, hidroginástica, enfim, o que conseguir, dentro de suas possibilidades.
Última atualização: 09/04/2023
ONDE ENCONTRAR MAIS INFORMAÇÕES SOBRE ATAXIAS?
Há inúmeras páginas da Internet nas quais você pode obter mais informações sobre os as ataxias, além das que estão divulgadas aqui no abahe.org.br. Você pode por exemplo acessar os recursos disponíveis nas mídias sociais.
Siga o perfil da Abahe no Instagram para se manter bem informado.
https://www.instagram.com/ataxias_no_brasil/
Websites
Se você sabe ler e escrever em inglês, considere também fazer parte do grupo da NAF (National Ataxia Foundation) dos Estados Unidos e da Ataxia.org.uk do Reino Unido, onde você poderá obter muitas dicas para melhoria de qualidade de vida e informações sobre ensaios clínicos, medicamentos em estudo etc., além de trocar experiências com milhares de pacientes de ataxia de diversos países do mundo.
Grupos de Suporte no Facebook
Facebook - private group - National Ataxia Foundation
https://www.facebook.com/groups/NAFmail
Facebook - private group - Ataxia UK
https://www.facebook.com/ataxiauk
Há também vários grupos de suporte em português para ataxias criados no Facebook, tais como:
Facebook - grupo privado - ATAXIA (ATROFIA CEREBELAR) E DOENÇAS RARAS
https://www.facebook.com/groups/657198051023991/
Facebook - grupo privado - ATAXIA BRASIL
https://www.facebook.com/groups/344151082669240/
Facebook - grupo privado - Ataxias (Todos tipos)
https://www.facebook.com/groups/166101713890115/
Informação de qualidade sobre doenças raras (incluindo as ataxias) pode ser acessada no grupo de FaceBook criado e moderado pelo Prof. Dr. Samo Raskin.
Facebook - grupo público - DOENÇAS RARAS EXISTEM!
https://www.facebook.com/groups/216887745116764/
Há também diversos grupos de suporte (em diversos idiomas( para tipos específicos de ataxias e outras doenças neurológicas.
Se você tem diagnóstico ou suspeita de ataxia RFC1-CANVAS, este grupo é recomendado:
Facebook - grupo privado - RFC1-CANVAS International Support Group
Última atualização: 16/10/2024
ONDE OBTER INFORMAÇÕES MAIS TÉCNICAS, DE NÍVEL ACADÊMICO, SOBRE ATAXIAS?
Para os profissionais de saúde e especialistas (médicos, pesquisadores, etc.) há alguns sites que são boas referências técnicas e acadêmicas sobre as ataxias, tais como:
NEUROMUSCULAR HOME PAGE (https://neuromuscular.wustl.edu/index.html) - Aqui tem muita informação, altamente técnica, para especialistas, sobre inúmeras doenças neuromusculares, incluindo as diferentes formas de ataxias.
Orphanet (https://www.orpha.net/): uma base de dados europeia que fornece informações sobre doenças raras, incluindo ataxias espinocerebelares.
PubMed (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/): um banco de dados gratuito de artigos científicos e médicos que pode ser usado para pesquisar pesquisas recentes sobre ataxias.
OMIM® - An Online Catalog of Human Genes and Genetic Disorders (https://www.omim.org/)
Genetic and Rare Diseases (GARD) Information Center (rarediseases.info.nih.gov)
GeneReviews (https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK1116/): um recurso online gratuito que fornece informações atualizadas sobre doenças genéticas e seus genes correspondentes.
Última atualização: 09/04/2023
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